As “diferenças” das siglas do Partido Único

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Com a proximidade da data marcada para as eleições no Brasil e os institutos de pesquisas dos monopólios de comunicação alarmados com a propensão de grande parte do eleitorado a repudiar a farsa eleitoral, as siglas que compõem o Partido Único, principalmente PT, PSDB e PSB, ensaiam um joguinho de faz de conta para, mais uma vez, atrair a atenção do eleitorado para suas pseudodiferenças.

Tudo junto e misturado

As coligações, tanto ao nível nacional como estadual, são as provas cabais dessa condição de Partido Único que constituem as diversas siglas. Suas diferenças não vão mais além dos vorazes interesses de grupos correspondentes às oligarquias regionais e do afã de poder pessoal que distinguem as cúpulas de tais siglas. Exemplo disto é a situação patente do principal partido de sustentação do gerenciamento petista, o PMDB, que terá palanque diferenciado de seu aliado nacional na maioria dos estados. O mesmo PMDB que, liderado pelo atual vice-presidente Temer e candidato à reeleição, serviu como um dos principais sustentáculos para as privatizações do PSDB, sob o comando de FHC, agora entra no processo eleitoral com sua convenção obtendo pouco mais de 50% de apoio à candidatura de Dilma, pois, sua base carioca, liderando uma rebelião nacional, já hipotecou seu amor a Aécio Neves do PSDB.

Vale salientar que figuras carimbadas com o selo do regime militar como Sarney, Maluf e Delfim Netto, por exemplo, serviram a gregos e troianos dentro do Partido Único. O mesmo acontecendo com Henrique Meireles, o representante do sistema financeiro internacional, que, filiado ao PSDB e indicado por seus amos, foi aceito pelos petistas para ocupar o Banco Central do Brasil. Este foi um exemplo escancarado de “raposa tomando conta do galinheiro”, já que o FMI e o Banco Mundial queriam se certificar de que Luiz Inácio cumpriria à risca o que escrevera na “carta aos brasileiros” de se submeter às diretrizes do imperialismo. Junte-se a esta geleia geral a figura de Fernando Collor, que após cumprir cassação de seus direitos políticos, como resultado do seu impeachment, do qual o PT foi um dos principais articuladores, compõe hoje a sua base aliada. Noves fora o PSB, que há bem pouco tempo integrava o gerenciamento petista e que tecia loas tanto a Luiz Inácio quanto a Dilma Rousseff, a base aliada da gerente federal é quase a mesma que deu sustentação ao PSDB no gerenciamento de Cardoso. E mais, em São Paulo serve como base aliada de Geraldo Alckmin, candidato à reeleição tendo como vice um indicado pelo PSB de Eduardo Campos e Marina Silva, fantasiados de terceira via.

Enfim, capítulos conhecidos da nauseabunda novela: a farsa eleitoral que dá cobertura jurídica e legitimidade de “democracia” à ditadura de grandes burgueses e latifundiários a serviço do imperialismo, principalmente ianque.

Inventando “diferenças”

Verdade cada vez mais percebida pelo povo é que as principais siglas do Partido Único têm como ponto de coesão a política de subjugação nacional consubstanciada na submissão ao imperialismo e na manutenção da semifeudalidade. Estas são as características do capitalismo burocrático implementado no país que resulta no domínio da maquina estatal pelos representantes do imperialismo, da grande burguesia e do latifúndio. São os representantes destes setores que montam a farsa eleitoral através do financiamento das candidaturas, seja do executivo seja do legislativo, que se submetem e se comprometem com a defesa de seus interesses. Examinem-se os relatórios oficiais do STE (Superior Tribunal Eleitoral) sobre a prestação de contas das varias siglas para se constatar que os financiadores são praticamente os mesmos. Isto acontece porque estes financiadores sabem que qualquer dos que se elejam cumprirão o programa mínimo da manutenção do mercado, da subjugação nacional e da semifeudalidade. Daí que programaticamente as diferenças são cosméticas.

Chegado o período eleitoral é necessário criar o clima de quermesse, de rivalidade entre o partido azul e o vermelho. Pelos discursos pronunciados pelos principais candidatos do Partido Único poderemos ver que eles se esmeram em apontar diferenças entre eles, fazendo-as aparecerem como contradições irreconciliáveis. Aécio Neves acusa o PT de corrupção e de desmonte do Plano Real que, como vimos, foi elaborado pelo FMI e pelo Banco Mundial, e para tanto propõe um tsunami para varrer o petismo da gerencia do Estado. Luiz Inácio e sua criatura Dilma Rousseff reafirmam todos os seus compromissos com o imperialismo, com a grande burguesia e com o latifúndio, principalmente o agronegócio, e superfaturam a política de focalização da pobreza orientada pelo Banco Mundial, chantageando os beneficiários com a possibilidade de sua suspensão, tudo ao velho estilo de política dos coronéis.

Enquanto isso escondem a retirada de direitos conquistados pelos trabalhadores. Valendo-se do xingamento que a torcida de ricos desferiu contra Dilma Rousseff em jogo da Copa e de artigos de alguns jornalistas da imprensa dos monopólios, que o PT cevou e continua cevando, escolhe-os como seus principais inimigos e desafetos propondo a pseudopolaridade entre “eles e nós”. Ou seja, à guisa de discurso novo nas eleições, querendo com isso reviver os tempos passados quando o PT tinha uma militância que ia para as ruas e erguia sua bandeira vermelha. Esta foi substituída por marqueteiros e funcionários contratados e regiamente pagos para segurarem bandeiras verde e amarela. Por sua vez Eduardo Campos e Marina Silva procuram também uma diferenciação com seus concorrentes em cima de questões superficiais, restringindo-se mais ao quantitativo do que ao qualitativo, propondo mais do mesmo, tentando roubar os patrocinados de Aécio e de Dilma, afirmando que são mais capazes de realizar seus interesses e de “modo sustentável”.

Sobre a mudança do caráter do Estado, o fim do latifúndio, a independência nacional e uma real e nova democracia para as massas, obviamente, nenhuma palavra de nenhum deles além dos arroubos demagógicos próprios da farsa eleitoral.

Só a Revolução demarcará o campo entre nós e eles

Ao afirmar que não se combate o imperialismo sem simultaneamente combater o oportunismo, Lenin tinha bem presente a ideia de quanto é nociva e deletéria a ação do oportunismo infiltrado no campo do proletariado e do povo em geral para fazer a política do imperialismo.

Hoje, mais do que nunca, o oportunismo joga todas as suas fichas na farsa eleitoral para manter as massas acorrentadas a esta velha e falsa “democracia” das classes dominantes. Levantar bem alto a bandeira da Revolução de Nova Democracia, criando o instrumento para sua implementação: o Partido Revolucionário. Difundir amplamente o programa democrático da revolução baseado na Revolução Agrária e Anti-imperialista a ser implementado pela frente única das classes oprimidas, baseadas na aliança operário-camponesa e dirigida pela classe operária através de seu Partido Revolucionário.

Essa é a tarefa que está colocada para a juventude combatente do nosso país e para todos aqueles historicamente empenhados na transformação completa das estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais de nossa sociedade.

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