2013: USA ampliou guerra civil em nome de um "Novo Oriente Médio"

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Rua completamente destruída por confrontos entre "rebeldes" e o exército sírio.

Em 2013, os esforços dos países imperialistas para preservar e ampliar as áreas de influência dos seus monopólios no âmbito do processo de repartilha do mundo levou o caos, a guerra e a barbárie especialmente a duas nações estratégicas para os interesses das potências capitalistas – e das nações aspirantes a tal – na região do Norte da África e Oriente Médio, nomeadamente a Síria e o Egito.

Ainda em fevereiro deste ano AND alertava para o fato de que o USA e a Rússia rufavam os tambores da guerra na Síria, em um cenário no qual o imperialismo russo, com manobras militares de grande porte no Mediterrâneo e no Mar Negro – os maiores exercícios da marinha de guerra russa em anos –, sinalizava que não estava disposto a abrir mão da sua condição de principal “parceiro” do grupo de poder de Bashar Al-Assad.

Ante a iminência de uma agressão do USA, uma certa “esquerda”, inclusive brasileira, chegou a encampar – e ainda encampa – o demagogo discurso antiimperialista de Assad, como se o “líder sírio” de fato representasse uma liderança de resistência do seu povo à subjugação estrangeira. Na prática, esses oportunistas são adeptos da “teoria da subjugação nacional”, segundo a qual o povo, o no caso o povo sírio, seria incapaz de lutar pela construção de uma verdadeira independência nacional, devendo, portanto, aceitar a “influência” (na prática, a subjugação) de uma potência estrangeira.

Àquela altura, a dos primeiros meses de 2013, a Síria já estava mergulhada em uma brutal guerra civil, em razão desta ferrenha disputa entre russos querendo manter seu posto de “sócio” primordial de Assad e sua camarilha, de um lado, e os ianques querendo emplacar no gerenciamento do Estado sírio um outro grupo de poder, a “oposição”, com quem já tem acertada a troca da Rússia pelo USA em se tratando da potência protagonista da subjugação daquele povo. Tudo isso com o pano de fundo da espontânea rebelião popular que eclodira em março de 2011 contra o regime fascista de Assad.

Povo do Egito contra o imperialismo e o oportunismo

Assim se anunciava que 2013 seria um ano em que o imperialismo ianque ora chefiado pelo Nobel da Paz, Barack Obama, não mediria esforços para fomentar a guerra civil em nome de um “Novo Oriente Médio”, ou seja, um Oriente Médio sob a influência total do USA, subjugado inteiramente aos interesses dos monopólios ianques e manejado ao bel prazer das estratégias do maior país imperialista do planeta, sem a interferência de blocos de poder rivais no processo de partilha e repartilha do mundo, e ao mesmo tempo articulando para suplantar as resistências populares armadas dos povos do Norte da África e do Oriente Médio a toda esta trama de perpétua opressão.

Neste cenário, e ao mesmo tempo que a Síria ingressava em uma guerra civil de grandes e dramáticas proporções, o Egito voltava a ser palco de agigantados e radicalizados protestos populares, no fim de janeiro e início de fevereiro de 2013, por ocasião do segundo aniversário da insurreição popular que culminou na deposição de Hosni Mubarak, em 2011. O povo egípcio voltava a ocupar as ruas massivamente, desta vez motivados pela insatisfação com as condições gerais de vida, contra a carestia e a repressão mantidas pelo gerenciamento “civil” da Irmandade Muçulmana, igualmente servil ao imperialismo, que sucedeu Mubarak e o gerenciamento de “transição” da Junta Militar, em uma clara demonstração da consciência das massas de que sua justa e corajosa rebelião fora cavalgada por forças antipovo em um conluio de rearranjo e conformação das forças reacionárias daquela nação que apenas intentou dar uma face mais “democrática” – bem ao estilo da doutrina do “Novo Oriente Médio” – à administração do capitalismo burocrático egípcio.

Naquela altura, entretanto, mais uma vez ficava latente a necessidade de uma liderança consequente e de um programa revolucionário que tornassem possível a derrubada das velhas estruturas reacionárias do Egito – que têm no exército do país a sua espinha dorsal – e a construção de uma democracia verdadeiramente popular, anseio último dos levantes populares que têm sacudido aquela nação, a fim de que o imperialismo e o oportunismo – e, claro, as forças armadas – não pudessem levar a cabo novos capítulos da série de conformações para perpetuar o capitalismo burocrático local, como ainda em 2013 viria a acontecer.

Invasão do Mali, guerra civil na Líbia...

A invasão e ocupação, em fevereiro de 2013, do Mali, país do Norte da África, pelas tropas da França, foi mais um capítulo escrito no ano de 2013 dos esforços imperialistas de partilha e repartilha do mundo, neste caso particular a fim de conter a crescente influência da China naquela região e dando início ao que parece ser uma grande campanha militar de recolonização da antiga África ocidental francesa, com a ingerência bélica tendendo a transbordar para a Argélia.

Com a desculpa, a de sempre, de lutar contra “radicais islâmicos”, com direito a Hillary Clinton, secretária de Estado ianque, falando sobre a necessidade de impedir que o norte do Mali se tornasse um “porto seguro” de “terroristas”, a França, antiga metrópole do Mali à época da África colonizada diretamente. Agora, os esforços de recolonização são levados a cabo sob a batuta do “socialista” François Hollande, “presidente” do imperialismo francês.

Enquanto as tropas francesas ainda desembarcavam no Mali, a invasão e ocupação do Iraque pelo imperialismo fazia 10 anos, completados no dia 20 de março de 2013. À altura daquele décimo aniversário da chegada da “liberdade” e da “democracia” ao Iraque pela via da artilharia de Bush, as estimativas davam conta de meio milhão de iraquianos assassinados.

Dados oficiais, do tipo que costumam ser mascarados para baixo, davam conta de que na altura do décimo aniversário da invasão do Iraque pelo imperialismo havia no país cerca de 4,5 milhões de crianças órfãs, sendo que 70% delas perderam seus pais por causa da agressão estrangeira, e que seiscentas mil crianças iraquianas viviam nas ruas, passando fome.

Na Líbia, e no que tange à corrida imperialista, as contradições tendem a se acirrar em 2014 tendo em vista que o ano de 2013 foi marcado por sinais de aproximação entre Moscou e Trípoli para a reativação dos “acordos” militares vigentes à época de Khadafi, o que deixa os ianques nervosos, tendo em vista que foi o USA o responsável por colocar no poder o “governo” de mercenários que ora gerencia aquela nação.

Sob este cenário, em outubro de 2013, o USA tratou de promover uma demonstração de quem manda naquele terreiro com uma operação realizada na capital líbia na qual militares ianques sequestraram um cidadão líbio acusado de ser um líder da Al-Qaeda.

Voltando à Síria e ao Egito

Em meados de maio a contagem dos mortos em função da guerra civil atiçada pelo imperialismo na Síria já se aproximava de 100 mil. No fim de agosto correram o mundo imagens estarrecedoras de uma carnificina no país que teria deixado cerca de 1.500 mortos em apenas um ataque com armas químicas que teria sido levado a cabo pelas forças de Bashar Al-Assad contra o exército mercenário armado pelo USA que se auto-intitula “Exército Livre da Síria”, mas sob fortes suspeitas de que a atrocidade pudesse ter sido uma artimanha do imperialismo ianque, talvez levada a cabo pelo exército de Israel, useiro e vezeiro deste tipo de estratagema, a fim de justificar uma ação militar de maior envergadura no país.

Em outubro, o impasse entre os interesses do imperialismo russo e os desejos do imperialismo ianque na Síria produziu um pacto entre Rússia e USA para adiar o ataque ao país, ante um “acordo” para a destruição de armas químicas em poder de Bashar Al-Assad, o que obviamente não irá dirimir as contradições imperialistas naquela nação.

Analistas indicavam que o pacto entre Rússia e USA poderia representar a possibilidade de uma repartilha do butim, em cenário que se configuraria com mais presença do imperialismo ianque na Síria e, em contrapartida, garantia de compra em massa de mais armamentos para o exército sírio junto aos famigeradores “empresários” e senhores da guerra apadrinhados por Moscou. Enquanto as potências negociam e fomentam a barbárie, no início de dezembro de 2013 o número de mortos da guerra civil síria já passava de 125 mil.

No Egito, a Irmandade Muçulmana acabou deposta pelo exército – sempre ele, ponta-de-lança do imperialismo no país – depois que os protestos populares voltaram a se agigantar e a ameaçar a tão cara, para o USA e para Israel, “establidade” da subjugação daquele povo aos interesses ianques e sionistas. Não obstante, a famigerada irmandade não se cansa em conclamar as massas para servirem de bucha de canhão contra as forças armadas, a fim de tentar voltar a se viabilizar como “poder civil” do capitalismo burocrático local.

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