Filme retrata remoções e militarização

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Lançado em junho desse ano pela produtora Paêbirú Realizações, o documentário Domínio Público já acumula 50 mil visualizações no portal de vídeo da internet YouTube. As pesquisas para o filme começaram em 2011, focando inicialmente no novo cenário político do Rio de Janeiro na ocasião, com a instalação das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) e uma especulação imobiliária crescente, tendo em vista os megaeventos que se aproximavam. Com a expansão da pesquisa, os realizadores do filme começaram a perceber como a realidade das favelas, com as UPPs e as remoções, fazia parte da concepção de um projeto global de cidade-empresa, segregada e militarizada.

Em seguida, com a explosão de protestos agigantados em todo o Brasil no meio do ano passado, o filme tomou um rumo inevitável. A tarefa era contextualizar esses inúmeros aspectos da realidade política do país ao sentimento de revolta das massas que resultou nas jornadas de protesto popular de junho de 2013. E a equipe da Paêbirú não poupou esforços para tanto.

A Paêbirú Realizações surgiu em 2010 a partir da necessidade de se criar um espaço para agregar profissionais de audiovisual que já atuavam juntos, mas de forma desarticulada. O coletivo conta com diversos profissionais, como fotógrafos, designers, artistas plásticos, etc.. AND entrevistou os produtores e diretores do Domínio Público e traz o resultado com exclusividade para vocês.

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AND: Quando o filme Domínio Público conseguiu o financiamento coletivo através do portal Catarse a idéia, ao que parece, era tratar da questão das remoções de favelas e da militarização. Observando o resultado final, percebemos que vocês ampliaram a pesquisa e incluíram outros aspectos da realidade política do Rio de Janeiro em especial. Como se deu essa mudança dentro do processo criativo do filme?

Paêbirú: Houve um protesto na reabertura do Maracanã que contava apenas com atletas, indígenas, ativistas, idosos e crianças da Escola Friedenreich, e foi duramente reprimido pela polícia que atirou balas de borracha e bombas de gás a esmo, mesmo nas crianças. As lutas contra o aumento da passagem se nacionalizavam rapidamente com as vitórias de Porto Alegre e Goiânia e muito em breve estaríamos vivendo a Copa das Confederações e as Jornadas de Junho. As manifestações se tornaram um tema fundamental dentro do filme e acabamos por acompanhá-las até a greve dos professores em outubro. Depois entramos no processo de edição e finalização para lançá-lo durante a Copa do Mundo.

AND: E qual foi o maior legado da Copa e das manifestações até agora para vocês?

Paêbirú: O principal legado desse processo foi um aumento da  conscientização e mobilização política por parte da sociedade, com o surgimento de novos coletivos, resistências, articulações de grupos, midiativismo e greves. É impressionante a quantidade de coletivos que apareceram no Rio após junho de 2013.  Outro ponto fundamental é que os moradores de favelas também se mobilizaram e  não aceitam mais calados as injustiças cometidas pelo Estado. Antigamente a polícia matava, forjava o flagrante, efetuava os autos de resistência e ninguém falava nada. Hoje, os moradores descem para as ruas e avenidas da cidade e protestam quando há um assassinato ou tentativa de remoção. Houve diversos casos de 2013 para cá, como Cantagalo, Cidade de Deus, Alemão, Costa Barros, Telerj, Metrô Mangueira etc.

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AND: E como o filme está sendo divulgado?

Paêbirú: O filme ainda não está oficialmente no circuito dos festivais. Queremos dar um acabamento técnico melhor antes de começar a circular. Como tínhamos a ideia de estrear durante a Copa, apressamos um pouco o processo e não conseguimos finalizar o som e a cor do filme como queríamos. De qualquer forma, já fomos convidados para diversas mostras, festivais, exposições, escolas públicas e universidades. Participamos de mostras em Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Berlim, Londres, Paris e Buenos Aires. Além disso, temos uma parceria com o movimento Favela Não Se Cala e estamos programando exibições do filme em diversas favelas e comunidades. Já fizemos a primeira edição no Jacarezinho e a próxima deve acontecer no Alemão.

AND: Nós do jornal A Nova Democracia estamos começando um trabalho de produção de documentários através da AND Produções. Como vocês acham que o cinema pode servir como ferramenta de divulgação da realidade das massas?

Paêbirú: O cinema é uma arma poderosa que pode contribuir bastante com as lutas e revoltas populares. A linguagem audiovisual tem um poder de alcance enorme, tanto para a conscientização da população, quanto para dar visibilidade nacional e  internacional para os graves problemas do nosso país. O cinema sempre foi crucial nos momentos chaves de ruptura na história recente da humanidade, como uma arma de propagação ideológica, sendo usada por todos os lados, desde a Revolução Soviética que teve a participação de cineastas como Eisenstein, Pudovkin e Vertov, até o III Reich que sempre teve o suporte da cineasta Leni Riefenstahl. Hollywood foi uma das principais armas para propagar a ideologia capitalista norte-americana durante a Guerra Fria até os dias atuais. Devemos nos apoderar desse instrumento e buscar tanto na linguagem quanto no conteúdo do filme, romper com as amarras da ideologia dominante.

AND: Vocês querem mandar uma mensagem para os leitores de AND, personagens e apoiadores do Domínio Público?

Paêbirú: A nossa única mensagem para os apoiadores e personagens do filme é a nossa imensa gratidão. Somos extremamente gratos por todo apoio e carinho que recebemos na nossa caminhada. Esse é um filme construído coletivamente e  jamais seria realizado sem a colaboração de todas essas pessoas que acreditaram e incentivaram o nosso projeto.

AND: Quais são os próximos projetos da Paêbirú Realizações?

Paêbirú: Estamos em processos de produção de diversos projetos, com destaque para o longa-metragem Livres em co-produção com a AND Produções, onde participamos com muitos membros da produtora. Ficamos satisfeitos com mais essa parceria com AND, que foi um dos apoiadores do Domínio Público. O Livres é um documentário-ficcional que conta a história de 6 ex-presidiários que buscaram a arte como forma de sair da vida do crime e se reintegrar na sociedade. Estamos constantemente atualizando nosso site e redes sociais, para conhecer melhor a nossa produtora e os nossos projetos, acesse www.paebiru.com.

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