Pedras de Maria da Cruz, Norte de Minas: Seis anos de vitórias da aliança operário-camponesa!

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Apresentação do grupo teatral 'Servir ao Povo'

Atendendo ao convite da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Norte de Minas e Bahia, uma delegação organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção de Belo Horizonte e Região - Marreta foi até Pedras de Maria da Cruz, no Norte de Minas, celebrar os seis anos de luta e resistência das famílias camponesas nas terras tomadas do latifúndio. O primeiro Torneio da Aliança Operário-Camponesa, disputado entre os times de futebol Operário Esporte Clube, organizado pelo Marreta, e o time dos camponeses de Maria da Cruz foi incluído na programação das celebrações. 

Rumo ao sertão de Minas

Encontramo-nos na sede da Escola Popular, na região central de BH, por volta das 22 horas do dia 23/05. Animados, todos conversávamos sobre a festa que nos aguardava.

Éramos cerca de cinquenta companheiros, em sua maioria diretores da Marreta e jogadores do Operário Esporte Clube. Após doze horas de viagem, chegamos a Área Unidos com Deus Venceremos. Cansados, suados, empoeirados, mas muito animados, já com um delicioso almoço nas barrigas, nos reunimos à sombra da plenária organizada pelos camponeses. Bandeiras vermelhas por toda a parte. Faixas com os dizeres: Viva a Revolução Agrária! Viva a aliança operário-camponesa! A Beirada é nossa!*

Em exposição, fotos das várias manifestações e fechamentos de rodovia realizados pelo movimento camponês combativo no último período na região eram vistas e comentadas. Em lugar de honra, as imagens do dirigente camponês Renato Nathan e do grande dirigente comunista Pedro Pomar. Crianças brincando por todos os lados, o cheiro da carne na brasa, conversas, sorrisos, causos, piadas, foguetes, muitos foguetes e alegria. Todos juntos cantamos A Internacional.

Participaram da mesa de abertura da festa, trazendo suas saudações pelos seis anos de resistência e conquistas da comunidade, além dos diretores da Marreta, advogados da Associação Brasileira de Advogados do Povo – Abrapo de BH e Rondônia; membros do Comitê de Solidariedade aos Trabalhadores Haitianos – São Paulo; Movimento Estudantil Popular Revolucionário - MEPR; Escola Popular Orocílio Martins Gonçalves - EPOMG; Movimento Feminino Popular - MFP; Liga dos Camponeses Pobres do Pará; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pedras de Maria da Cruz; Comitê de Apoio ao Jornal A Nova Democracia em Montes Claros e da Liga Operária.

Estiveram, também, presentes na atividade, camponeses de Rondônia e de diversas cidades do Norte de Minas: Manga, Matias Cardoso, Jaíba e Montes Claros e de Carinhanha na Bahia. Todos em suas falas apontaram a importância desta celebração e de seu significado histórico num momento em que as massas em rebelião se levantam em protestos em todo o país, protestos que se espalham pelas periferias e cujas labaredas percorrem também o campo, apontando a necessidade de fortalecer a aliança operário-camponesa como condição para o avanço do movimento popular revolucionário em nosso país.

Os oradores denunciaram as perseguições que os movimentos combativos vêm sofrendo no rastro da Copa da Fifa com o assassinato e prisões de inúmeros manifestantes desde o início das jornadas de junho/julho de 2013. Todos ressaltaram a necessidade de ampliar a campanha pelo boicote à farsa das eleições junto a propaganda da Revolução Agrária, como primeira etapa da Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao socialismo em nosso país.

O clima era de grande confraternização, combatividade e vibração.

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Na tarde do sábado, 24/05, o tão esperado jogo entre operários e camponeses terminou empatado em 2x2. Um jogo disputado palmo a palmo, com momentos marcantes e direito a um golaço de falta. O empate provocou a marcação imediata de uma nova disputa para breve.

À noite, barraquinhas com comidas típicas (canjica, caldo de mandioca, peixe frito e muito mais); num animado bingo todos disputavam aos berros os lances para saber quem arremataria frangos, pedaços de carne assada, doces, frutas, entre outros pratos; moda de viola com belíssimas músicas de raiz e um forró que varou a madrugada. Na manhã do domingo, 25/05, visitamos o criatório de abelhas do Grupo Rainha do Mel e assistimos a uma belíssima apresentação de uma peça sobre a participação dos camponeses pobres na construção do socialismo na China encenada pelo grupo de teatro “Servir ao Povo”, formado por jovens e crianças camponesas de Áreas Revolucionárias da região.

Unidos com a Liga venceremos!

A luta dos camponeses de Pedras de Maria Cruz sob a bandeira vermelha da Liga dos Camponeses Pobres se iniciou no ano de 2006. Desde então, foram muitas batalhas, muitos sacrifícios. Por parte do velho Estado, muita enrolação e repressão.  Mas acima de tudo, com persistência, muitas conquistas da luta camponesa.

Em abril de 2007, o Incra passou mais uma falsa promessa, desta vez, de que as fazendas Pedra de Maria, Pedra de São João e Pedra de São Pedro Agropecuária estavam desapropriadas para o falido programa de reforma agrária do velho Estado, dando um documento que não tinha valor legal para enganar a três acampamentos da Liga. Mais uma vez, o Incra tentava enrolar os camponeses, pois o órgão só tinha feito uma visita técnica nas terras e nada mais! 

Esta foi a gota d’água. Os camponeses, percebendo que a reforma agrária do velho Estado é pura demagogia, decidiram tomar novamente aquelas terras no dia 22 de maio de 2008. Desta vez, decididos a resistir nas terras e iniciar imediatamente a produção. 

Passado apenas um ano, as famílias camponesas já haviam construído uma agrovila com casas de alvenaria com energia elétrica e água encanada, feitas através do trabalho coletivo e sem nenhuma ajuda do Incra. Os camponeses iniciaram também um Grupo de Ajuda Mútua de produção de hortaliças orgânicas, plantando em quase dois hectares para o sustento de seus filhos e o abastecimento do comércio local. Além de outro Grupo de Ajuda Mútua voltado à produção de mel.

Nesses seis anos, os camponeses já conquistaram muito em cima de suas terras, tudo por meio da Revolução Agrária, de forma independente do Incra e da burocracia do velho Estado e hoje formam uma comunidade respeitada em toda a região. Todos possuem casas de alvenaria, plantam milho, feijão, abóbora, mandioca, entre outros mantimentos. Pescam e deram continuidade ao Grupo de Ajuda Mútua Rainha do Mel, que comercializa a sua produção não apenas no Norte de Minas, mas em todo o país através do apoio da Comissão Nacional da Liga dos Camponeses Pobres, do sindicato Marreta de BH e dos apoiadores da luta camponesa em diversas regiões.

Os camponeses têm enfrentado com destemor e combatividade todas as dificuldades e perseguições impostos pelo latifúndio e o velho Estado. Os latifundiários fecharam estradas municipais, com a conivência do judiciário e do Ministério Público, dificultando o escoamento das suas mercadorias e o acesso das crianças à escola. O velho Estado se nega a abrir poços artesianos na comunidade. Lideranças da área são constantemente ameaçados por policiais e pistoleiros a soldo do latifúndio. Camponeses já tiveram seus barracos queimados por latifundiários e a comunidade atualmente resiste a uma injusta liminar de reintegração de posse. Mas a repressão não impede que os trabalhadores continuem sua luta, pelo contrário, as bandeiras vermelhas continuam sempre erguidas e a realização da festa que movimentou a cidade de Maria da Cruz e contou com a expressiva participação de entidades e movimentos de todo o país serviu, também, como mais um recado para o latifúndio local e o velho Estado de que os camponeses não estão sozinhos e estão decididos em lutar até a vitória de sua justa causa por terra para quem nela trabalha!

De volta para a capital

Discursos de agradecimento e despedida emocionados, aquele aperto no peito de quem deixa um irmão para trás sem saber quando vai lhe rever. Este sentimento que todo o operário guarda no peito, desde o dia em que, ele próprio ou seus pais e avós, ainda camponeses, foram expulsos de sua terra natal.

Todos recordamos o companheiro Osmir Venuto, dirigente do Marreta e da Liga Operária, falecido no ano passado, que não cansava de repetir que “os operários e os camponeses são irmãos e que devem lutar juntos...”

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