Mediterrâneo: naufrágios na conta da ‘geopolítica’

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Sobreviventes do trágico naufrágio de 21 de abril

A dramática rotina das mortes por afogamento de migrantes da África e do Oriente Médio no mar Mediterrâneo teve, no último dia 19 de abril, o seu mais dramático episódio, pela quantidade dos mortos de uma só vez, quando um barco repleto de cidadãos da  Eritréia, Somália, Síria e outras nações castigadas pela miséria e pela guerra — filhas legítimas desta velha senhora chamada “geopolítica”, a política das potências capitalistas — virou no meio do mar e nada menos que 800 pessoas em fuga desesperada da falta de tudo e de banhos de sangue perderam a vida tentando entrar na Europa.

O que se sabe sobre o naufrágio multifatal de 19 de abril é o retrato, a síntese, da estupidez e da incivilidade de tudo o que o cerca, e de tudo o que cerca as dezenas de milhares de mortes registradas nos últimos anos em circunstâncias quase que idênticas. O barco, que partiu do litoral da Líbia e ao meio da viagem clandestina viu-se à deriva, naufragou depois que as centenas de passageiros em pânico penderam todos para um dos lados da embarcação ao avistarem um cargueiro português que se aproximava para tentar um resgate.

Até meados de abril o número de mortos na tentativa de cruzar o Mediterrâneo para entrar na Europa em 2015 já havia ultrapassado a marca dos 1.700 pessoas. Em todo o ano de 2014 foram contabilizados 3,4 mil migrantes mortos afogados naquelas águas. Hoje, uma em cada 18 pessoas que tenta fazer a travessia termina a viagem morta. A própria ONU agora estima que até o fim deste ano 30 mil pessoas podem morrer tentando vencer esta fronteira-mar transformada em um imenso e plácido cemitério de “ilegais” pelas políticas de imigração delineadas e implementadas pela Europa do capital monopolista.

Esta Europa delegou este trabalho mais sujo ao mar e aos “traficantes de pessoas” que tanto diz querer combater, conforme manda o protocolo da Europa mitológica, aquela que segundo a crônica da mais cínica demagogia os maiores assassinos e saqueadores aparecem como grandes “presidentes” e “primeiros-ministros” defensores da vida, das liberdades dos povos e da soberania das nações.

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