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‘Os intelectuais revolucionários devem tomar parte na luta de classes’

Fausto Arruda

O VI Seminário Internacional sobre o Capitalismo Burocrático vibrou em consonância com o momento histórico da agudização da luta de classes nacional e internacional e cumpriu com o importante objetivo de amolar as espadas no combate presente e futuro contra o fascismo e o revisionismo na academia e na atividade intelectual no Brasil e no mundo.

Os Seminários Internacionais sobre o Capitalismo Burocrático anteriores tinham, até então, como tarefa principal a divulgação e difusão das posições políticas do Grupo de Investigação sobre o Subdesenvolvimento e o Atraso Social (GISAS) e, nesta VI edição apresentou um formato diferente, com um maior aprofundamento dos debates e discussões.

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Durante o evento ficou expressa a luta pela afirmação da prática social como determinante para a compreensão das teses do capitalismo burocrático, através da experiência das lutas revolucionárias dos povos do mundo, resultando assim numa análise teórica pautada e dirigida pela prática revolucionária. As exposições das lutas ideológico-políticas em torno da compreensão e aplicação dos conceitos e temas debatidos a serviço da transformação revolucionária da sociedade também marcaram o espírito desse importante evento.

A abertura do Seminário se deu com a leitura de uma importante nota do GISAS Brasil para o VI Seminário Internacional sobre o Capitalismo Burocrático, elaborado pela coordenação do grupo em conjunto com intelectuais, militantes e ativistas que participam do estudo sobre o capitalismo burocrático. Apresentaremos aqui um pequeno resumo e alguns trechos deste importante documento.

O texto da nota fez uma breve exposição da situação política atual e a compreensão da motivação do trabalho intelectual e científico em torno do tema. Também saudou as delegações estrangeiras que compareceram significativamente neste evento, além das delegações do GISAS de diversas regiões do Brasil, da Amazônia ao Sertão, do campo à cidade, que comparecem ao importantíssimo Seminário.

Dedicou a realização do Seminário à companheira fundadora do Movimento Feminino Popular (MFP) e dirigente da Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo (FRDDP) Sandra Lima, destacando-a como uma das maiores intelectuais de nosso tempo no Brasil, que aportou importantes questões teóricas à revolução brasileira e formuladora da linha do MFP, baseada na GRCP e na Guerra Popular do Peru. Grande intelectual proletária que, apesar de desconhecida dos meios acadêmicos brasileiros, foi profundamente conhecida pelas massas camponesas e operárias.

Expôs que os debates se dariam sob as bases da questão central do fenômeno do imperialismo e a luta dos povos por sua libertação, o papel que cumprem todas as resistências anti-imperialistas, particularmente a resistência do povo sírio, cercado pelo fogo de dois imperialistas. E os processos mais avançados do mundo expressos nas Guerras Populares do Peru, Índia, Filipinas e Turquia, uma vez que somente lutas como essas são capazes de iluminar as lutas dos povos do mundo, particularmente no Oriente Médio.

Também frisou o papel do heróico campesinato brasileiro que em sua saga épica vem impondo importantes derrotas ao imperialismo e ao capitalismo burocrático no país e do jovem proletariado, herdeiros da tradição rebelde do operariado, finalmente livre das ilusões  economicistas do oportunismo. Saudou também a juventude combatente e as mulheres proletárias que carregam em suas costas a metade do céu.

Deixou clara a posição de classe assumida pelo GISAS afirmando que na história, na ciência e na luta de classes a neutralidade científica é uma fraude. Por isso desde sempre colocam como pressupostos para a investigação a condição de estar sempre a serviço da destruição deste sistema.

Em relação à situação política nacional e o papel dos intelectuais progressistas, destacamos alguns trechos:

“Durante a última década sustentamos no Brasil uma aguerrida luta contra as condições apologéticas do capitalismo no Brasil defendidas pelo oportunismo. Os tempos áureos do oportunismo no Brasil impactaram de maneiras distintas a intelectualidade  brasileira. Tivemos desde aqueles que aderiram abertamente ao discurso oficial proclamando suas teses pós-modernas de falsa democratização, de inclusão de minorias, de revolução de paradigmas ecológicos e sociais tão na moda nos fóruns sociais mundiais. Até os que, aparentemente de maneira crítica, denunciavam o papel supostamente imperialista exercido pelo Brasil na América e África do Sul, que são apenas devaneios reformistas que por detrás da falsa crítica ocultam seu culto ao capitalismo e ao imperialismo. Apologistas, em última instância, da semifeudalidade banhada com falso ouro de um moderno agronegócio.

A resistência ao oportunismo sempre existiu na academia embora se encontre ainda na defensiva. Como expoente deste esforço de nadar contra a corrente, destacamos o geógrafo da Universidade de São Paulo, Ariovaldo Umbelino de Oliveira, assim como um conjunto de intelectuais honestos, progressistas e democráticos que nos têm apoiado em nosso trabalho nas universidades brasileiras.

O momento atual é marcado pelo incremento da escalada fascista que há tempos denunciamos na academia. É preciso olhos para ver que essa situação não representa uma ofensiva geral dos reacionários, por trás de suas braçadas está o império que se afoga em suas próprias contradições que gera. O imperialismo e o fascismo são tigres de papel.

O petismo não é resistência ao fascismo, são social-fascistas que não se envergonham em colocarem o exército nas ruas para garantir a copa e as olimpíadas. Não se intimidaram em aprovar as leis antiterrorismo e de organização criminosa que agora são aplicadas pela gerência Temer.

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A luta de classes nunca esteve tão presente na universidade. Para nós, investigadores da sociedade, a luta de classes em suas formas mais densas e acentuadas é nosso acelerador de partículas. Foi daí que o Presidente Gonzalo confirmou a existência do Bóson de Higgs da luta proletária, ou seja, o maoísmo como terceira e superior etapa do marxismo. E Gonzalo só conseguiu esta síntese pois estava no meio de uma luta de classes mais intensa porque era produto da GRCP, porque era luta de classes em um período ainda mais complexo, no período de sua ofensiva estratégica em meio ao surgimento de uma Nova Onda da Revolução Proletária Mundial.

Nosso papel, dos intelectuais revolucionários, o papel do GISAS, é tomar parte na luta de classes de nosso país, ajudar na sustentação das descobertas teóricas cujo principal catalisador são as organizações classistas e revolucionárias, e contribuir na difusão dessas descobertas no meio intelectual brasileiro, fazendo uma corajosa e fundamentada defesa das mesmas. A bancarrota do oportunismo abriu um enorme vazio na intelectualidade no Brasil, vazio este que procuram ocupar com a narrativa vitimizadora que foram vítimas de um golpe de Estado. Temos que desmascará-los. Derrotando o fascismo e sua perspectiva mística e eclética de sociedade, estaremos derrotando por sua vez o social-fascismo, que com suas pitadas pós-modernas se tornou da mesma forma eclético e mistificador. Tomemos a ofensiva, empunhemos a bandeira da luta de classes dentro das escolas e nas universidades. Coloquemo-nos a serviço das lutas de nosso povo de maneira cada vez mais audaz e combativa”.

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