Canadá: governo decreta lei para impedir protestos

Dezenas de milhares de estudantes de Quebec em luta contra o abusivo aumento das mensalidades

Os estudantes de Quebec, em luta há três meses, continuam sua jornada de protestos contra o aumento das mensalidades do ensino superior decretado pelo governo.

Após radicalizadas manifestações, incluindo uma que deixou 106 pessoas presas e 9 feridas no início de maio, as “autoridades”, temendo os protestos “cada vez mais violentos”, decretaram uma lei que proíbe qualquer agrupamento de pessoas a menos de 50 metros das escolas.

A partir de agora, a polícia também terá que ser informada sobre a organização de qualquer protesto pelo menos oito horas antes de seu início, assim como o trajeto da passeata.

Poucas horas após a aprovação da lei, milhares de estudantes partiram para o centro de Montreal, a capital de Quebec, em repúdio a tal determinação.

Bolívia: A política do garrote se impõe aos setores populares

 Por Análise e opinião – Bolívia

Para impor-se com o “princípio de autoridade”, o governo do MAS não hesitou em reprimir as associações e os sindicatos, e, às vezes, individualmente os dirigentes ou militantes das manifestações populares. É o caso da enfermeira Leonor Boyán, que foi brutalmente espancada, interrogada e depois abandonada num hospital por policiais que a acusaram de lançar uma pedra no Vice-ministro de Governo.

As explicações do governo vieram logo: ela tinha um objeto “parecido com uma pedra”, não foi torturada, mas teria levado “golpes indiretos”. Antes de divulgar essas desculpas, o próprio viceministro Pérez, o promotor e um grupo de policiais foram interrogá-la por duas horas na sala de terapia intensiva do Hospital do Tórax, às onze e meia da noite do dia em que foi espancada.

Na semana passada, os trabalhadores da saúde, estudantes de medicina e médicos enfrentaram radicalmente a polícia, que estava armada com escudos, gases e carros blindados.

O caso da enfermeira Boyán, que foi presa pelo pessoal de inteligência da polícia, que estava infiltrado na própria mobilização e foi agredida durante várias horas, é parte de uma prática sistemática do Estado apoiada na ideia de que à polícia corresponde o uso legítimo da violência. Esse argumento reacionário sempre serviu para manter impune a polícia pela repressão que exerce em nome do Estado e da sociedade para dizer que a defende dos que causam a desordem social.

O exercício da tortura por parte da polícia foi sempre (e continua sendo) o mecanismo de “investigação” ou vingança no seu modus operandi. É um mecanismo burocratizado, ou seja, se aplica como o manual ou o abc de suas práticas cotidianas, se encontra sedimentada no mais básico e profundo do seu processo de formação. Isso não variou, apesar das centenas de cursos sobre direitos humanos que ingênuas organizações ministraram à polícia. Hoje em dia, a instância repressiva do Estado (a polícia) pode ostentar que tem escritórios de direitos humanos dentro da sua estrutura institucional, mas os espancamentos, a tortura, a morte de presos nas celas ou a repressão aberta aos manifestantes (como na marcha indígena) continua sendo sua marca registrada.

Um informe apresentado em abril desse ano pelo Instituto de Terapia e Investigação sobre Sequelas da Tortura de Estado (ITEI) apresentou denúncias de torturas certificadas por 58 pessoas presas entre 2008 e 2011. Todas as torturas foram realizadas no processo de prisão, como aconteceu com a enfermeira Boyán. Sem dúvida, é algo corriqueiro que o Ministério Público faça vista grossa quando a polícia aplica este tipo de procedimento na hora de “investigar”.

Como já é de costume, nos momentos de manifestação popular que se produzem em meio à agudização da crise social e são o reflexo da luta de classes, se pode ver com mais clareza os interesses que os atores defendem no conflito. Neste caso, o vice-ministro de Regime do Interior e o próprio Ministro de Governo minimizaram estes fatos. O Ministro, inclusive, com o desprezo que lhe é característico, se referiu ao caso da enfermeira como um tremendo show.

As autoridades que passaram pelo Estado, no caso do Ministro de Governo, colocam o uniforme da defesa e exercício da ditadura de classe e atuam a partir desse ponto. Recordemos o ministro anterior, Sacha Llorenti (ainda uma figura chave do governo de Evo Morales), que sua procedência das filas de ativistas de Direitos Humanos não o impediu de dar a sua gestão um caráter repressivo e fascista diante do movimento popular. O atual ministro Romero, com mais experiência na gestão burocrática, costuma mostrar um perfil mais técnico no manejo da gestão, mas sem dúvida conhecemos sua desonestidade, como quando disse ter provas contundentes de que manifestantes de Yapacani haviam disparado contra a polícia, quando os acusados de cometer o “crime” haviam sido presos dias antes do enfrentamento ao qual se referia o ministro. O vice-ministro Pérez, homem de confiança de Romero e ex-trotskista (segundo ele mesmo) aprendeu muito rapidamente sua tarefa de defender ao Estado (que se traduz em defender a todo custo seu aparato repressivo), negando desde o começo toda a responsabilidade da polícia, e argumentando diante da imprensa que o interrogatório da enfermeira Boyán – quando ela estava em estado grave na terapia intensiva – sem autorização médica ou judicial alguma, desde as 23h até a 1h da manhã, era um ato humanitário.

A ação estatal se justifica de todas as formas quando se trata de reprimir o movimento popular. Para acabar e destruir a luta popular, a ação do velho Estado, hoje chamado plurinacional, não se distingue em nada dos governos anteriores. Enquanto se arma com tudo contra o movimento popular, encobre e trata com luvas de seda os funcionários, como por exemplo ao atual Comandante Geral da Polícia, envolvido em um escandaloso caso de admissão irregular de cadetes na Universidade Policial, uma mostra clara de que o caráter de classe do Estado segue sendo o mesmo, apesar da demagogia “revolucionária” do governo de Evo Morales.

Shakespeare bem brasileiro no coração de Londres

Por Paulo Prudêncio

Um autêntico festival de teatro está fazendo história na cidade de Londres, capital da Inglaterra. São 37 peças do grande dramaturgo inglês Shakespeare, encenadas por grupos de 37 países diferentes. 37 idiomas diferentes traduzidos na linguagem internacional do teatro.

O grande destaque vai para a contribuição do Grupo Galpão, brasileiro, de Minas Gerais, que completa seu 30º aniversário nesse ano. O Galpão encenou, nos dias 19 e 20 de maio, o clássico Romeu e Julieta e emocionou o público inglês e também centenas de brasileiros que vivem ou estavam de passagem por Londres.

A adaptação do Grupo Galpão é uma versão bastante brasileira da tragédia Romeu e Julieta, com elementos da cultura popular brasileira e mineira, lindas canções e figurinos sertanejos. Foi estreada em 1992 e ficou em cartaz durante anos, tendo seu ápice em uma série de apresentações nesse mesmo teatro de Londres, em 2000. O Grupo Galpão foi então convidado a apresentar novamente a peça nesse festival.

O festival, “Globe to Globe”, conta com a participação de mais de 600 atores de todas as partes do mundo e grupos vindos de zonas de conflito como Afeganistão e Faixa de Gaza. Alguns deles, inclusive, chegaram a se apresentar com peças ensaiadas clandestinamente.

O “Globe to Globe” começou no dia 28 de abril a vai até o dia 13 de maio no teatro “Shakespeare’s Globe”, situado ás margens do Rio Tâmisa. Os ingressos estão a preços bastante acessíveis. O teatro, inaugurado em 1997, tem seu formato inspirado no original “Globe Theater”, projetado pelo próprio Shakespeare e que foi destruído em um incêndio acidental em junho de 1613. Mais informações sobre o festival e sobre o Grupo Galpão nos sites: http://globetoglobe.shakespearesglobe.com/ e http://www.grupogalpao.com.br/.

 

JIRAU: O conflito continua

Por Patrick Granja e Ana Lúcia Nunes / A Nova Democracia

A greve dos trabalhadores da Usina de JIRAU, em Porto Velho, acabou no dia 2 de abril. Apesar da propaganda da volta a normalidade na usina, nossa reportagem verificou in loco que a situação não é tão pacífica quanto o monopólio dos meios de comunicação e a empresa tentam mostar. Mais de dois mil trabalhadores deixaram a obra no último mês. Muitos deles foram demitidos, mas uma grande parte não suportou as condições de trabalho na usina e decidiu voltar para casa. A situação é bastante complicada para os operários que saíram de diversas partes do país iludidos com as promessas de salário na Usina de JIRAU.

Com o fim da greve, a polícia de Rondonia empreendeu uma verdadeira caçada a um grupo de trabalhadores. Mesmo sem provas, eles foram acusados pelo ministério público de atearem fogo aos alojamentos. O incêndio ocorreu no dia dois de abril, após o fim da greve. Eles estão presos no presídio urso panda, em porto velho. Segundo o advogado dos operários eles estão sofrendo maus-tratos. Até agora não foram apresentadas provas de que os operários presos estariam implicados no ato.

A greve, que ocorre pela segunda vez, foi iniciada em março de 2011.  Os trabalhadores reivindicavam melhores condicoes de trabalho, salários e assistencia ao trabalhador. Durante a greve, vários trabalhadores se mostraram descontentes com a atuação do sindicato da categoria, o Sticcero. O sindicato pediu várias vezes ao trabalhador que atendesse ao apelo das empresas e retornasse aos trabalho.

Com o fim da greve, algumas vitórias foram conquistadas, mas ainda restam várias reivindicações, como a saída da polícia da obra e melhorias no plano de saúde. Nos últimos dias, os trabalhadores que fizeram parte da comissao de negociação estavam sendo ameçados de não poderem voltar ao trabalho. Durante a permanencia da nossa reportagem em Porto Velho, alguns elementos da CUT, a Central Única dos Trabalhadores, tentaram intimidar nossa equipe numa reuniao de negociação entre os trabalhadores e a empresa.

 

Goianos realizam o 4º ‘Fora Marconi’

Polícia Militar joga spray de pimenta contra manifestantes

Com informações da página do MEPR

Na manhã do dia 19 de maio aconteceu em Goiânia mais uma manifestação exigindo a saída do gerente estadual Marconi Perilo. Com faixas e palavras de ordem, os manifestantes percorreram o centro da cidade. Os protestos ocorridos em Goiânia tiveram início após a operação ‘Monte Carlo’ da Polícia Federal. Escutas telefônicas comprovaram o envolvimento do senador Demóstenes Torres, de Marconi Perilo e outros políticos com o contraventor Carlinhos Cachoeira.

No fim do ato, a Polícia Militar, novamente, atacou os manifestantes com sprays de pimenta.

Durante as investigações, outras informações vieram a tona: secretários do estado de Goiás recebiam um salário extra de Cachoeira; coronéis da PM pagavam pela sua promoção ao cargo para o contraventor (segundo a lei, deveriam ser 28 coronéis, chegou-se até os 38); Cachoeira pagava à revista Veja pela publicação de matérias que lhe favoreciam, etc. O irmão do senador Desmóstenes, Benedito Torres, chefe do Ministério Público, também tem seu nome envolvido na investigação.

63 anos de Ibrahim Kaypakkaya

Ibrahim Kaypakkaya foi fundador do Partido Comunista da Turquia (Marxista-Leninista) (TKP/ML) e um dos mais destacados dirigentes revolucionários da história. Foi preso pelo Estado fascista turco nas montanhas Dersim e torturado até a morte em 1973. No último dia 18 de maio, organizações revolucionárias e democráticas de todo o mundo celebraram o 63º aniversário de seu nascimento. A guerra popular na Turquia, sob a direção do TKP/ML, completa 40 anos em 2012. Suas realizações vêm sendo divulgadas a cada nova edição de AND.

Jovens de Chicago protestam contra cúpula da Otan

Chicago protesta contra cúpula da OTAN
Protesto contra as agressões militares da Otan

Centenas de pessoas foram às ruas de Chicago, no USA, em protesto contra a cúpula da Otan, que se reunirá nos próximos dias 20 e 21de maio para decidir sobre o futuro da invasão do Afeganistão. Durante o protesto, 12 ativistas do movimento ‘Ocupe Chicago’ foram detidos.

O movimento, que ao longo da semana vem realizando diversas manifestações contra as agressões da Otan mundo afora, culminará com uma grande manifestação que será realizada no próximo domingo (20).

A cidade ficará sitiada para garantir a “segurança” da cúpula. Ruas e algumas estações de metrô serão fechadas.

Um manifestante, em entrevista a um veículo de comunicação local, resumiu o sentimento dos moradores de Chicago: “Estou furioso, estou simplesmente furioso por a questão de realização da cúpula da OTAN nesta cidade não ter sido resolvida de forma democrática. A decisão foi tomada exclusivamente pelas autoridades de Chicago e por pessoas de Washington, sem ter em conta a opinião das pessoas, a quem tudo isto causa inúmeros problemas. Hoje, aqui em Chicago, entendemos o que significa ser ocupado, entendemos com o que os habitantes de Bagdá, de Cabul, de Jerusalém todos os dias se deparam – com a ocupação por parte de forças estrangeiras”.