Luta de classes e poesia nos muros de BH

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Pixação em muro de BH : "Poder ao povo!!".

Dentro de um ônibus coletivo, numa manhã de inverno qualquer, quarta-feira, seguindo da região central de Belo Horizonte, rumo ao campus da UFMG, sentido Avenida Antônio Carlos, imagens intensas e chocantes, carregadas de poesia, invadiram e ocuparam meus pensamentos.

Não tem nada a ver com o mar de miseráveis zumbis viciados em crack que inundam as ruas nem, muito menos, com a sofisticada arquitetura do novo Complexo da Lagoinha. É algo bem mais simples, aparentemente, insignificante e sem importância.

Dezenas de frases escritas com pincéis e/ou spray e letras mal traçadas em preto e vermelho pelos muros e viadutos: "Fora Fifa!", "Não vai ter Copa!", "PM Covarde", "Cadeia para os torturadores", "Viva a Revolução Agrária", "Passe-Livre Já!", etc.

A cada frase uma cena vinha à tona e, rapidamente, um filme se formou em minha cabeça. Foi como se as milhares de massas que manifestavam durante a Copa das Confederações ainda estivessem ali, com suas bandeiras e palavras de ordem.

Podia até ver os jovens com rostos cobertos atirando pedras na polícia e erguendo barricadas. Douglas Henrique e Luiz Felipe sendo derrubados do viaduto e os manifestantes enfurecidos, aos prantos; as caras de terror dos policiais militares e a cara de decepção dos eleitoreiros vendo o povo seguir, destemida e heroicamente, sempre adiante.

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Poucos minutos antes, lia a morna e mentirosa notícia de mais um recorde no "Índice de Desenvolvimento Humano" do país, números e mais números, frases e mais frases, rios de tinta que não dizem nada sobre a realidade e que afirmam comprovar tudo.

Quantos se gabam, com ares de grandes jornalistas, enchem a boca para falar em nome das massas, mas nunca estiveram sequer próximos do significado daquelas garatujas rabiscadas nos muros, pejorativamente chamadas de pichação e vandalismo.

Todo o monopólio da imprensa, controlado por meia dúzia de bilionárias famílias, jamais poderá apagar a paixão despertada por aquelas singelas palavras, escritas com o suor de tantos rostos e o sangue daqueles dois jovens que deram suas vidas para que ficasse marcado na história que o povo de BH não se rendeu à máfia da Fifa/PT/Pecedobê e sua matilha.

Os muros são os diários da revolução escritos pelas próprias massas. Os versos de rebeldia dos que nunca tiveram e nunca terão voz enquanto perdurar este sistema capitalista podre. Os muros são os legítimos jornais do povo!

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