RJ: camelô é baleado por guarda municipal

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GM saindo da van segura uma pistola na mão direita

No dia 19 de setembro, duas pessoas foram baleadas por um guarda municipal no camelódromo da Uruguaiana, Centro do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, um grupo de guardas tentou roubar a mercadoria de um trabalhador e, diante da recusa, agrediram o camelô. Outros vendedores saíram em sua defesa. Foi quando um guarda sacou uma pistola calibre 380 e disparou dois tiros contra a multidão. Os disparos acertaram o comerciante Iago de Oliveira Gonçalves, de 21 anos, no braço; e a trabalhadora Faguiane dos Santos, de 36, ferida na perna. Levados para o Hospital Souza Aguiar, as vítimas foram liberadas poucas horas depois e passam bem.

— Eles pegaram um camelô, levaram para o canto e começaram a bater nele. Os outros camelôs viram e foram defendê-lo. Aí teve briga, mas o pessoal conseguiu impedir que eles continuassem agredindo o cara. Foi quando um guarda municipal apareceu com a arma abaixada, meio escondida para ninguém ver e deu dois tiros. Um pegou em mim e estourou o meu braço. Atravessou. A gente não está ali para roubar ninguém. A gente só quer trabalhar. Eles vêm quando nós estamos vendendo e tomam todas as nossas mercadorias. O que nós vamos fazer? Nós somos camelôs, não podemos fazer nada — conta o comerciante Iago de Oliveira.

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Marca do tiro no camelô

O episódio cria novas controvérsias no debate sobre o projeto de lei em tramitação na Câmara de Vereadores do Rio para equipar a Guarda Municipal com armamento letal. Dois dias depois que um camelô foi baleado e morto pela polícia em São Paulo, o mesmo aconteceu no Rio de Janeiro. Por sorte, não houve vítimas fatais. O jornal A Nova Democracia esteve no Hospital Souza Aguiar, onde conversou com o jovem Iago; e no camelódromo da Uruguaiana, onde entrevistou pessoas do povo e testemunhas do crime. Um camelô cedeu imagens do momento do disparo que foram divulgadas em um vídeo de AND na internet.

Dias depois, o comando da Guarda Municipal identificou o criminoso como sendo Fernando Perpétua da Cunha.

Fernando nem ao menos era membro efetivo da GM e ainda estava em estágio probatório. Ele foi autuado por porte ilegal de arma e tentativa de homicídio e foi transferido para Bangu no mesmo dia. Ele diz ter atirado para o alto, mas três testemunhas afirmaram na 5ª DP, onde o caso foi registrado, que Fernando atirou contra a multidão. Mas nem o episódio colocou freio nas ações covardes da GM contra os camelôs no Centro do Rio. No dia 26 de setembro, durante ação do GOE (Grupo de Operações Especiais da GM), camelôs se organizaram para resistir e houve um intenso confronto. O enfrentamento começou depois da prisão arbitrária de um trabalhador. Ao fim da ação, dois camelôs foram presos e três guardas ficaram feridos. No Souza Aguiar, seis trabalhadores deram entrada com ferimentos leves.

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Vendedor foi atendido no Hospital Souza Aguiar

—  O povo não pode reclamar da violência, quando um trabalhador é proibido de trabalhar. O que ele vai fazer? Muitos entram para o crime. Muitos aqui, por não poderem ganhar a vida honestamente, acabam entrando para tráfico, ou vão roubar. Vai fazer o quê? Ser tratado como bandido sem fazer nenhum mal a ninguém? Isso ninguém quer. Ser humilhado, esculachado, perder a dignidade. Ninguém quer passar por uma coisa dessas. Nós só queremos trabalhar em paz — desabafa uma comerciante que preferiu não se identificar.

Em 3 de outubro, a reportagem de AND esteve na Uruguaiana e constatou a presença de vários ônibus e agentes de repressão da GM que permaneciam no local para intimidar a presença dos camelôs.

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