Grécia: “esquerda radical” barganha com imperialismo russo

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Na Grécia, o gerenciamento do incensado Syriza, sigla dita de “extrema-esquerda”, segue se esmerando em cumprir o seu papel de alternativa dos monopólios para mitigar a “crise da dívida” e restaurar a “normalidade” do capitalismo no país, que é a de uma nação subalterna, subjugada e sugada até a raiz pela Europa do capital monopolista, via União Europeia, moeda única e outros instrumentos de dominação dos elos mais fortes sobre os elos mais fracos da zona do euro.

Perpetuam-se as privatizações, pagamentos ao Fundo Monetário Internacional e diversas outras medidas tomadas pelo Syriza para que a Grécia siga atendendo as requisições da famigerada Troika, a tríade interventora formada por Comissão Europeia, Banco Central Europeu e, sempre ele, o FMI. Medidas estas que há alguns meses, quando ainda eram “oposição”, Tsipras, Varoufakis e sua trupe classificariam de antipovo, vociferando contra a “austeridade”, mas que agora são apresentadas como reformas para “melhorar o ambiente de negócios”.

No fim de março, por exemplo, o monopólio internacional da imprensa fez saber que o gerenciamento Tsipras avisara a “credores” que espera obter 500 milhões de euros com a privatização do porto do Pireu, em Atenas — privatização que havia sido suspensa pelo próprio Syriza há dois meses —, deitando por terra mais uma patranha propagada pela legenda que ascendeu ao gerenciamento do Estado grego, a de que os recursos angariados com as privatizações passariam a abastecer um tal “fundo de riqueza soberano” destinado a financiar políticas sociais.

Além disso, o “primeiro-ministro” Tsipras foi a Moscou no dia 8 de abril (um dia antes do vencimento de mais um prazo para pagamento pela Grécia de mais uma parcela de encargos da dívida grega com o FMI) para, em suas próprias palavras, “usar os ativos geopolíticos” e “diversificar a política externa” (leia-se: flertar com o imperialismo russo visando se cacifar para sentar-se à mesa mais forte com a Alemanha), ao convidar Putin para participar das privatizações gregas que estão por vir, e um dos interesses russos está justamente na infraestrutura portuária grega que o gerenciamento Tsipras vai colocar a saldo.

Enquanto isso, as jornadas de protestos seguem se intensificando na Grécia. Ao passo que o gerenciamento do Syriza cada vez mais se assemelha aos seus antecessores, títeres mais escancarados da Europa do capital monopolista, mais as ruas vão se enchendo de multidões rebeladas em justas escaramuças contra as forças de repressão.

São protestos como o que aconteceu na véspera da visita de Tsipras a Moscou, no dia 7 de abril, quando a juventude combatente saiu às ruas da capital Atenas para exigir a libertação de vários companheiros de luta que estão encarcerados em prisões de segurança máxima — verdadeiros presos políticos da “esquerda radical”.

E, por ironia, veio justamente da Alemanha um estudo publicado no início de abril mostrando as profundas consequências na Grécia de anos e mais anos de amém ao FMI e à Angela Merkel, como tem sido os poucos meses de Syriza, ainda que sob o disfarce da “esquerda radical” e sob a distração da cobrança inócua dirigida a Berlim de 278 bilhões de euros por causa da ocupação nazista.

O estudo alemão levado a cabo pela Fundação Hans Böckler, instituição ligada à confederação sindical alemã DGB, mostrou que os salários na Grécia ficaram 23% menores entre os anos de 2008 e 2012 (25% entre os funcionários públicos), sendo que a renda média das famílias mais pobres da Grécia caiu nada menos do que 86% neste intervalo de quatro anos.

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