Uribe: posse com armas e ordens ianques

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Antes de ser empossado, o presidente eleito da Colômbia, Alvaro Uribe Vélez, já foi aos Estados Unidos para discutir as estratégias de seu governo, em cooperação com a administração de George W. Bush, de incrementação do Plano Colômbia.

Com uma plataforma eleitoral de combate duro à guerrilha e um discurso pontuado de conceitos neofascistas, sobre ordem e autoridade, Álvaro Uribe teve o apoio das classes dominantes da Colômbia, assim como do imperialismo norte-americano, em cujos planos belicistas para a América Latina, a Colômbia cumpre um papel de especial importância. Uribe recebeu a maioria, 52%, dos votos válidos em maio último, numa eleição que apresentou o maior índice de abstenção da história do país. Dos 31 estados da Colômbia, em oito, a abstenção superou 70% (chegando a 79% no estado de Guaviare, sul do país); em seis estados ultrapassou os 60%; em onze superou a casa dos 55%; e nos seis restantes a abstenção ficou acima de 45%. O total de votos nulos e em branco, 55%, superou o número de votos em Alvaro Uribe, que foi eleito por apenas 23% do total de eleitores. Em números absolutos o total de eleitores na Colômbia é de 24.208.150, sendo que o número de votos foi de 10.971.584. O novo presidente recebeu votos de somente 5.803.968 colombianos. O elevado índice de abstenção revela a grande insatisfação do povo colombiano e sua rejeição ao processo eleitoral.

Dentro da atual crise global, o imperialismo tem enfrentado uma grave situação em sua principal base, a América Latina, onde a crise econômica e social já transformou-se numa crise política em larga escala, que atinge todo o continente. Neste quadro, o avanço das FARC na Colômbia - que completaram 38 anos de existência no último dia 27 de maio - tem sido utilizado pelos Estados Unidos como um grande "perigo narcoguerrilheiro", para justificar seus preparativos de intervenção militar aberta na América do Sul. Peça chave dentro dos planos imperialistas, a Colômbia foi o país que mais recebeu apoio e treinamento militar por parte dos Estados Unidos, nos últimos dez anos e a eleição de Uribe, representa uma radicalização da política ianque naquele país.

Em sua visita aos Estados Unidos, na primeira quinzena de junho, Uribe percorreu um roteiro que demonstra claramente sua concordância com os planos dos Estados Unidos. Esteve com o Secretário de Estado Collin Powel, com o Secretário de Defesa Donald Rumsfeld e com Joseph Biden, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado. O périplo do presidente eleito incluiu ainda, John Walters, coordenador da política anti-drogas da Casa Branca, a Conselheira para a Segurança Nacional Condolezza Rice, e Otto Reich, representante do Departamento de Estado para a América Latina, que afirmou haver-se "iniciado uma relação excelente entre a administração do presidente Uribe e a administração Bush".

É neste quadro crítico — de crises e de acirramento das contradições no mundo e na América Latina — que Álvaro Uribe vai assumir o governo da Colômbia no próximo mês de agosto. De um lado, o povo explorado e oprimido rejeita as soluções institucionais e segue em luta; de outro, o imperialismo norte-americano prepara-se para tomar medidas mais ofensivas, na tentativa de manter sua hegemonia.

A promessa de campanha de Alvaro Uribe, de mobilizar um milhão de colombianos para colaborar com a força pública, recebendo treinamento militar para combater a guerrilha, nos moldes das cooperativas Convivir, criadas durante o seu governo no estado de Antióquia (leia-se grupos para-militares responsáveis por dezenas de massacres de civis na Colômbia), atende exatamente à política de Bush.

O anúncio de diálogo com os grupos rebeldes, feito por Uribe não passa de "jogo de cena", para compor com a opinião pública interna e externa, dando ares de democracia a seu governo.

Sua pretensão de fortalecer o Estado colombiano, cuja essência de classe está ligada à grande burguesia e aos latifundiários, dificilmente será concretizada diante de uma taxa de desemprego acima de 15%; do aumento crescente da pobreza e da miséria; e da determinação de um povo com longa experiência de luta e sem qualquer ilusão neste velho e podre poder.

 

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