Persistir no boicote

A- A A+

http://www.anovademocracia.com.br/139/03.jpg

A desordem de junho/julho de 2013 aparece agora como fantasma a apavorar os promotores e participantes da farsa eleitoral. Os que só veem as coisas pela aparência não conseguem enxergar que os apelos desesperados do velho Estado para o povo comparecer às urnas, as explicações amarelas dos monopólios de comunicação para as disparidades entre suas pesquisas e a realidade, candidatos eleitos em primeiro turno disputando com o boicote e o choro dos oportunistas com a cantilena sobre favorecimento da direita são os sintomas mais do que evidentes de que este podre e corrupto processo eleitoral brasileiro de há muito já devia estar na lata do lixo.

Dinheiro do povo para chantagear o povo

Não bastasse o povo ter que pagar, via renúncia fiscal, o famigerado horário eleitoral gratuito, o TSE engrossou a renda dos monopólios de comunicação com comerciais repetidos à exaustão conclamando o povo a comparecer às urnas e colocando sobre seus ombros a culpa caso tal ou qual bandido seja eleito.

Os resultados, porém, mostraram que nem mesmo esta chantagem, combinada com o jogo de faz de conta dentro do Partido Único, forjando diferenças entre seus principais postulantes, foi capaz de envolver o conjunto do eleitorado em seu canto de sereia.

O grito das ruas de junho/julho de 2013 foi reproduzido nas manifestações localizadas no campo e na cidade. Estes protestos pontuais durante todo o restante de 2013 e 2014 traziam em seu bojo o repúdio a esta velha e surrada “democracia” da grande burguesia e do latifúndio, serviçais do imperialismo. É claro que os burocratas da Justiça Eleitoral, pressentindo o que poderia acontecer, encetaram tal campanha para tentar evitar o mal maior.

Pesquisas manipuladas

Logo na segunda-feira posterior ao pleito, os monopólios de comunicação se apressaram em deitar explicações para o fato de que suas pesquisas, inicialmente a cada semana e depois de dois em dois dias e até na boca de urna, não bateram com os resultados apresentados no final da apuração.

A combinação de tais pesquisas com a determinação do marqueteiro sobre qual tema e roteiro o candidato deve seguir, deixando para segundo plano suas propostas e planos de governo, é mais um sinal do caráter farsante do falido processo eleitoral. Daí a importância que têm as obras de fachada apresentadas como a grande vantagem dos candidatos à reeleição, mesmo que tais obras venham se arrastando a mais de dez anos, como a transposição do rio São Francisco, as ferrovias e os metrôs, como os de Fortaleza e Salvador.

O principal objetivo das pesquisas é colocar em destaque o “seis” e a “meia dúzia” e daí para frente administrar o jogo para que um dos dois saia vencedor uma vez que ambos estão de pleno acordo em se submeterem à política de subjugação nacional como esclarecemos em edições passadas nesta página.

Caso digno de nota foi a barriga cometida no Rio Grande do Sul onde as pesquisas apontavam Tarso Genro em primeiro e Ana Amélia em segundo e no final da apuração deu José Ivo Sartori em primeiro e Tarso Genro em segundo. De que adiantou toda aquela ladainha de percentual de margem de erro e confiabilidade de 95%?

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

O boicote vai para o segundo turno

Como as pesquisas poderiam ser confiáveis se desprezavam um fator determinante para se aferir as intenções de voto do eleitorado? A abstenção é um fator sempre presente em cada eleição, mas, nesta eleição com especialidade, como resultado do levante popular, é lógico que a mesma teria uma maior influência no resultado do pleito, principalmente quando combinada com o somatório de votos nulos e brancos.

Veja-se, por exemplo, no caso da votação para presidente da república: de um eleitorado de cerca de 142 milhões de aptos a votar, a candidata Dilma obteve o primeiro lugar com pouco mais de 43 milhões de votos, apenas um pouco acima dos quase 38 milhões de votos brancos, nulos e as abstenções. Mais gritante foi a situação do Rio de Janeiro, onde os protestos tiveram maior intensidade. Neste estado os cerca de 4 milhões do somatório de brancos, nulos e abstenções superaram em larga escala os 3.242.513 votos dados ao candidato Pezão, primeiro colocado entre os candidatos a governador que deverá disputar com o boicote a maioria do eleitorado no segundo turno.

Na Bahia, o boicote ganhou com 3,6 milhões do somatório de brancos, nulos e abstenções, mas não levou, já que o candidato Rui Costa do PT foi declarado eleito já no primeiro turno, com 3.558.975 votos. Embora em situação menos desconfortável, outros candidatos como Alckmin (SP) e Pimentel (MG) foram eleitos em primeiro turno, brigando com o boicote. Alckmin obteve 12.230.870 votos contra cerca de 10.600.000 do somatório de brancos, nulos e abstenções, num eleitorado na faixa de 32 milhões. Já em Minas os cerca de 15 milhões de eleitores viram Pimentel se eleger em primeiro turno, com apenas 5.362.870 votos, quase não ultrapassando o boicote que ficou na marca de 5.100.000  eleitores.

Ao eliminar dos cálculos os votos em branco, os nulos e as abstenções, o sistema eleitoral contribui para mascarar os resultados da votação quanto à representatividade e, por que não dizer, a legitimidade do eleito. Assim, o governador eleito, Paulo Câmara, em Pernambuco, foi apresentado como o campeão de votos com 68% dos votos válidos. Na verdade, o nosso campeão obteve 3.009.087 votos de um universo de mais de 6.350.000 aptos a votar, portanto, menos de 50% do eleitorado pernambucano.

Porque prosseguir com o boicote

O boicote à farsa eleitoral, cuja expressão maior, nas condições atuais, é o desconhecimento do processo pelo não comparecimento às urnas, tem um significado que ultrapassa o simples protesto ou uma indignação com os candidatos em disputa.

O boicote, tampouco representa uma atitude de conformismo, niilismo ou uma manifestação de alienação. O boicote é uma postura ativa e consciente que nega não apenas o processo em si, mas tudo que lhe serve de base. E, esta negação já traz consigo a afirmação do outro caminho expresso, por exemplo, na palavra de ordem “Eleição é farsa, não muda nada não! O povo organizado vai fazer revolução!”.

Implica, pois, em negar a condição semicolonial a que o Brasil é submetido e a qual serve este corrupto e apodrecido processo eleitoral e, ao mesmo tempo, afirmar a necessidade de uma revolução democrática capaz de estabelecer uma Nova Democracia que tenha como substrato uma verdadeira nova política, uma nova economia e uma nova cultura para o nosso país.

Os oportunistas nos acusam de (com a campanha pelo boicote) favorecermos a vitória da “direita”. Ora, a vida tem demonstrado que o Partido Único dentro do qual se encontram siglas como PT, PSDB, pecedobê, PMDB, PSB e as demais, é um partido de direita que tem como cláusula programática a política de subjugação nacional com todas as suas consequências sobre a política, a economia e a cultura geral do Brasil.

Sob este ponto de vista, que diferença faria ter eleito Alckmin, Skaf ou Padilha em São Paulo? Que diferença faria eleger Pezão, Garotinho, Crivella ou Lindberg no Rio? Por acaso quando o PT, com Luiz Inácio e Dilma, substituiu o PSDB de Cardoso, não implementou, no essencial, a mesma política de subjugação nacional de seus antecessores? De que se trata, portanto, é de se tomar ou não a decisão de revolver todo este entulho que sufoca e atrasa a vida da nação através de uma revolução de Nova Democracia que liberte o campesinato, a classe operária e as pequena e média burguesias do jugo do latifúndio, da grande burguesia e do imperialismo.

Insistir na posição de buscar o ‘menos pior’ dentro do Partido Único só contribuirá para dar continuidade a toda opressão e exploração sobre a nação e seu povo. Estamos, pois, com Lenin quando afirmava que não se combate o imperialismo sem se combater, simultaneamente, o oportunismo.

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Tel.: (11) 3104-8537

Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

EXPEDIENTE

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda 
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond 
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja

A imprensa democrática e popular depende do seu apoio

Leia, divulgue e conheça. Deixe seu nome e e-mail para se manter informado
Please wait