SP: prisões políticas e perseguição aos advogados e ativistas

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Silvia Daskal

Daniel Biral e Silvia Daskal são advogados do grupo Advogados Ativistas que acompanham as manifestações e outras causas populares. No dia 1° de julho, eles foram brutalmente agredidos e presos por PMs na Praça Roosevelt, centro de São Paulo, durante um ato/debate justamente sobre prisões políticas ocorridas dias antes na cidade. Seguem seus depoimentos:

— O comportamento da polícia já tinha mostrado que iria por um caminho de repressão de qualquer ato que tivesse ali na Roosevelt. O fato de ter cercado toda a praça em razão de um debate político, já feria o direito de reunião garantido constitucionalmente. Desde esse ato [do dia 1° de julho] até hoje eu não fiquei sabendo o nome do tenente-coronel... Só colhi o “chassi” dele [chassi por que é igual ao número de um carro]. Todo o cidadão tem esse direito, da mesma forma que o policial, pedindo, qualquer civil tem de se identificar! — diz Daniel.

— Eu comecei a tirar fotos da tropa e antes de chegar até uma policial ela já estava tampando a identificação com as mãos. Eu não sabia se ela estava identificada ou não, se ela estava com um número ali embaixo, eu pedi para ela tirar a mão da frente e que ela se identificasse verbalmente para a câmera e ela se negou. Ela pediu que me identificasse e eu falei que meu documento estava com eles! Nesse momento ela já partiu para cima de mim, me pegou pelo pescoço, me levantou e com o outro braço. Ela virou meu braço esquerdo e aplicou um “mata leão”, me imobilizando – relata Silvia.

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Daniel Biral

— Nesse momento exigi que a policial se identificasse. Veio um cara mais truculento e já foi me empurrando. Fui pegar a minha [identificação da] OAB para me identificar e fui abduzido para trás dos escudos. Aí começou o show de horror, né? Chegaram outros dois, um que estava me puxando, mais dois. Um me deu um “mata leão” e o outro já me pegou pelas pernas. Eles já foram em direção do camburão que estava na Rua Augusta e isso eram três lances de escadas. O que segurava minha cabeça me soltou e fui arrrastado pelas pernas, batendo a cabeça em todos os degraus, quase apaguei. No camburão ameaçaram quebrar meu braço. Mandei quebrar, gritei pela mídia. Me levaram para a 4ª DP – complementa Daniel, e continua:

— Na chegada do 4º DP um policial me deu um chute na virilha. Tentei sair de novo e os PMs disseram: “Agora não tem mídia, agora você vai morrer!”. Começaram a bater na minha cabeça, todo o canto, na parte de trás, e eu tentando me defender. Foi quando começaram a bater na têmpora, dizendo que era para apagar e eu apaguei, cai no chão com as mãos algemadas para trás. Acordei sendo arrastado dentro da delegacia. Me colocaram num canto. Na sequência já chegou o pessoal dos Advogados Ativistas e a Silvia. Não resolveram nada lá. Trocaram de policiais e de carro e nos conduziram para o 78° DP. O delegado estava decidido a nos culpar pelo ocorrido. Houve uma coação, o delegado disse: “Você vai assinar o desacato em termo circunstanciado e sair hoje, ou então vai registrar o abuso de autoridade e vai ficar preso”. Se negou a registrar o abuso de autoridade, a lesão corporal, não autorizou o reconhecimento dos policiais. Colheu os depoimentos para o termo circunstanciado, assinamos e fomos encaminhados ao IML. O pedido feito para o IML não permitia que fossem feitas imagens das lesões, então fomos a um hospital fazer exames e tirar fotos para nos amparar — conclui.

— O aparato que estava designado para aquele ato/debate, que era uma coisa que ia ficar ali e não ia sair, era desproporcional. Essa coisa de pressão psicológica, que é inibição aos outros de saírem às ruas para protestar. O fato de a gente estar nas ruas nos favorece, você acaba vendo coisas como revistas ilegais e você acaba se tornando também uma testemunha. Isso é uma coisa nova para os advogados e para os movimentos sociais também — finaliza a Drª Silvia.

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