Trinta anos de nativismo

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Um dos precursores do movimento da música nativista do Rio Grande do Sul, o cantor e compositor Miguel Marques é um lutador em defesa das tradições culturais da sua terra. Comemorando trinta anos de carreira, acaba de lançar um disco com repertório contendo um apanhado do trabalho desses anos, parcerias com amigos poetas.

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Sou oriundo desse movimento nativista que dominou todo o Rio Grande do Sul, e também Santa Catarina e Paraná. Participei dos primeiros grandes festivais e muitos outros eventos pelo estado nesse sentido. Eu, o João de Almeida Neto, Cesar Escoto Passarinho, Leopoldo Rassier e muitos outros fizemos as primeiras músicas nativistas gaúchas –conta Miguel.

Esse movimento das composições nativistas está bastante ligado ao lado rural, a natureza, aquela coisa da raiz. A música nativista nos dá essa conotação. Quando compus o Ainda existe um lugar tive a certeza que estava fazendo exatamente o tipo de música que queria fazer, que era essa a linha musical que seguiria.

Queria falar sobre essas coisas maravilhosas da terra, o dia amanhecendo, a natureza na sua plenitude, as tradições gaúchas. A partir daí comecei a me dedicar de verdade a isso, que faz parte da minha própria vivência – continua.

Miguel é natural de Santiago, interior do estado, e passou sua infância em contato direto com as coisas do campo.

Ao mesmo tempo que morava na cidade, fui um menino que apanhava leite na fazenda, vendia leite, tinha essa mistura forte do urbano com o rural. Até hoje costumo evidenciar essas coisas naquilo que componho, tudo que canto é assim. Santiago é uma cidade espetacular e maravilhosa que tenho um carinho muito grande – expõe Miguel.

Meus amigos todos ainda estão por aqui. Estive fora por 29 anos e voltei. Fiquei todo esse tempo longe dos meus companheiros daqui, residindo em Porto Alegre, Santa Maria, Júlio de Castilhos, cidades daqui do sul mesmo, e agora estou muito feliz com esse retorno às minhas raízes culturais.

 Em 1997 Miguel foi escolhido ‘Melhor intérprete de Música Gaúcha’, entre outros reconhecimentos.

Costumo fazer as melodias e pedir a companheiros poetas que façam a letra, entre eles: Vaine Darde, Nilo Brum, Ivo Brum, Nenito Sarturi, Salvador Lamberty, Antônio Augusto Ferreira e mais – relata.

Gostaria de falar sobre pássaros, um rio, o mato, então peço para um dos meus amigos poetas escrever um texto sobre isso, e faço uma melodia adequada ao texto. É um trabalho em conjunto que fala um pouco de cada um, que toca no coração de todo gaúcho.

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