O retrato moral de um país

A- A A+

apoie

A “Copa das Copas”, que fiasco!

E não podia haver resultado melhor do que a surra vexatória que a seleção brasileira levou da Alemanha, que expressasse melhor o fiasco do plano petista de usar a Copa para engabelar o povo com patriotadas, às vésperas das eleições. Mais do que um resultado vergonhoso de uma partida de futebol é o retrato moral do país, a cara real do Estado burguês-latifundiário, serviçal do imperialismo e de seu gerenciamento oportunista, antipovo e vendepátria. A imagem exata correspondente à sua essência putrefata.

O que houve foi o massacre e a desmoralização por um país imperialista sobre um país semicolonial. E o pior, com classe esportiva, porque não se tratou de uma guerra e sim de uma disputa “esportiva”. Nada mais simbólico isso ter ocorrido justamente na “Copa das Copas” no “país do futebol”. E os jogadores alemães ainda puderam tirar onda de civilizados, magnânimos e respeitosos na vitória, compreensivos, simpáticos, humildes, bonzinhos, etc.

Quanto à mera disputa futebolística, não é nenhum segredo estratégico que a Alemanha tenha preparado com objetividade sua equipe nos últimos seis anos. Isso é bem possível para o futebol e muitas coisas de um país imperialista. Como país semicolonial, submetido à lógica da dominação imperialista em todas as esferas, o Brasil, no caso, não pode fazer o mesmo, ainda se os cartolas do futebol o desejassem não poderia, pois tudo é “regulado pelo mercado”, a começar pelo Estado e governos. E este “regulado pelo mercado” é tão somente a dominação imperialista, nada além.

Enquanto os principais jogadores da seleção alemã jogam em clubes do seu próprio país, dos 23 convocados da seleção brasileira para a disputa nesta Copa da Fifa, apenas quatro atuam no Brasil. Ou seja, não se pode sequer preparar uma equipe seriamente porque os clubes miliardários da Europa, onde os outros 20 jogam, não aceitam que suas propriedades fiquem fora por muito tempo, afinal, tempo é dinheiro. Então o que se chama de preparação de suas seleções, no caso dos países do terceiro mundo, não passa de uma encenação para justificar gastos abusivos, daí que o centro é toda essa nojenta badalação de “craques” e todo o lixo e manipulação que o povo tem que suportar debaixo desse bombardeio e verdadeira lavagem cerebral dos monopólios de imprensa, sócios ou muitas vezes donos do negócio que se tornou dos mais rentáveis e fabulosos na atualidade.

A “pátria de chuteiras”, o “todos somos um”, mostrou ser o “vexame nacional de chuteiras” e expôs de forma crua a ridicularia de todo esse “espetáculo” petista/pecedobista de “Copa das Copas” como fiasco nacional.

Após as estrondosas vaias e insultos à gerente de turno do velho Estado e aos cartolas da Fifa no jogo de abertura da Copa, o Sr. Luiz Inácio, que muito gosta de utilizar analogias futebolísticas para explicar e expor seus pensamentos políticos ou malabarismos oportunistas, cometeu discurso dizendo que no estádio “não tinha ninguém com a cara de pobre” a não ser a senhora Rousseff. Esqueceu-se propositalmente dos milhares de trabalhadores da infraestrutura, os garçons das tribunas de luxo e camarotes, funcionários da limpeza e segurança sem os quais não poderia existir o “espetáculo”.

A derrota vergonhosa da seleção brasileira por 7 x 1 para a seleção alemã e a despedida patética sacramentada pelos 3 x 0 impostos pela seleção da Holanda mostraram também que até diante da derrota no esporte, a atitude dos brasileiros é diferente segundo sua classe. A maioria dos presentes no Mineirão no fatídico jogo contra a seleção da Alemanha, os riquinhos, aliás, o perfil de torcedores cevado e estimulado pelo próprio gerenciamento petista, quando o Brasil levou o primeiro gol, ao invés de dar força ao time, emudeceu, acovardou-se, abandonou o time totalmente à própria sorte. Quando a goleada desabou sobre um time já desbaratado, comportaram-se como crianças, abrindo o bué, para logo passarem a vaiar os jogadores como se eles fossem os culpados do desastre. Este é o patriotismo barato vendido pela canalha dos monopólios das comunicações e a inquilina do Palácio do Planalto.

Já a maioria do povo pobre, que não pôde nem sequer pensar na possibilidade de assistir no estádio um joguinho da Copa em seu país, ficou triste e envergonhado pela goleada e sente que, como a seleção, tudo no país vai muito mal. E que, uma derrota como esta, por mais vexatória como foi, está muito longe de ser uma tragédia que se equipare à sua nas filas dos hospitais, na precariedade da educação, nos abusos cotidianos das autoridades, da corrupção descarada, do acosso brutal da polícia toda vez que reclama seus direitos negados ou pisoteados. Enfim, tudo que os protestos de centenas de milhares jogaram na cara do país um ano atrás e que foram e seguiram reprimidos com toda selvageria pela canalha política que gerencia o país.

Perseguição atroz e crime contra o direito de livre manifestação, com que o regime vigente coroou no último dia da Copa com a emissão de 60 mandados de prisão e a invasão bufonesca de residências e sequestro de 28 jovens por aparatos repressivos da polícia política.

As explicações, em sua maioria, apresentadas para tal derrota da seleção, ou são emocionais e iracundas feitas apenas de xingamentos, ou, quando são um pouco mais racionais, que não conseguem ir além dos limites de erros, que são reais, que podem explicar uma derrota comum no futebol, mas não essa balaiada internacional. As causas e razões vão mais além dos limites futebolísticos, mesmo além da cartolagem mafiosa, do tráfico de ingressos e negócios escusos que se tornou o futebol, mesmo porque seleções de países que estão afundados no mesmo pântano que o Brasil não tiveram desempenho tão grotesco e caricatural. Está na crise moral do país, onde vigora a indecência descarada na vida pública, na qual quem se levanta contra tal ordem das coisas é transformado pelos monopólios de imprensa e pelo aparelho judiciário nos piores criminosos e reprimido a bombas de gás, balas de borracha, prisões e assassinatos.

A decomposição moral da vantagem patrimonialista acima de qualquer princípio com que a canalha política vem secularmente vendendo a pátria, entregando tudo ao imperialismo, já corroeu a fundo a sociedade. E não é o moralismo hipócrita dessa mesma canalha dos monopólios de imprensa berrando “contra a corrupção” (inclusive são parte dela), por que esse câncer não é o mal maior, ele só é decorrência, mas sim a política anti-Nação e antipovo submissa ao imperialismo que está na base do afundamento geral do país. A derrota vexatória só é algo simbólico, inclusive por ter se tornado o futebol em nosso país, com o empenho dos mesmos monopólios de imprensa no objetivo de adormecer a consciência política do povo, algo emblemático para o mundo inteiro.

A maioria dos presentes no estádio continuará culpando jogadores, comissão técnica e outros que não são mais que instrumentos. Continuarão ainda pensando assim, porque essa é a mentalidade das classes médias de um país semicolonial/semifeudal, indigentes politicamente, até que o movimento revolucionário do proletariado se levante, como de outras feitas, e as arrastem, ainda que em parte, para a luta de libertação.

A farra e os lucros fabulosos da Fifa e dos ricaços chupa-sangue foi garantida graças a operação de guerra montada pelo gerenciamento Rousseff que mobilizou, como gabou-se o secretário de segurança do Rio de Janeiro na véspera da final da Copa, “a maior operação de segurança” da história do país. Para garantir o lucro da Fifa, a gerência PT/PMDB/pecedobê... mobilizou Forças Armadas, Força Nacional de Segurança, Polícia Federal, polícias Militar e Civil, guardas municipais, supervisionados pela CIA e FBI e treinados por mercenários da maligna Blackwater (hoje denominada Academi).

Milhares de prisões políticas e ativistas processados desde as jornadas de junho e julho de 2013, tentativas de recrudescimento de leis antipovo que só não foram totalmente aplicadas devido à resistência das massas nas ruas e a repercussão internacional das medidas fascistas do governo, invasões de residências de ativistas por policiais encapuzados, apreensão de computadores, livros e pertences de ativistas, campanhas apócrifas dos monopólios de imprensa contra os “vândalos” e “baderneiros”, aplicação de táticas nazistas de sítio de regiões inteiras nas cidades-sede dos jogos da Copa e cerco de ativistas para impedir o direito de livre manifestação. Tudo isso foi necessário para garantir a “Copa das Copas”, afinal, como dissemos, o que manda é o mercado, e os ingressos para o “espetáculo” já estavam vendidos.

Terminada a ópera bufa da Fifa, aliviada, a gerente de turno do velho Estado, que mal pôde segurar a taça da Copa que lhe queimou as mãos antes de ser empurrada para as mãos dos jogadores da Alemanha, sob nova saraivada de vaias, precisou reunir seu staff de ministros para anunciar o cumprimento dos contratos de entrega de nosso país e o repasse dos lucros da Fifa na “Copa das Copas”, para anunciar que o megaevento “foi um sucesso”.

Mentir, fingir-se de morto ou de bobo não apaga o fato de que nenhum, nenhum oportunista de plantão, nem os que por hora ocupam os postos de gerência do velho Estado ou aqueles que almejam ocupá-lo conseguiram aproveitar-se desse evento para fazer palanque e demagogia. A “Copa das Copas” passou sem a “chefe” de Estado conseguir abrir o bico nos estádios. O uso indevido por ela do dito popular chinês de que “a derrota é mãe de todas as batalhas” só foi mais uma paparrotada de quem, vendido às classes dominantes retrógadas, não têm quaisquer cerimônias em meter a mão no erário público e servir-se de todos os meios num processo eleitoral farsante e corrupto, arrogantemente bravatear que ganhará as eleições. Tal astúcia só foi o reconhecimento da derrota, não dos 7 a 1, mas do fiasco político da sua “Copa das Copas”. Pois caso vença na farsa eleitoral será apesar do fiasco que custou bilhões aos cofres da Nação.

A derrota “retumbante”, para usar o adjetivo que a senhora Roussef usou sobre o resultado do jogo do Brasil com Camarões para se contrapor aos protestos, só é mais um sinal da grande crise que corrói o país e que vem sendo maquiada e encoberta pelos gerentes de turno. Terminada a Copa da Fifa se iniciará o circo eleitoral da canalha política em pugna para amealhar a gerência do velho Estado. Ganhe quem ganhe na empulhação eleitoral o protesto popular seguirá em frente com mais razão e justeza de causa. Viva a revolução!

Endereços


Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20.921-060
Tel.: (21) 2256-6303

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Tel.: (11) 3104-8537

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

EXPEDIENTE

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda 
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond 
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja

A imprensa democrática e popular depende do seu apoio

Leia, divulgue e conheça. Deixe seu nome e e-mail para se manter informado
Please wait