Abaixo o fascismo! Protestar não é crime!

A- A A+
http://www.anovademocracia.com.br/135/07a.jpg
Cinelândia, 15 de julho. Nos dias 22 e 30 ocorreram novas manifestações nas ruas do Centro

As organizações populares mais combativas do Rio de Janeiro, notadamente as que integram a Frente Independente Popular (FIP-RJ), são alvos de nefasta campanha de criminalização apócrifa do monopólio da imprensa, montagens, acusações infundadas e perseguições policiais a mando do velho Estado nas esferas do executivo, legislativo e judiciário.

Já na última edição de AND noticiamos as denúncias da operação levada a cabo no último dia 12 de julho, véspera da final da Copa da Fifa, quando a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) da Polícia Civil cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão contra 23 ativistas, que depois de alguns dias foram denunciados pelo Ministério Público sob acusação de “associação criminosa”.

No dia 19, recebemos na redação de AND inúmeras denúncias de que residências, inclusive de amigos e familiares de ativistas, estavam sendo invadidas e vasculhadas por policiais civis. Os agentes da repressão buscavam ativistas que mal haviam sido postos em liberdade e receberam novos mandados de prisão preventiva após o judiciário acatar denúncia do Ministério Público.

Dezoito desses ativistas perseguidos políticos não foram encontrados em suas residências e passaram a ser caçados e considerados “foragidos”. Igor D’Icarahy (estudante de Educação Física da UERJ), Camila Jourdan (professora e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UERJ) e Elisa Quadros (cineasta) permaneciam, até então, encarcerados.

Em 23 de julho, o desembargador Siro Darlan, da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, concedeu habeas corpus para os 23 ativistas argumentando que as prisões preventivas expedidas pelo juiz Flávio Itabaiana não estavam amparadas em requisitos legais.

No início da noite de 24 de julho, após intensa campanha de denúncia realizada por familiares, advogados, organizações democráticas e de defesa dos direitos do povo nacionais e internacionais, os três ativistas que ainda eram mantidos presos foram postos em liberdade, ainda assim quase 24 horas após o habeas corpus ter sido acolhido. Com cartazes e palavras de ordem, durante todo o dia, parentes, amigos e ativistas de diversos movimentos populares mantiveram-se mobilizados na entrada do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste, aguardando a liberação dos jovens, que foram recepcionados com enorme alegria.

Quando estavam sendo libertados e se dirigindo para os carros que os aguardavam próximos à penitenciária, as hienas do monopólio da imprensa avançaram sobre os ativistas em busca de imagens e foram repelidos pelos que exigiam respeito e privacidade naquele momento.

A versão vendida pelos veículos do monopólio de que ativistas teriam agredido jornalistas cai por terra e se esfarela diante do registro feito por inúmeras pessoas presentes no momento e que circulam na internet.

Durante esses dias de caça às bruxas, perseguição política e montagens, ocorreram novos feitos “espetaculares” de emissoras como a Rede Globo, que teve acesso a processos que corriam em segredo de justiça e eram negados mesmo a advogados dos presos. Divulgaram trechos de documentos, áudios e imagens editados para tentar criminalizar os ativistas.

Até mesmo relações pessoais entre ativistas esses senhores e senhoras exploraram, na tentativa de criminalizar e demonizar até moralmente a juventude combatente, nos moldes das históricas perseguições fascistas. 

Mas existe uma lei de ferro na história que diz: “onde há opressão há resistência”. Personalidades democráticas, juristas, sindicatos, associações, administrações de universidades, professores, organizações estudantis, órgãos democráticos de imprensa do Brasil e do exterior, familiares dos presos e perseguidos políticos, etc., se mobilizam, realizam atividades, panfletagens e lançam notas de apoio e solidariedade. Nos dias 15 e 22 de julho, a palavra de ordem ‘Liberdade para todos os presos políticos! Lutar não é crime’ mobilizou milhares de pessoas no Rio de Janeiro, nas maiores manifestação dos últimos meses na cidade.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Ato público na UFRJ

Na noite de 25 de julho, foi realizado o ‘Ato Público Pela Libertação de Todos os Presos Políticos e pelo Cancelamento de Todos os Processos’ no salão nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, no Largo de São Francisco, Centro do Rio de Janeiro.

O ato foi convocado pela Frente Independente Popular em conjunto com o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo) e o Grupo Tortura Nunca Mais. Na mesa estiveram presentes, além de membros das organizações que convocaram o evento, representantes do Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (IDDH), da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, da Aldeia Maracanã, representante do movimento dos garis, a Comissão de Familiares dos Presos Políticos, e Marino D’Icarahy, advogado dos perseguidos políticos.

Ativistas que haviam sido recém-libertados falaram aos presentes reafirmando a justeza da sua luta, denunciando a perseguição fascista e os dias passados na prisão.

 A estudante secundarista Andressa Feitosa, 16 anos, relatou agressões físicas contra ela e outras presas no Departamento Geral de Ações Sócio Educativas (Degase). Seu comportamento exemplar na prisão desmoralizou os carcereiros, que a todo tempo faziam provocações. Ela disse ser a violência contra as meninas presas “comuns” uma rotina.

Quando eu entrei [na prisão] eu tinha dois caminhos. Ou eu fico quieta esperando sair daqui, dando uma de “coitada”, ou eu vou fazer um trabalho de propaganda e de base que seja — afirmou a adolescente, que organizou manifestações na cela contra as irregularidades presenciadas. Ela nos contou ainda que, devido a sua insistência, chegou a sofrer retaliações de carcereiros. Encapuzados, eles a ameaçaram e lançaram spray de pimenta. A jovem não se intimidou e permaneceu firme até o fim.

Lá dentro a gente presenciou torturas e eu acho que eles fizeram de propósito. Eles isolaram a gente e nenhuma presa podia falar conosco de nenhuma forma. Se elas falassem iam pro castigo. E eles [os carcereiros] começaram a castigar elas ao lado da nossa cela. E o castigo é fome e frio. É muito frio e não pode entrar casaco — disse Elisa Quadros, a “Sininho”, ativista que estava presa em Bangu e que tem sido alvo das mais variadas calúnias por parte dos jornais e redes de televisão do monopólio.

O salão nobre do IFCS ficou repleto nesse ato vibrante, marcado pelas palavras de ordem, canções de luta e pelo contundente depoimento dos presentes, o que mostra o reconhecimento das organizações que lutam no Rio de Janeiro da justeza dos protestos e da necessidade de seguir avançando nessas lutas.

Imagens do ato e dos depoimentos podem ser vistos no vídeo da Mídia Independente Coletiva (MIC) publicado no YouTube em 26/7: www.youtube.com.

Inquérito político e perseguições

As milhares de páginas das investigações policiais são, como atestam denúncias publicadas nas redes sociais, recheadas de ‘pérolas’ típicas dos regimes fascistas. Nem mesmo Mikhail Bakunin, expoente anarquista falecido em 1876, escapou. Ele foi citado por um manifestante numa mensagem interceptada pela polícia, passando a ser considerado “potencial suspeito”. 

Nas casas dos ativistas presos em 12 de julho foram apreendidos panfletos, jornais e bandeiras, usados como “provas”. Tal como no Estado Novo de Getúlio Vargas e no regime militar fascista, as palavras ‘comunista’ e ‘anarquista” são, nas descrições do inquérito político, usadas para qualificar tal ou qual organização como um perigo a “ordem pública”.

De acordo com denúncia de ativistas que tiveram seus pertences apreendidos e a pretensa lista dessas apreensões divulgada pelo monopólio das comunicações, vários itens citados teriam sido plantados pelos policiais para incriminá-los.

Os ativistas foram presos devido ao “perigo potencial” que representam, segundo avaliação das forças de repressão e agentes do velho Estado e postos em liberdade devido a falta de amparo legal para as prisões.

No dia 29 de julho, o procurador de justiça Riscalla Abdenur, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, entrou com um agravo regimental dirigido ao desembargador Siro Darlan pedindo reconsideração da decisão que concedeu habeas corpus a 23 ativistas, visando encarcerar, mais uma vez, os jovens lutadores de nosso povo.

Em 30 de julho foi realizado o ‘Ato Nacional Protestar Não é Crime’ (conferir matéria na página 8 desta edição). Seguiremos acompanhando os acontecimentos e divulgando as novidades em nossa fan page no Facebook (facebook.com/jornalanovademocracia).

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Tel.: (11) 3104-8537

Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

EXPEDIENTE

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda 
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond 
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja

A imprensa democrática e popular depende do seu apoio

Leia, divulgue e conheça. Deixe seu nome e e-mail para se manter informado
Please wait