Adiamento expõe mais a submissão de Dilma

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A divulgação da espionagem realizada pela agência de segurança nacional do USA no Brasil recebeu, inicialmente, uma burocrática indignação por parte da presidente do país. Diante da grande repercussão, de verdadeira indignação dos brasileiros, depois que a Globo apresentou as duas denúncias de espionagem do gabinete presidencial e do da Petrobras, Dilma acenou com a possibilidade de cancelamento da visita de Estado que faria àquele país. Retrocedeu, entretanto, diante das pressões de Obama e seus funcionários para convencer a gerente da semicolônia de que as coisas são assim mesmo e que é melhor se conformar, pois o USA não vai mudar a sua conduta. O que seria um cancelamento da visita, de repente, mudou para um "adiamento combinado entre os dois presidentes".

Cena de submissão explícita

Por mais que os serviços de informação do velho Estado estejam voltados para bisbilhotar o povo em luta, é inadmissível que o gerenciamento não soubesse da espionagem não só da agência de segurança ianque como da CIA, do Mossad (Israel), do MI6 (Inglaterra) e outros serviços secretos. O que deixou mal os oportunistas, ora ocupantes do gerenciamento de turno, foi a publicação das informações de posse de Edward Snowden e a possibilidade de que outras revelações ainda pudessem vir a público.

Como já era de se esperar, não foi a agressão ianque o que mais incomodou o gerenciamento petista e sim o provável constrangimento que Dilma Rousseff enfrentaria diante da possibilidade dela estar em plena confraternização no baile da Casa Branca enquanto, no Brasil, estarem saindo mais informações sobre a espionagem. Isto por certo pegaria muito mal, eleitoralmente, segundo o seu marqueteiro.

Por outro lado, dando prosseguimento ao jogo de faz-de-conta, Obama, para não sofrer mais um desgaste internacional em seu já minguado prestígio, armou a saída de um adiamento em comum acordo entre os dois países, o que foi prontamente aceito pelo gerenciamento da semicolônia.

O Itamarati, também conhecido como palácio da hipocrisia, durante todo processo, além das ações atabalhoadas frente à invasão de sua sede e da fuga do senador boliviano da embaixada na Bolívia para o Brasil, manteve-se dentro do velho padrão da cultura de submissão ao imperialismo na qual o que mais importa, numa situação desse quilate, é conseguir uma boa desculpa para que os ianques saiam bem na foto. Atitudes altivas e soberanas não constam de seu cardápio.

Na tentativa de agradar a gregos e troianos, a secretaria de imprensa do Planalto divulgou uma nota, provavelmente soprada por Susan Rice, conselheira de segurança nacional do USA, na qual fica confirmado o conchavo: "Tendo em conta a proximidade da programada visita de Estado a Washington – e na ausência de tempestiva apuração do ocorrido, com as correspondentes explicações e o compromisso de cessar as atividades de interceptação – não estão dadas as condições para a realização da visita na data anteriormente acordada. Dessa forma, os dois presidentes decidiram adiar a visita de Estado, pois os resultados desta visita não devem ficar condicionados a um tema cuja solução satisfatória para o Brasil ainda não foi alcançada".

Ainda sobre a nota é importante destacar a afirmação de que "Nossas relações compreendem a cooperação em áreas tão diversas como ciência e tecnologia, educação, energia, comércio e finanças, envolvendo governos, empresas e cidadãos dos dois países´". Ora, se para os ianques a frase tem gosto de mamão com açúcar, para os brasileiros é puro engodo, já que em nenhuma destas áreas a relação é de cooperação e sim de completa espoliação, como só acontece nas relações do imperialismo com as colônias e semicolônias.

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A Petrobras dorme com o inimigo

O Congresso Nacional logo instalou a CPI da espionagem como que para estar em sintonia com os clamores das ruas. O resultado, antecipadamente, todos conhecemos: nada. Mas, dentro de suas contumazes encenações, convidou para depor a Agência Nacional de Petróleo e a Petrobras, ambas, apesar de todo esforço para demonstrar a segurança das informações sobre o petróleo nacional, não conseguiram desfazer as evidências de que a Petrobras dorme com o inimigo, senão vejamos:

A diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, garantiu que não é possível uma espionagem no banco de dados de exploração e produção de petróleo. Durante audiência pública no Senado Federal, ela disse que o banco não é ligado à internet. Além disso, argumentou que ele funciona em um prédio diferente do escritório central da ANP e até quis fazer graça sobre a necessidade de poderes paranormais para roubar dados da ANP. Por outro lado, a presidente da Petrobras, Graça Foster, na mesma CPI afirmou, com uma ingenuidade digna dos anjos, que os circuitos integrados da Petrobras são alugados da Oi, e de outras concessionárias públicas de telecomunicações americanas, italianas, espanholas, francesas e mexicanas. E, o que é pior, também acrescentou que três empresas americanas, entre elas a Cisco, fornecem soluções de criptografia. Típico exemplo de como colocar a raposa para tomar conta do galinheiro, a senhora presidente da Petrobras assegura que essa turma é toda gente boa, vejam só.

Estas senhoras têm o desplante de falar em segurança do petróleo nacional em depoimentos de fazer rir aos que tem um mínimo de conhecimento sobre as relações, das empresas citadas, com o seguimento de informação do imperialismo. Será que elas acham que nos esquecemos do roubo dos dados referente ao campo de Júpiter na bacia de Santos?

Só para lembrar indicamos aqui o artigo publicado em cinco de março de 2008, no sítio resistir.info/brasil/roubo_petrobras.html,‎ "Petrobras confia sua informação aos piratas da Halliburton", de autoria de Juan Luis Berterretche.

O autor denuncia que os dados sobre a descoberta de uma gigantesca reserva de gás próxima ao mega-campo de Tupi na bacia de Santos, simplesmente foram roubados numa operação de transporte de conteiners sob a responsabilidade da Halliburton, empresa americana de propriedade de Dick Cheney, ex-vice presidente de Bush filho e conhecido escroque internacional. No mesmo artigo o autor traça o perfil do embusteiro. O roubo constou de laptops, discos rígidos, um computador, pentes de memória, gravador de CD e impressora, todo este material com informações técnicas sobre a nova descoberta. A denúncia é corroborada pelo engenheiro Fernando Siqueira, dirigente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) cuja declaração consta do artigo no qual afirma que o "roubo é reincidente, porque sabemos há um ano e meio vem sendo roubados laptops na casa dos técnicos envolvidos com a bacia de Santos. Houve assalto na casa de dois engenheiros e um geólogo de onde só levaram os laptops". Sobre isto a polícia federal não tem nenhum resultado a nos apresentar. Como então se pode falar de segurança das informações sobre o pré-sal se os dados da Petrobras são roubados à luz do dia?

Dessa mata não sai coelho

Na oportunidade de seu discurso de abertura na assembleia geral da ONU, Dilma referiu-se ao episódio afirmando que o USA havia violado a soberania do Brasil e os direitos humanos de seus cidadãos, limitando-se, ademais de óbvia e submissa constatação, a propor que a ONU estabeleça novos marcos regulatórios para o uso da internet. Aproveitou ainda da oportunidade para dar vazão à sua já costumeira desfaçatez, chegando ao descaramento de cometer a afirmação de que seu governo "não reprimiu" os protestos revoltosos de junho/julho passados, pois que seu governo teria "surgido também das ruas".  

Na edição anterior do AND já reclamávamos da urgência do país romper relações com o USA, diante de tamanha agressão ao nosso povo. Não temos, entretanto, a menor ilusão de que isso possa ser feito nos marcos do gerenciamento do oportunismo petista. Atitude deste porte só se pode esperar de um Estado efetivamente soberano e independente, o qual por sua vez, só pode surgir de massivo processo revolucionário. E este é o grande desafio que está posto para o povo brasileiro.

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