O Rio de Janeiro não quer Copa

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'Batman' e 'Coringa' viraram figuras das manifestações no RJ.

No dia 25 de janeiro, cerca de 500 pessoas fizeram um ato no Rio de Janeiro como parte da jornada nacional de manifestações contra a Copa da Fifa, que teve registros de atividades em ao menos 16 cidades, sendo seis capitais. O protesto começou na porta do luxuoso Hotel Copacabana Palace. Estudantes, trabalhadores, moradores de rua, deficientes físicos e muitos outros lutadores do povo participaram do ato, que percorreu as ruas da zona Sul e foi até o Leblon, palco de combativos protestos e ocupações nos meses de julho e agosto de 2013.

Eu sou da África do Sul e apoio a luta de vocês, porque no meu país a Copa do Mundo também só beneficiou os ricos. Os pobres foram retirados de suas casas e muitos deles ainda vivem em containers improvisados. No início, o povo ficou empolgado com o futebol, a festa, mas, aos poucos, as pessoas foram percebendo que esse evento só beneficia os poderosos. A realidade é que, ao invés de trazer coisas boas, a Copa só trouxe coisas ruins para o meu país. Estou surpresa de ver essa luta aqui no Brasil, até porque vocês brasileiros amam o futebol — disse a turista sul-africana Lindsay Johnson, que passava pelo local.

Ao passar pelo Leblon, um fato inusitado chamou a atenção de nossa reportagem. No bairro, funciona um dos mais caros shoppings da cidade, o Shopping Leblon. Manifestantes correram em direção ao local dançando funk e entoando palavras de ordem fazendo menção aos “rolezinhos”. Não demorou muito, as portas do shopping foram baixadas, e começou uma correria de ‘madames’ e ‘bacanas’.

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Em alguns momentos, houve tensão entre manifestantes e a polícia. No entanto, ninguém cedeu às provocações e o protesto correu sem grandes transtornos, com exceção da detenção de um socorrista que portava um chaveiro no formato de uma bala de revólver. Outras duas pessoas foram levadas para a delegacia para averiguação e, em seguida, liberadas.

Nós estamos aqui porque queremos escolas, porque queremos hospitais. Não queremos mais estádios. O povo brasileiro está faminto, doente e sem trabalho. Não podemos permitir que usem nosso dinheiro para transformar a cidade em um negócio. Vem para a rua, porque quem não luta por seus direitos, não é digno dele — disse o ativista Eron Melo, que habitualmente aparece nas manifestações vestido como ‘Batmam’.

Quer uma palavra de consolo? Foda-se a Copa! — enfatizou um aposentado, amigavelmente conhecido pelos manifestantes como “Presidente”.

Um dia antes do fechamento desta edição, em 28 de janeiro, ocorreu um novo protesto contra o aumento das passagens no Centro da cidade. O ato terminou com um ‘catracaço’ na estação Central do Brasil. Os manifestantes liberaram as roletas para os trabalhadores que utilizam os trens da Supervia. Os vídeos das manifestações produzidos por AND podem ser vistos no blog da redação do jornal: anovademocracia.com.br/blog.

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