"Paralisação Nacional" dia 30 de agosto é farsa

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1º de Maio classista em 2011, em São Paulo, conclamou uma verdadeira greve geral.

Em meio às massivas manifestações de protesto popular que sacudiram o país no mês de junho passado, as cúpulas das centrais sindicais tiveram audiência com a presidente Dilma Rousseff (dia 26/6). A audiência ocorreu em um momento que o governo enfrentava grande desgaste devido ao turbilhão de manifestações. Aturdida pela onda de protestos, para dissimular que não era o alvo das manifestações e tentar resgatar credibilidade eleitoral, Dilma realizou, nesse mesmo período, reunião com governadores e prefeitos (dia 24/6), e propôs cinco pactos ("plebiscito, responsabilidade fiscal, pela saúde, criação de Conselho Nacional de Transporte Público, pela educação pública").

As centrais sindicais, obedecendo a orientação do governo de criar fato político, pactuaram então a chamada "Greve geral do dia 11 de julho". Fizeram acerto prévio de que sairiam às ruas, mas, sem falar mal da presidente e levantariam uma pauta de reivindicações que colocava as negociações com o governo no centro.  A manobra para dar protagonismo às centrais e auxiliar o governo se revelou um grande fiasco. Não houve greve geral coisa nenhuma, o número de participantes das mobilizações foi pequeno e choveram denúncias de pagamento de pessoas para carregar bandeiras, faixas, balões, etc.

Agora, as centrais sindicais falam de nova "Mobilização Nacional dia 30 de agosto", ou seja, um novo engodo. Um novo engodo cujo objetivo não revelado é a reeleição de Dilma, a manutenção da pelegada nos cargos do governo e do parlamento, a manutenção das verbas do Imposto Sindical para os cofres das centrais e a continuidade da bandalheira dos banqueiros, grandes empresários e latifundiários.

Não me engana, que eu não gosto

O passado de traições das centrais sindicais as condena. As centrais sindicais e os partidos políticos eleitoreiros a que são vinculadas apoiam o governo oportunista do PT, Pecedobê e frente eleitoreira, desde a posse de Lula, em 2003. Apoiaram a eleição de Dilma e seguem tentando incutir esperanças falsas aos trabalhadores no governo e no farsante processo eleitoral. Elementos egressos do meio sindical ocupam altos cargos no governo e no parlamento desde o início do gerenciamento petista, sendo que mais de 3 mil cargos no governo e empresas públicas são ocupados por ex-sindicalistas.

O engodo do próximo dia 30 de agosto é evidente, e alguns não têm nem vergonha de divulgar em seus panfletos: "Vamos parar o Brasil no dia 30 de agosto: para construir um país a serviço dos trabalhadores e trabalhadoras!". Divulgam isso em público, mas nos bastidores integram reuniões de gabinete com Renan Calheiros, Dilma Rousseff e outras "autoridades". Em público, as cúpulas das centrais falam em mudar o país, mas, nos bastidores, firmam acertos prévios, conforme confessou à imprensa o presidente da CUT, Vagner Freitas, ao revelar acordo para não transformar os atos do dia 11 de julho em um movimento "Fora, Dilma" ou "Fica, Dilma".

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Pelegos confabulam e conciliam com Dilma e seguem as ordens do governo que os financia.

E novamente, tentando mostrar protagonismo e de olho nos holofotes da imprensa, as centrais oportunistas e governistas convocam o "dia nacional de paralisação ou dia de mobilização" para "pedir" ao governo opressor, antipovo e antioperário de Dilma "melhoria no transporte coletivo", "10% do PIB para a educação pública", "10% do orçamento para a saúde pública", "Fim dos leilões das reservas de petróleo", "Fim do fator previdenciário e aumento do valor das aposentadorias", "Redução da jornada de trabalho"; "contra o PL 4330", "Reforma agrária". 

A direção executiva da CUT, em reunião ampliada nos dias 23 e 24 de julho, em São Paulo, instigada pela onda de protestos, tenta se adequar ao que chama de "exigência de melhoria das política públicas (transporte, saúde e educação)", porém omitindo que tais políticas são da responsabilidade do governo que integram há dez anos. Buscando aliviar a barra do governo e insistindo em apoiar o falacioso "projeto de desenvolvimento democrático-popular", passam a propugnar por "plebiscito sobre a reforma política, a democratização da mídia, a reforma tributária, a promoção do Estado laico".

Esse é o centro da chamada "Pauta da Classe Trabalhadora" organizada pela CUT e demais centrais sindicais, com vistas a continuar a manter seus rendosos cargos no governo, as vagas de políticos no legislativo, as vultosas verbas do Imposto Sindical e demais instrumentos usados para cevar essa malta de pelegos enganadores.

Na verdade, as centrais não centram no enfrentamento dos problemas sofridos pelos trabalhadores, não atacam o governo de turno completamente a serviço dos capitalistas e latifundiários. Não fazem uma resistência séria ao violento arrocho salarial praticado no país, o salário mínimo de fome, o drama dos aposentados, os cortes de direitos previdenciários, o trabalho escravo imposto a largas parcelas dos trabalhadores, etc. e etc.. O que as centrais fazem é arranhar uma pauta demagógica para mostrar serviço ao governo e propiciar mais algumas verbas para os seus cofres.

Organizar uma greve geral de verdade

Para lutar contra as medidas de arrocho e de cortes de direitos que golpe a golpe o governo e a patronal aplicam nos trabalhadores e também para protestar contra as antioperárias "reformas" trabalhista e previdenciária, cuja execução está em marcha, a Liga Operária propõe a unidade de ação dos setores combativos e independentes. Propomos condensar essa ação unitária em 4 pontos:

1 Realização de ampla campanha de denúncia e esclarecimento sobre o conteúdo lesivo aos trabalhadores das medidas implementadas pelo governo, suas "reformas", bem como de toda a política imperialista no País, na América Latina e no mundo.

2 Definição da greve geral como instrumento mais eficiente capaz de unir todos trabalhadores e barrar os cortes de direitos, as "reformas"; e adotar um plano para sua construção através de iniciativas que ligue o seu apelo e propaganda às ações específicas locais e regionais, tais como campanhas salariais, atos e manifestações de protestos, cortes de rodovias e ocupação de órgãos públicos.

3 Integrar a todas as atividades a propaganda e divulgação da luta pela terra e apoiar materialmente o movimento de luta no campo.

4 Atitude de nenhuma negociação e nenhum compromisso com o governo.

É só através da luta classista e combativa que os trabalhadores vão arrancar seus direitos. É só com luta e não através da conciliação com os governantes e políticos corruptos de turno. É através da mobilização das massas, do trabalho de base, do esclarecimento e não através de conversa fiada e promessas. É preciso também apontar que as eleições burguesas são uma farsa, um teatro de hipocrisia movido a muito dinheiro, e que é preciso que a classe operária conquiste o Poder, uma nova e verdadeira democracia ininterrupta ao socialismo, uma sociedade de justiça, sem exploração do homem pelo homem.

Fora com a enganação do dia 30 de agosto!

Organizar uma greve geral de verdade!

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