RJ: “obscuridades” sobre a morte de DG

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No último dia 12 de março, a promotora de justiça titular da 15ª Promotoria de Investigação Penal devolveu à 13ª DP (Leblon, Zona Sul do Rio) o inquérito sobre a morte do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, assassinado por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro do Cantagalo, em abril de 2014. Segundo a promotoria, várias “obscuridades” no inquérito precisam ser esclarecidas. Por exemplo, porquê a camisa de DG estava sem a marca do disparo que o atingiu e vestida do lado avesso quando ele foi encontrado? A 13ª DP tem 15 dias a partir da data da devolução para esclarecer todos os apontamentos.

O tiro que matou o dançarino do programa Esquenta, da famigerada Rede Globo, foi disparado pelo PM Walter Saldanha Correa Junior, segundo o delegado. No dia 4 de março, a prisão preventiva do policial foi solicitada pela 13ª DP. No entanto, como insinuam as “obscuridades” apontadas pela promotoria, além de matarem o dançarino, os PMs envolvidos no caso teriam tentado fraudar a cena do crime, simulando uma queda de DG do telhado de uma creche.

Em novembro, o caso voltou a ganhar as páginas dos jornalões, depois que Maria de Fátima, a mãe de DG, veio a público desmascarar a apresentadora do programa Esquenta, Regina Casé. Na ocasião, durante uma mesa redonda na SerNegra (Semana de Reflexões sobre Negritude, Gênero e Raça), um evento que homenageia o Dia da Consciência Negra em Brasília, Maria de Fátima disse que sua participação no programa Esquenta após a morte de seu filho foi uma verdadeira farsa. Segundo Maria, a produção do programa disse que ela só poderia falar quando autorizada e não poderia culpar a polícia pela morte de seu filho. Além disso, ela disse que até hoje não foi procurada pela apresentadora, uma “farsa”.

— Eu encontrei uma carta do Dom-Dom, porque era assim que nós o chamávamos na família, na qual ele já dizia que queria sair da Globo, do programa Esquenta, porque ele havia entrado lá querendo se projetar como músico, e como ele não conseguiu, decidiu que sairia da emissora em dezembro. Mas ele morreu em abril. Ele já planejava viajar e buscar uma oportunidade na França, mas, infelizmente, aconteceu o que aconteceu. Ele saiu de casa para ver a filha e eu estou esperando ele voltar até hoje — disse Maria de Fátima em um vídeo publicado poucas semanas atrás nas redes sociais.

— A nossa polícia não protege ninguém, ela está matando os nossos jovens. Eu gostaria de encontrar os comandantes dessa polícia e perguntar para eles se eles têm filhos. Porque não tem explicação, um menino prestativo, alegre e sorridente ser morto dessa forma tão cruel. Segundo alguns moradores, o grupo que matou o DG permaneceu na favela do Cantagalo. Permaneceram na favela até duas semanas atrás. Como o morador vai se encorajar a ir à delegacia prestar esclarecimentos?Se eu fico triste? Não. Eu ficaria se uma dessas pessoas fosse à delegacia e acabasse assassinada como o meu filho — diz.

— Mesmo as pessoas que vão à delegacia prestar queixas, ou testemunhar, quando entram lá já são discriminadas pela cor da pele, por serem negras. São taxadas de faveladas e marginais e não são atendidas dignamente. Não foi só o meu filho que foi assassinado, eu não sou a única mãe que precisa investigar, correr atrás, ir à delegacia, para desvendar a morte do filho. São muitas. Mas a pergunta que não quer calar é: porque esses policiais fazem isso? Porque o policial Walter fez isso com o meu filho? Porquê?— pergunta.

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