Colômbia: exército ataca camponeses

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Bala de fuzil Galil encontrada na casa de San Juan de Lozada

Indivíduos não-identificados, provavelmente integrantes das tropas militares que ocupam uma área rural no munícipio colombiano de Macarena metralharam indiscriminadamente várias casas de camponeses na localidade de San Juan de Lozada, no último dia 4 de julho, provocando “pânico e terror na comunidade”, conforme nota divulgada pela Associação Nacional de Zonas de Reserva Camponesa (ANZORC).

Até o fechamento desta edição de AND, estava marcada para 11 de julho uma assembléia e visita in loco para verificar os resultados do recente ataque e de outros cometidos em meses anteriores, pela tropa de ocupação (às claras e também de modo clandestino).

Tudo indica que os militares acusam os camponeses de serem solidários a grupos de guerrilha que atuam na zona.

A ANZORC convidou, para esse encontro, diversas entidades de direitos humanos e solicitou a divulgação nacional e internacional dos crimes que vem sendo executados pelo Exército contra os camponeses de Lozada.

No documento, cujo resumo publicamos a seguir, a Associação responsabiliza o gerente Juan Manuel Santos Calderón (“presidente” da República), o ministro de Defesa Nacional Juan Carlos Pinzón e o major Leonardo Miranda por todas as violações verificadas naquela comunidade.

A Nota

Perto das 7h50min da noite de 4 de julho de 2014, em San Juan de Lozada, se produziu um metralhamento indiscriminado contra as casas do centro povoado no setor 3, que deixou como resultado o pânico e o terror entre a comunidade, ademais dos danos contra a residência de Ángel Humberto Torres Zapata, representante legal da Associação Camponesa Ambiental Lozada-Guayabero e membro da ANZORC.

Neste local há tropas (militares) acampadas dentro e ao redor da parte urbana, a cargo do major Leonardo Portela, vinculado ao Batalhão de Combate 71 da Brigada Móvel Nº 9, o qual viola as normas estabelecidas no Direito Internacional Humanitário (DIH).

Em novembro de 2013 essas tropas chegaram a San Juan de Lozada, onde instalaram dentro e ao redor do casario dois acampamentos militares, permanecendo até hoje e cometendo infrações ao postar-se perto das moradias da população civil e fazendo ocupação de terrenos comunitários como: a pequena casa comunal, a praça da feira e o prédio de propriedade do senhor Jairo Andrés Giraldo.

Desde a chegada do Exército Nacional em San Juan, têm sido constantes as agressões e os operativos (detenções físicas de pessoas, interrogatórios ilegais e registros fotográficos e em vídeo de carteiras de identidade e de pessoas).

No dia 24 de junho passado, à tarde, as tropas retiveram o jovem Marco Tulio Salcedo Pinilla, de 22 anos, que trabalha em diferentes projetos executados na região, como Parques Nacionais, Sinchi, etc. Marco Tulio foi obrigado a descer do carro no qual ia como passageiro, foi despojado de seus documentos de identificação enquanto (os soldados) lhe gritavam: “… Isso é porque você é um guerrilheiro...”

No 28 de junho, o senhor José Manuel Canchila Payares, de 53 anos e membro dirigente da Associação Lozada-Guayabero, foi detido e agredido verbalmente na entrada a San Juan, enquanto pegavam seus documentos e lhe fotografavam.

Em 2 de julho às 6:25 da tarde, um artefato explosivo estourou dentro do solar da senhora Martha Lucia Polanco, pondo em risco a sua vida e de sua família.

(Finalmente), no dia 4 de julho, às 7h45min da noite, após a explosão de um artefato contra o prédio de Jaime Rojas, ficou ferido Emilio Gaduan Daza. (Em seguida) se produziu um metralhamento com fuzis Galil calibre 5.56 (de uso do Exército Nacional) contra casas de San Juan de Lozada, deixando como resultado 12 impactos de bala na moradia de Ángel Humberto Torres Zapata, pondo em risco a vida daqueles que se encontravam dentro da casa, como o administrador Wilson Osorio Chalarca e Jaime Andrés Calderón Torres, estudante de medicina veterinária e zootecnia da Universidade da Amazônia.

No dia seguinte, 5 de julho, aproximadamente às 8:30 da manhã, o senhor Ángel Humberto em companhia de José Luis Ortiz, promotor de direitos humanos da Fundação para a Defesa dos Direitos Humanos e do DIH do Oriente e Centro da Colômbia, se dirigiu a registrar fotograficamente os diferentes prédios onde houve danos à comunidade (devido aos tiros).Ambos foram agredidos física e verbalmente pelos soldados.

Exigimos:

A presença de autoridades civis e organismos internacionais humanitários na região para levar a cabo uma verificação sobre as violações dos DH e DIH contra a população.

A retirada imediata do Exército Nacional dos prédios de uso comunitário e de propriedade privada, cumprindo as convenções e protocolos no marco do DIH.

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