RS: professores desfiliam sindicato da CUT

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"A CUT não me representa! Desfiliação já!"

O ginásio Gigantinho, em Porto Alegre, foi tomado por aproximadamente três mil professores no dia 27 de março numa assembleia agitada que tomaria uma decisão histórica: o Centro dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers/Sindicato), maior sindicato do estado com mais de 81 mil filiados, por decisão da maioria dos trabalhadores não é mais filiado a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

 “A CUT não me representa”, era a frase estampada em cartazes. “Desfiliação do Cpers da CUT já!” era o slogan estampado na camiseta da maioria dos presentes.

A direção do Cpers realizou manobras de todos os tipos para tentar impedir que a discussão sobre a desfiliação fosse colocada em pauta na assembleia, que debateria também a organização da luta contra o pacote de cortes de gastos anunciado pela gerência José Ivo Sartori (PMDB). Porém, os trabalhadores exigiram que, em primeiro lugar, fosse feito o debate sobre a desfiliação da CUT.

O ambiente era tenso, os trabalhadores agitavam palavras de ordem. Urnas foram instaladas no ginásio e a questão foi colocada em discussão e votação.

Foram 1.588 votos pela desfiliação, contra 1.129 pela manutenção da ligação com a central governista.

Tomada a decisão pela ruptura com a CUT, os professores aprovaram, na mesma assembleia, o plano de lutas pelo pagamento do piso do magistério como básico da carreira: 13,01% de imediato e 34,6% percentual, que falta para integralizar o valor; nomeação dos concursados; imediata atualização das promoções dos professores; garantia dos royalties para a educação; revisão do vale transporte e criação do piso salarial nacional dos funcionários de escolas. Também aprovaram uma jornada de lutas e mobilizações, iniciando por uma paralisação no dia 24 de abril, Dia de Luta em Defesa do Pagamento do Piso e ato público em Porto Alegre.

A decisão de desfiliar o Cpers da CUT demonstra o repúdio da maioria da categoria ao oportunismo da central, expresso na prática da direção do sindicato e ao oportunismo nas gerências de turno do velho Estado com Luiz Inácio, Dilma Rousseff, Tarso Genro (PT), Sartori (PMDB) etc.

Essa ruptura não pode ser tomada como algo isolado, mas como parte desse momento de politização geral da sociedade, de lutas combativas das massas em defesa dos seus direitos mais básicos e contra as medidas antipovo dos governos. São enfrentamentos, sobretudo das massas camponesas, dos operários nas grandes obras do PAC, da juventude combatente, dos mais variados setores das classes trabalhadoras, entre eles, destacadamente, os milhões de trabalhadores em educação das redes públicas de ensino.

Ao decidirem pela desfiliação da governista CUT, os professores do Rio Grande do Sul demonstraram decisão em avançar na luta contra as políticas antipovo e os pacotaços impostos à canetada e baioneta pelo gerenciamento PT/pecedobê/PMDB/et caterva. Demonstra ainda a decisão das massas em trilhar outro caminho que não o da conciliação, no qual se afundaram as centrais sindicais que se esforçam por aparentar pequenas diferenças entre uma e outra, mas que estão todas atadas umas as outras, chafurdando no mesmo pântano do eleitoralismo.

Estão em curso outras lutas importantes dos trabalhadores em educação das redes estaduais em São Paulo, cuja greve deflagrada no dia 16 de março era mantida até o fechamento desta edição, e Minas Gerais, com as mobilizações pelo pagamento do piso nacional, por melhores condições de trabalho e contra o aviltante e ofensivo abono determinado pela gerência Pimentel (PT) de R$ 160, incorporado ao vencimento básico dos servidores, dividido em quatro parcelas a serem pagas até abril de 2016, e de 2017 a 2018 mais duas parcelas de abono, nos valores de R$ 150,00 e R$ 152,41, respectivamente, incorporados trimestralmente, o que representa uma descarada política de arrocho salarial e congelamento da carreira.

 

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