Irmãos na falência

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Na outra sexta-feira, o leitor Jorge Aceiro* pediu que postássemos algo sobre o ataque da polícia contra os professores e seu direito de greve e reunião. Pois bem, passo hoje, finalmente, a fazer isso.

Bom, segundo os relatos que me são mais confiáveis, o de vários amigos presentes à assembleia dos professores no vão do MASP, e segundo alguns que geralmente trato com mais ceticismo, os que saíram nos veículos da chamada grande imprensa (e quem já participou ao vivo de um ato sabe como o que o jornalismo relata às vezes fica muito longe da realidade), a faísca que acendeu o rastilho de pólvora foi o fato de a presidente da Apeoesp, Bebel, ter ignorado a vontade do plenário e decretado o fim da greve, apesar da vitória da proposta de continuidade da mobilização. A polícia foi empregada para impedir que o conjunto dos frustrados manifestantes se aproximassem do caminhão de som e denunciasse no microfone a manobra da direção do sindicato.

Passadas algumas semanas, o que continua me chamando a atenção é o núcleo que une tanto a atuação da diretoria da Apeoesp quanto as ações da PM: esse núcleo é a falência.

Já faz um tempo que a realidade denuncia constantemente a falência do nosso modelo de polícia e de segurança pública. O ano de 2012 na cidade de São Paulo encerrou-se sob a aposta de quando seria o primeiro massacre de 2013. Nas periferias, é esculacho do policial fardado durante o dia, e sorte se sobreviver aos tiros daquele motoqueiro que entra pra matar, as câmeras de segurança demonstram que ele tem treinamento com arma, sabe o que a perícia procura, e por isso recolhe as cápsulas, e não raro há um carro da polícia dando apoio ou se fazendo de distraído próximo ao lugar da ação. No Mato Grosso, policiais militares agrediram e detiveram estudantes que protestavam, e depois agrediram e prenderam os advogados desses estudantes. No Rio de Janeiro, são cada vez mais recorrentes os relatos de policiais das UPPs entrando nas casas dos moradores ilegalmente, revirando tudo, humilhando os presentes. E, recentemente, vimos uma ação altamente ilegal da Polícia Civil, em que armas de exclusividade do exército foram usadas, houve execução sumária, corpos foram movidos e a cena do crime alterada. Essa lista, longe de ser exaustiva, demonstra que o problema não apenas não se restringe a uma das corporações, como também nos diz que o questionamento ao caráter militar que os alunos da USP levantaram em 2011, apesar de parecer radical, era muito mais tímido do que a realidade exige.

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