
Operários presos e enviados ao presídio Urso Branco, uma das piores masmorras do velho Estado
Por Ana Lúcia Nunes
No último dia 10 de maio, o Ministério Público de Rondônia ofereceu denúncia contra 24 operários, ex-trabalhadores da Usina de Jirau. O MPRO está acusando os trabalhadores de furto, dano, incêndio, constrangimento ilegal e ameaças relacionadas ao incêndio dos alojamentos da Usina de Jirau do dia dois de abril. Na denúncia, o Promotor de Justiça Leventi Guimarães pede a condenação de todos os trabalhadores e a manutenção da prisão preventiva.
Dos 24 denunciados, 12 se encontram presos no anexo Pandinha, do Presídio Urso Branco, em Porto Velho, desde o início de abril. Os operários foram presos na chamada “Operação Vulcano”. A Operação foi uma verdadeira caçada humana, buscando criminalizar a greve e culpar os trabalhadores pelo incêndio provocado nos alojamentos, que, segundo relatos dos operários, teria sido praticado pela própria Camargo Corrêa.
Os outros 12 operários denunciados estão em local desconhecido, mas tem mandados de prisão expedidos. Três operários já conseguiram habeas corpus e outros estão entrando com o pedido esta semana. Há ainda outro operário preso, Raimundo Braga da Cruz Souza, cujo nome não consta na denúncia, mas que no próximo dia 28 terá audiência pelo crime de “incêndio”.
Segundo relatos dos presos ao advogado Ermógenes Jacinto de Souza, defensor de alguns deles, eles foram retirados algemados dos alojamentos e hotéis onde estavam em Porto Velho e mantidos por dois dias dentro da obra, em cárcere privado, sendo levados posteriormente para o Urso Branco. Até o momento, os operários estavam dormindo no chão e não haviam recebido nenhum material de higiene e limpeza. A visita dos familiares também está sendo restringida, sendo que o operário Raimundo havia recebido apenas uma visita, na semana passada, do próprio advogado. Os operários foram colocados em celas separadas e com presos de alta periculosidade.
A irmã de Julimilson Souza chegou a visitá-lo no presídio e deu o seguinte relato:
- Julimilson estava com muito sangramento pelo nariz; levado a enfermaria do presídio Urso Branco, informaram que o único remédio que tinham era”o Mata-Tudo”, tendo ela pedido para ele não tomar esse veneno! Julimilson está muito deprimido devido a torturante situação e opressão a que está submetido. Está numa cela com outros mais de vinte presos e está com temor de morte devido à chegada de um preso de alta periculosidade.
Segundo o advogado, todos os presos apresentavam alguma doença, seja física ou psicológica, em virtude das péssimas condições carcerárias do presídio, agravadas pelo tratamento ainda pior que lhes está sendo dispensado.
As violações de direitos desses trabalhadores são tão flagrantes, que ao solicitar o habeas corpus dos presos, o advogado argumenta:
“As reclamações a que se refere foram noticiadas ao MPT, e os trabalhadores, que já vinham sendo perseguidos, em 8 de março, receberam a comunicação de que não seriam contemplados com nenhuma das reivindicações feitas, e assim, depois de vinte e seis dias de greve da qual participaram mais de dezesseis mil operários, no dia 22 do mesmo mês, os trabalhadores que levantavam a bandeira por melhores condições de trabalho, dentre eles o paciente, foram conduzidos pela polícia e presos de forma arbitrária, abusiva e ilegal.
Assim, sustentando ser injusta a prisão, porque, por trás da cruel opressão aos trabalhadores grevistas, estão os interesses econômicos da empresa Camargo Correa/GDF – Suez, envolvendo milhões e até bilhões de reais, pugna pela concessão de liminar, a fim de que seja colocado em liberdade e assim permaneça até o julgamento do writ, para o qual requer seja expedido o competente alvará de soltura”.



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