Preparemo-nos para grandes batalhas

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Quando falamos do apodrecimento do velho Estado brasileiro estamos nos referindo ao conjunto de suas instituições. É uma crise geral de caráter degenerativo em alto grau a atingir toda a sociedade na economia, na política, no social, na moral, na religião e na cultura geral.

E a prova mais contundente do que afirmarmos foi a recente campanha eleitoral para o gerenciamento deste Estado. Os brasileiros tiveram seus lares invadidos pela lavagem de roupa suja entre os candidatos, representantes das classes dominantes, numa peleja em que as vísceras do sistema político foram expostas ao ponto dos contendores desdenharem profundamente conceitos que os burgueses, hipocritamente, dizem prezar, como decência, ética e moral.

Se alguém tinha alguma dúvida quanto a total deterioração do sistema eleitoral brasileiro, esta foi, talvez, a chance por excelência de comprová-lo, diante do deprimente espetáculo propiciado pelas frações das classes dominantes na busca de servir com denodo ao imperialismo e se apoderar das sobras que este lhes deixa.

“Numa eleição só é feio perder”

Este dogma da velha política das classes dominantes brasileiras, para manutenção de sua velha democracia, foi incorporado pelos oportunistas do PT e do pecedobê e aplicado, em fase de teste, tanto nas eleições do movimento estudantil quanto nas eleições sindicais. Sua aplicação com o máximo rigor garantiu a continuidade do bloco oportunista no gerenciamento dos interesses do latifúndio, da grande burguesia e do imperialismo no Brasil.

A encenação da farsa eleitoral neste ano de 2014 foi um espetáculo digno de picadeiro de circo de quinta categoria. As siglas do Partido Único que chegaram ao segundo turno da eleição, ambas comprometidas até os fios dos cabelos com a política de subjugação nacional, tiveram que produzir diferenças entre as duas candidaturas no sentido de criar um clima emocional no eleitorado de modo a conduzi-lo a uma polarização.

Diante da tremenda semelhança entre as duas candidaturas, a polarização não poderia se dar quanto ao programa, imposto a ambas principalmente pelo FMI e Banco Mundial. Assim, só lhes restou esmerarem-se em chafurdar o terreno da baixaria, das mentiras e falsas promessas, do disse-me-disse, enfim, do vale tudo da “desconstrução” do outro ao procurar demonstrar quem é mais ou menos corrupto. E nesse jogo o marqueteiro assume o papel principal, acima mesmo do próprio candidato, e as pesquisas dão o tom do que dizer e fazer no próximo debate.

Foi a esta pouca vergonha, a esta degenerescência, que os burocratas do TSE, sem o menor pejo, chamaram de “festa da democracia” brasileira. O fato de milhões de reais serem aportados dos bancos, empreiteiras e transnacionais nas principais candidaturas, para eles, constitui-se de algo perfeitamente normal numa “democracia”, assim como o encabrestamento do Norte, do Nordeste e de resto de toda população pobre do Brasil sob a ameaça de deixá-la soçobrar na miséria.

Ingênuo é quem esperava algo diferente. Na verdade, quanto a isso, pode-se até afirmar que a dose foi maior mas, nada muito diferente da costumeira farsa montada pelo velho Estado para que tudo continue como está.

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Mais do mesmo

A continuidade do oportunismo petista no gerenciamento do Estado brasileiro só poderá, no melhor cenário possível de recuperação econômica mundial, trazer mais do mesmo que já vinha se desenhando. Porém, com o provável agravamento da crise geral, e principalmente na economia, o que vinha sendo escondido da população sob o pretexto de não prejudicar a candidatura de Dilma Rousseff, será menos do mesmo.

Mais arrocho salarial, mais subemprego, mais inflação, mais transferência de renda para os ricos sob as mais variadas formas como juros altos, renúncia fiscal, financiamentos subsidiados de longo prazo e, combinando com tudo isso, mais repressão contra o movimento camponês e contra o povo pobre das cidades.

Pelo lado do povo, sua disposição de ir à luta para conquistar a terra, melhorias salariais e condições de vida mais dignas já vem se desenvolvendo e desde junho de 2013 produziu-se um salto. E, tudo indica, que tenderá para uma curva ascendente diante da crise que desbordará impondo-lhe imensos sacrifícios.

O novo se desenvolve sob o lamaçal

Os setores da “esquerda” eleitoreira, em sua obstinação oportunista de direita, requentou a velha teoria do voto no “menos pior”. Sem atentar para o fato de que o menos pior é pior também, não conseguem ou se recusam a enxergar que, principalmente após o levante popular, o que é novo se desenvolve por baixo da purulenta questão eleitoral, sacudindo e estremecendo a velha ordem.

A repulsa à farsa já manifestada no primeiro turno e reafirmada no segundo turno, mesmo diante do artificial clima de polarização criado entre os falsos oponentes, foi a demonstração maior de que cerca de um terço do eleitorado brasileiro, mais que repudiar o processo, já começa a colocar suas vistas na busca de dar enfrentamento aos problemas de nossa sociedade através de sua participação direta, mandando para a lata do lixo o velho engodo da democracia representativa.

Preparemo-nos para grandes batalhas

Se a continuação do oportunismo na gerência do Estado anima as forças da reação a cobrar mais sangue de camponeses e de operários a mando de latifundiários e empreiteiras, por outro lado, as massas populares trabalhadoras do campo e da cidade preparam sua resistência através da luta classista, mobilizando, politizando e organizando o povo para dar enfrentamento não apenas às investidas do governo das classes dominantes, mas em avançar com a revolução agrária no campo e na organização do protesto popular na cidade. Mais do que nunca urge a criação de uma direção revolucionária que, sob uma perspectiva proletária, possa apontar de forma expressa e concreta o caminho de uma Revolução de Nova Democracia, conduzir a luta para alcançar este objetivo e sirva a marchar para o socialismo.

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