51 anos do golpe: Juventude combatente mancha o Clube Militar de vermelho

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No 1º de abril de 1964 abriu-se uma das épocas mais infelizes da história recente do Brasil. O golpe que deu início aos 21 anos de regime militar fascista inaugurou a fase em que as torturas, assassinatos, sequestros, a repressão aos movimentos populares, a censura e a restrição das já minguadas liberdades democráticas passaram a ser a regra. Todos os anos este dia é marcado por manifestações que exigem a punição dos torturadores, assassinos, mandantes e executores dos crimes contra o povo praticados neste período. 51 anos depois, agora em 2015, não foi diferente.

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Fachada do Clube Militar manchada de tinta vermelha

No Rio de Janeiro, cerca de 100 manifestantes se reuniram nas escadarias da Assembleia Legislativa para realizar o ato pela punição dos torturadores. O protesto foi convocado pela Frente Independente Popular (FIP-RJ) e contou com a participação marcante de organizações como o Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), a Unidade Vermelha – Organização Revolucionária Nacional Libertadora (UV – ORNL), o Coletivo Feminino Anita Garibaldi, o Movimento Feminino Popular (MFP), entre outras, que deram o tom combativo da manifestação. Somaram-   se ao protesto, professores que realizavam um ato em defesa da educação.

Após a concentração, os manifestantes saíram em passeata pelas ruas do Centro em direção ao Clube Militar, localizado na Cinelândia. Os mártires do povo brasileiro, heróicos e autênticos revolucionários, comunistas e progressistas tombados na luta contra o fascismo, foram lembrados e homenageados todo o tempo. “Vitória, vitória, tarda mas não falha, e viva a gloriosa Guerrilha do Araguaia!”, bradaram os jovens a plenos pulmões. Pichações exigindo punição para os torturadores foram feitas em alguns muros da região central.

— Sofremos perseguições políticas, mas estamos nas ruas. Não vamos nos calar diante das ameaças do Estado. Hoje temos 23 companheiros e companheiras sofrendo processos. O quadro atual prova cabalmente que, embora o regime militar tenha acabado, as classes que mandavam no Brasil nesta época continuam mandando na atualidade: os grandes burgueses e os latifundiários, todos a serviço do imperialismo. O povo continua sofrendo com a violência policial nas favelas e periferias. Afirmamos: PT, PSDB, PMDB, pecedobê, etc, são todos farinha do mesmo saco, gerentes de turno do velho Estado e inimigos do povo. A velha democracia brasileira é uma farsa, este país, na verdade, precisa de uma revolução — afirmou uma manifestante da FIP-RJ.

Durante o trajeto, os ativistas também cantaram palavras de ordem pela liberdade dos presos políticos e contra os processos de perseguição da atualidade. O MEPR levantou uma grande faixa com a frase ‘Liberdade para Igor Mendes e todos os presos políticos da cidade e do campo!’. Igor permanece preso de forma arbitrária desde o dia 3 de dezembro do ano passado no Complexo Penitenciário de Bangu.

Quando a passeata chegou em seu destino final, um grupo de ativistas lançou garrafas com tinta vermelha em direção à fachada do Clube, simbolizando o sangue dos brasileiros e brasileiras que, generosamente, entregaram suas vidas na luta contra o regime fascista. A polícia atacou os manifestantes de forma covarde, prendendo quatro jovens aleatoriamente. Nossa equipe registrou o momento em que dois dos presos, cercados por dezenas de PMs, deram exemplo de postura militante enquanto estavam sendo revistados e postos contra a parede.

— Estamos sendo presos pelo aparato repressivo dos governos Dilma, Paes e Pezão, que são bandidos. Querem impedir o direito de livre manifestação... Eles cumprem o mesmo papel dos algozes gorilas de 1964. Estão nesse momento torcendo minha mão, estão me batendo covardemente para evitar que eu faça essa denúncia para vocês da imprensa e para o povo brasileiro — denunciou Mateus Magioli, um dos presos.

Os quatro foram imobilizados e jogados à força nos camburões da PM. Em seguida, a reportagem de AND foi até a 17ª DP, em São Cristóvão, para onde eles foram levados e liberados por volta das 3h da madrugada.

1964 nunca mais!

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Faixa exigindo a liberdade de Igor Mendes

Em outras partes do Brasil, organizações populares realizaram inúmeras atividades, debates e atos públicos. Em São Paulo e Belém (PA), a Unidade Vermelha – ORNL fez panfletagens. Na capital paulista, a atividade foi realizada na região do antigo prédio do Dops, atual Pinacoteca, e em Belém os panfletos foram distribuídos no Mercado Ver-o-peso, um ponto bastante frequentado por trabalhadores de toda região metropolitana. Na cidade de Campinas (SP), cerca de 50 jovens antifascistas tomaram as ruas para repudiar o regime militar fascista e denunciar os crimes que são cometidos contra o povo até os dias de hoje pelo velho Estado burguês-latifundiário e seus gerenciamentos de turno.

A Unidade Vermelha – ORNL também realizou uma panfletagem em Porto Alegre (RS). Em relato enviado à nossa redação, os ativistas afirmaram que “no Rio Grande do Sul o ato-panfletagem contou com distribuição de exemplares do jornal A Nova Democracia alusivos aos 50 anos do golpe militar [edição publicada ano passado]. A panfletagem aconteceu em meio à Feira do Peixe, em um terminal rodoviário e aos arredores do Mercado Público de Porto Alegre. Os pequenos comerciantes de peixe e os populares aceitaram de boa fé os panfletos e os jornais”.

“São novos tempos para o povo brasileiro e para os revolucionários. As organizações populares e revolucionárias vêm avançando na luta popular. As contradições do capitalismo vêm se acirrando. De um lado, vemos a repressão do velho Estado aumentar, com prisões e assassinatos, bem como vemos as medidas antipovo da gerente Dilma Rousseff, demandas do imperialismo. Do outro, vemos a resposta do campo e da cidade, que se levantam contra a exploração”, acrescentaram os ativistas.

Escracho contra Rondon Pacheco

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"Os terroristas vestem fardas", dizia a faixa da FIP-RJ

O leitor José Renato Resende nos enviou o relato de uma atividade na Universidade Federal de Uberlândia (MG), onde foi realizado “um ato de repúdio à ditadura por parte do movimento estudantil, depois de ter ocupado a Reitoria, a Prefeitura Municipal e a Câmara Municipal”. Os estudantes se reuniram “para escrachar o busto do ex-ministro Rondon Pacheco, que fica no coração do campus, aos fundos da Faculdade de Direito. Rondon Pacheco foi chefe da Casa Civil do governo Costa e Silva e responsável pela decretação do AI-5. Era considerado cruel até pelos próprios militares. Hoje, Rondon continua vivo e, aos 96 anos de idade, é o único sobrevivente da alta cúpula do regime militar”. Ele “também dá nome à principal avenida de Uberlândia (Av. Governador Rondon Pacheco). Mesmo depois de tudo isso, Rondon não foi sequer investigado por seus atos durante a ditadura ou intimado para depor na Comissão Nacional da Verdade e segue impune, rumo aos 100 anos de idade”.

Em Fortaleza (CE), o grupo Aparecidos Políticos realizou o ato ‘Lembrar para não repetir’ na praça em frente ao 23º Batalhão de Caçadores do exército. Diversas outras atividades foram realizadas em outras regiões do país, em capitais e no interior. Quatro dias antes, o Fórum de Oposições pela Base (FOB) fez panfletagem numa praça de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, em homenagem ao estudante secundarista Edson Luís, assassinado em 28 de março de 1968 no Rio de Janeiro.

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