A greve terminou, mas “eles não perdem por esperar”

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Operários enfrantaram a polícia

No dia 17 de março, foi encerrada a combativa greve operária do Comperj — o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Petrobrás/PAC)  — após 42 dias de paralisação. O Comperj, que almeja o “maior Complexo Petroquímico da América Latina”, está localizado no município de Itaboraí, região metropolitana do Rio de Janeiro, a 70 quilômetros da capital.

Na greve histórica, 22 mil operários paralisaram as obras, bloquearam estradas e enfrentaram o oportunismo e a pistolagem, tudo isso contra e por fora da velha estrutura pelega do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil e Pesada, Montagem e Manutenção de São Gonçalo, Itaboraí e Região – Sinticom, filiado à CUT.

Os trabalhadores exigiam um aumento de 15% no piso salarial, vale-alimentação no valor de 500 reais, o direito de visitar suas famílias fora do estado a cada 60 dias, melhores e mais seguras condições de trabalho, entre outras exigências. Os casos mais graves eram de operários que estavam há meses sem receber seus salários, o que, segundo os trabalhadores, foi o estopim da paralisação.

— A coisa começou porque a licitação dessa obra é com prioridade para orçamentos de baixo custo. Então quem está fazendo a obra são empresas pequenas, as gatinhas como chamamos. Aí, os donos dessas empresas ganham a licitação, vão ao BNDES e pedem um adiantamento de 50 milhões. O cara coloca 25 no bolso, adianta a obra um pouquinho com o resto da grana, fecha as portas e desaparece. E o trabalhador fica sem receber, sendo que muitos são de fora da cidade e não têm nem famílias para pedir ajuda. Um crime fazer isso, mas é o que várias empresas já fizeram — diz um operário que não se identificou temendo represálias.

A penúltima assembleia da categoria foi marcada por intensos confrontos entre os trabalhadores, pistoleiros apontados pelos operários como contratados pelo sindicato pelego e a polícia. O canteiro de obras se transformou em uma praça de guerra e vídeos feitos pelos operários mostram o ataque covarde das forças de repressão com bombas e tiros que deixaram várias pessoas feridas, duas delas atingidas por tiros de munição letal. Segundo os trabalhadores, o sindicato não os representa e até agora só tem servido ao patrão.

Operários denunciam que, devido ao rechaço da categoria ao Sinticom e a decisão de manter a greve independente do sindicato pelego, esse sindicato “começou a apelar à pistolagem para seguir dirigindo as assembleias”. A ação atiçou ainda mais os trabalhadores, que resistiram bravamente à ação da PM e do sindicato, fazendo barricadas e queimando ônibus.

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