Luta pela terra

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"Não adianta, o povo vai tomar a Beirada!"

Nota publicada pela Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Bahia denunciou uma nova jogada do latifúndio em Manga: a suposta "venda" do latifúndio Beirada.

A Beirada foi palco de um covarde ataque de pistoleiros em 23 de novembro do ano passado [ver AND nº 100] e tem vasto histórico de ataques do latifúndio contra os camponeses, de terras paradas, sem produzir, de dívidas milionárias de latifundiários e do arrendatário Rogério Cabral Henrique com bancos, de exploração de trabalho escravo...

Atualmente, a Beirada é alvo de uma disputa entre bandos que se uniram temporariamente para tentar amedrontar o povo com pistoleiros armados e impedir que os camponeses tomassem as terras do latifúndio.

Em sua nota, a LCP questiona: "Quem iria, do dia para noite, comprar uma fazenda com milhões em dívidas com bancos, agiotas e o governo, milhões em multas por trabalho escravo e crimes contra o meio ambiente? Toda a cidade sabe que só em contas de energia somam vários milhões e que há um impedimento judicial para utilizar a água da lagoa para irrigação. Toda a cidade sabe que os bandidos que estão enfurnados na fazenda já roubaram praticamente todo o patrimônio: painéis e motores dos pivôs, maquinários agrícolas e muita madeira.

"novo dono" vai "produzir na fazenda e trazer emprego" não enganam ninguém. Todo latifundiário que chegou na Beirada veio com a mesma conversa".

E assim os camponeses concluem sua nota:

"Não tem jeito, a Beirada é nossa!!!

De nada adiantará mentiras e ameaças ! As famílias que ocuparam a Beirada em novembro do ano passado deram o passo decisivo e logo voltarão para essas terras que são suas por direito! Camponeses pobres de todos povoados, assentamentos e acampamentos que tem seus filhos precisando de terra para trabalhar, tá na hora! O povo pobre da região que precisa do seu pedaço de terra tem direito na Beirada!"


Massacre de Felisburgo

Punição para Adriano Chafik

Assessoria de comunicação da LCP

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Camponeses protestam e exigem punição de Adriano Chafik

No dia 20 de novembro de 2004, exatos oito anos e seis meses, ocorria um covarde ataque de pistoleiros contra o acampamento Terra Prometida, área tomada do latifúndio Nova Alegria por camponeses organizados pelo MST no município de Felisburgo, Vale do Jequitinhonha.

Um bando de pistoleiros, liderado pelo latifundiário e dito proprietário da fazenda, o grileiro Adriano Chafik Luedy, assassinou a tiros os camponeses Iraguiar Ferreira da Silva, 23, Miguel José dos Santos, 56, Francisco Nascimento Rocha, 62, Juvenal Jorge da Silva e Joaquim José dos Santos, ambos de 65 e deixaram outras 18 pessoas feridas entre homens, mulheres e crianças. Durante o ataque foram disparados vários tiros em direção a 90 das 120 famílias acampadas naquela área desde 2002. Os pistoleiros incendiaram 27 barracos, inclusive a escola do acampamento.

O grileiro e mandante dos assassinatos, Adriano Chafik, iria a julgamento no dia 15/05/2013, porém às vésperas, o julgamento foi suspenso com a alegação de que mais testemunhas de defesa tinham de ser ouvidas. Note-se que o tribunal de justiça de Minas Gerais, teve oito anos para ouvir testemunhas e analisar o processo, este mesmo tribunal que é um dos recordistas em concessões de reintegrações de posse em favor de latifundiários. Atualmente existem mais de 50 mandados de reintegração de posse em andamento no estado.

O procurador de Justiça Afonso Henrique de Miranda, que coordena o Centro de Apoio das Promotorias de Conflitos Agrários do MP-MG, afirmou que "o processo está maduro para ser julgado" e que as provas de que dispõe "são muito contundentes e consistentes no sentido da condenação" de Chafik.

No dia 14, camponeses e organizações populares realizaram uma manifestação exigindo a punição de Adriano Chafik. Um representante da LCP esteve na manifestação e prestou solidariedade aos camponeses. O novo julgamento ainda não tem data marcada e os movimentos populares prometem manifestações e mobilizações, o latifundiário assassino Chafik seja condenado.

Agrava-se o conflito agrário

De acordo com o relatório Conflitos no Campo de 2012, organizado pela Comissão Pastoral da Terra, na Amazônia se registraram 489 dos 1067 conflitos no campo, o que corresponde a 45,8%, e é a região em que se concentram 97% das áreas envolvidas nestes conflitos. Também é na Amazônia que se concentram 58,3% dos assassinatos de camponeses (21 de 36), 84,4% das tentativas de assassinato (65 de 77); 77,4% dos ameaçados de morte (229 de 296); 62,6% dos presos (62 de 99) e 63,6% dos agredidos (56 de 88).

Rondônia é o estado onde mais camponeses foram assassinados por policiais ou bandos de pistoleiros: nove.

"Apenas o homicídio de José Barbosa da Silva, no dia 15 de maio de 2012 na rodoviária de Seringueiras, foi apurado e preso o suposto autor das mortes, o pistoleiro Martimar Pereira Miranda, o Tim. Na maioria dos outros homicídios tanto os autores como os mandantes continuam na maior impunidade. A impunidade ainda é mais grave no homicídio de Renato Nathan Gonçalves Pereira, assassinado em Jacinópolis, nas proximidades de Buritis, onde existem suspeitas de envolvimento de policiais na morte, que não estão sendo apuradas até agora". [fonte: CPT de Rondônia]

Camponeses retomam terra e sofrem ameaça

No dia 5 de maio, cerca de 100 famílias organizadas pelo MST reocuparam o latifúndio Amargoso, no município de Bom Conselho, região do Vale do Moxotó, em Pernambuco. A fazenda pertencia ao latifundiário Sebastião Alexandre Soares, conhecido como Sebastião do Café, falecido em 2011, e atualmente pertence a seu filho Sebastião Junior.

Esse latifúndio já tinha sido ocupado em abril do ano passado por 250 famílias que foram despejadas 40 dias depois.

Ao retomarem a terra, em cinco de maio, as famílias foram surpreendidas por quatro pistoleiros fortemente armados que fizeram ameaças. Apesar das ameaças, as famílias afirmaram que não deixarão o local.

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É dia de Feira da Revolução Agrária!

Com informações da LCP do Nordeste

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A pequena feira do povoado de Porto da Rua, pertencente ao município de São Miguel dos Milagres-AL, recebeu no dia 27 de abril, camponeses vindos de várias localidades da região Nordeste com seus produtos para propagandear o trabalho e organização da Revolução Agrária e de sua feira, a Feira da Revolução Agrária.

Durante a feira, os camponeses denunciaram que "os poderosos do Litoral Norte de Alagoas tramam para destruir a Vila dos Cabanos do Porto". Segundo os camponeses, o ex-prefeito de São Miguel dos Milagres, Eraldino ou Dino, se arrogou dono da área, e ameaça as cerca de 70 famílias que lá vivem há mais de cinco anos.

Os camponeses explicaram à população que em Cabanos do Porto, o povo organizou o Corte Popular, que foi celebrado com uma grande festa, que lá o povo se organiza e decide tudo o que lhe diz respeito nas Assembleias Populares e que o próprio povo está empreendendo a construção da Escola Popular e o projeto de abastecimento de água para todas as casas da área.

"A Feira da Revolução Agrária agitou a cidade, além da venda de produtos frescos - macaxeira, quiabo, alface, coentro, cebolinha, romã, abobora, feijão, banana, maracujá, milho - trazidos por companheiros das áreas de Zé Ricardo/Pernambuco e Renato Nathan/Alagoas, a atividade também contou com intervenções dos companheiros e panfletagem".

Em uma Assembleia Popular, os camponeses decidiram destinar a renda da Feira para a compra de materiais para canalizar a água da fonte até a área Cabanos do Porto.

 

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