A farsa eleitoral e a crise inevitável

A- A A+

http://www.anovademocracia.com.br/141/03.jpg

Dentre os vários tópicos do esclarecedor editorial da edição passada do AND, a afirmação de que “Com muito mais dificuldade que nos pleitos anteriores, as siglas eleitoreiras conseguiram transformar a farsa eleitoral em um plebiscito... e talvez nem se deram conta de que cada voto para seu candidato foi, na verdade, o voto contra o outro, voto esse influenciado por preconceitos, moralismos, ataques pessoais, etc.”. Esta constatação nos remete a outra que já vínhamos advertindo em nossas páginas: os eleitos carecem cada vez mais de legitimidade. Caso mais expressivo disso foi o resultado do Rio de Janeiro, onde Pezão obteve uma votação menor do que a soma dos votos brancos, nulos e abstenções.

No caso da eleição para a gerência da semicolônia Brasil, além dos votos brancos, nulos e abstenções, se considerarmos a categoria do voto constrangido, ou seja, o voto contra o outro, também chamado de “voto útil” ou “voto no menos pior”, veremos que tanto a vencedora, no caso Dilma Rousseff, quanto Aécio Neves, que perdeu por 3% de diferença, não têm motivos para arvorarem a legitimidade que ambos passaram a arrotar depois do pleito.

Pois que, na verdade, a ilegitimidade não está mesmo nos números e sim no caráter corrupto e putrefato do processo eleitoral que emana deste sistema de exploração e opressão semicolonial e semifeudal a que o imperialismo, principalmente ianque, subjuga a nação e nosso povo, através do velho Estado genocida e seus gerenciamentos de turno.

Como afirmamos em nosso artigo na edição passada, tanto os representantes do Partido Único quanto a “esquerda” eleitoreira se esforçam para passar a ideia de que a briga entre o velho e o novo no País se trava por dentro de dito processo eleitoral. Processo este que nasceu podre no Brasil colonial, seguiu purulento na “República” e supura nos dias atuais. Historicamente, no Brasil, o novo só tem sido o revoltoso, que ao longo dos 5 séculos veio sendo esmagado a ferro e fogo todas as vezes que emergiu e ameaçou a velha ordem. Assim foi com a resistência indígena aos “conquistadores”, a resistência dos negros escravos, as lutas independentistas do jugo português e de expulsão dos holandeses, as inúmeras insurreições em diferentes regiões do país de afirmação da nacionalidade após a separação de Portugal, as guerras camponesas, as insurreições e revoltas armadas anti-oligárquicas, o Levante Popular antifascista de 1935, as novas lutas camponesas armadas, as lutas armadas contra o regime militar fascita pró-imperialista.

O novo é o que segue persistindo e arde como fogo de monturo, lançando de tempos em tempos labaredas aqui e acolá. O novo é a negação dessa velha ordem e que se gesta e expressa na rebeldia do boicote, da urna incendiada por um operário no interior de Minas Gerais e, mais que isso, nas chamas das barricadas erguidas nas ruas e estradas, nas quais o povo escreve com fogo as suas reivindicações.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Fascistas X comunistas

Porém, entremos aos números a ver o que revelam por debaixo da cortina de mentiras, ginásticas estatísticas por pintar de outras cores a realidade. A falsa polarização da campanha eleitoral ultrapassou o pleito turbinada pela ressurreição do PSDB produzida pelo PT, que, temendo a candidatura de Marina, escolheu Aécio para adversário no segundo turno e pelo desgaste petista, comprovado pela perda de 20% de sua bancada parlamentar, como também pela baixa votação de Dilma na maioria dos estados economicamente mais fortes e desenvolvidos. O clima de “guerra fria” com manifestações e alarmes de golpe logo na primeira semana, na mais ridícula e delirante encenação em que uns fazem poses como se fossem de esquerda e os outros atiram contra estes a pecha de perigosos comunistas, é outra farsa que não passa de mistificação e ação diversionista com a finalidade de conservarem posições conquistadas no apodrecido jogo eleitoral.

Senão vejamos: a composição inicial do PT, formado por trotskistas, guerrilheiros arrependidos, igrejeiros e sindicalistas treinados pela CIA, depois ampliada por revisionistas, arrivistas e oportunistas de vários calibres, não deixa a menor sombra de dúvida de que esta sigla do Partido Único, mesmo usando o fantasma de Cuba, não passa de, nada mais nada menos, uma organização de direita.

A comprovação disso no terreno da prática se dá pelo fato de há doze anos assumirem o compromisso de gerenciar o Estado brasileiro sob o tacão da política de subjugação nacional estabelecida pelo imperialismo, através de seus órgãos executores de tal política como FMI, Banco Mundial, OMC e outros. Neste aspecto está a sua semelhança com o PSDB e também com Marina Silva, como bem já demonstramos nesta página em edições anteriores. Acontece que a extrema direita, cujo candidato só serviu para ser alvo de zombarias nas redes sociais, tentou botar na rua o seu bloco de torturadores de ontem e de hoje, esbravejando o seu anticomunismo visceral, aproveitando-se da parca representatividade de Dilma nas regiões já citadas, procurando angariar adeptos entre aqueles que votaram em Aécio, não por achá-lo o melhor, mas por serem contra Dilma e o PT.

Ver qualquer traço de comunismo em Dilma, uma delatora e renegada que usa sua prisão pelo regime militar para enganar incautos, e no PT, com sua récua de bandidos da velha “democracia” brasileira, só pode ser obra da genialidade política de imbecis ou dos espasmos e flatulências das mentes doentias dos Reinaldo Azevedo e Olavo de Carvalho da vida. Quanto ao fascismo, este não é monopólio das mentes doentias que habitam estas cabeças e a das demais viúvas do regime militar.

O fascismo é a política do capital financeiro de acerto de contas com a classe operária, quando em crise aguda e de forma permanente, para manter o seu domínio sobre as colônias e semicolônias, fazendo, portanto, parte intrínseca do Estado semicolonial. Portanto, é uma tremenda mistificação a acusação de tentativa de um golpe de direita e de ameaça fascista no Brasil.

Primeiro porque o gerenciamento petista serviçal do imperialismo, do latifúndio e da grande burguesia, ao reafirmar seus compromissos com a política de subjugação nacional, já confirmada mediante a elevação dos juros da taxa Selic, do reajuste dos combustíveis, da energia elétrica e da redução de gastos com o social, não oferece ameaça alguma aos mais secundários interesses de seus amos, muito ao contrário.

Em segundo lugar, o gerenciamento petista ao praticar a corporativização das massas, ao reimpulsionar as forcas armadas como tropa de ocupação, ao manter os campos de concentração em forma de presídios, ao administrar a opressão e exploração sobre operários e camponeses e ao incrementar a criminalização do povo pobre, já há doze anos vem aprofundando o fascismo.

A guisa de constatação

Algumas lições devem ser tiradas deste fraudulento processo eleitoral para afirmar perante aqueles se iludiram com o mesmo, alertando assim para os próximos pleitos:

1

O processo eleitoral é um sistema de Partido Único das classes dominantes exploradoras, dividido em várias siglas eleitoreiras que disputam o gerenciamento de turno no velho Estado.

2

A eleição é uma farsa que nada muda na estrutura econômica, política e social do país.

3

Ganha a eleição quem recolhe mais dinheiro, Dilma que o diga.

4

Bancos, transnacionais, empreiteiras e agronegócio são quem financiam todos os principais candidatos.

5

As pesquisas são um dos principais instrumentos de manipulação das eleições.

6

O aumento do número de votos branco e nulos e especialmente da taxa de abstenção (boicote) foi resultado da elevação do protesto popular.

7

A continuação do gerenciamento petista, com a inevitável explosão da crise econômica que maquiou para ganhar as eleições, viverá seus dias de inferno, traições de aliados, rachas internos, mais corrupção, mais repressão e crises políticas sucessivas.

8

O movimento camponês seguirá tomando terra e destruindo o latifúndio.

9

Na cidade, o movimento operário continuará sua marcha de depuração com a expulsão dos pelegos e desmonte da corporativização.

10

As rebeliões populares nas cidades seguirão explodindo e a juventude combatente elevará crescentemente sua consciência política, apesar da repressão fascista.

11

O rechaço à velha ordem e o boicote à farsa eleitoral seguirão crescendo e o caminho da Revolução de Nova Democracia se afirmará cada vez mais.

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Tel.: (11) 3104-8537

Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

EXPEDIENTE

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda 
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond 
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja

A imprensa democrática e popular depende do seu apoio

Leia, divulgue e conheça. Deixe seu nome e e-mail para se manter informado
Please wait