Música e luta pela cultura

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Com trinta e cinco anos de cantoria, composições registradas em LPs e CDs, Deo Lopes é defensor do regionalismo brasileiro. Com carreira solo e o grupo Trem da Viração, o artista desenvolve ainda projetos culturais que envolvem também outras áreas da cultura e arte.

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— Minha música é simples. Componho na medida que me vem desenhando a vida. São canções de amor ou para o amor no sentido menos passional. Não que eu busque, mas assim é que vem.

— São canções inspiradas numa árvore, num lugar, numa pessoa, num amigo, numa história, à medida que vou vivendo. Gosto muito de compor sambas, toadas, catirados, samba brejeiro, cantigas, maxixes e assim vai —  continua Deo.

— Sou um compositor que prefere focar minhas composições no sentido da letra, embora componha muitas melodias. Tive muitas influências ao longo dos anos, entre outras, na minha infância, a música caipira, em sua forma.

Depois teve contato com a música urbana e logo isso influenciou seu trabalho.

— Fui conhecendo melhor o cancioneiro brasileiro e achando o que mais, de fato, me fazia bem. No final dos anos setenta, o violonista, compositor de melodias interessantes e ricas Ronaldo Rayol.

— Compusemos muitas canções que marcaram definitivamente a história da minha trajetória. O bom das parcerias é que nos vai enriquecendo musicalmente convivendo com outros universos — expõe.

— Assim também é gravar outros autores que nos coloca diante de outras experiências de vida. Gravei, principalmente, canções de amigos e compositores como Tom Jobim, Vinícius, Elomar, Irene Portela.

Quando começaram os festivais de música da televisão brasileira, Deo logo se interessou.

— Entrei de cabeça nessa linha de música do Geraldo Vandré, Chico Buarque, Edú Lobo, Tom Jobim, Elis, Betânia. Era época da ditadura militar e eu era metalúrgico, torneiro mecânico. Sentia na pele as dificuldades que o sistema nos forçava, nos obrigava — fala.

— Comecei a estudar melhor o sentido das coisas, da vida e descobri que cultura não era tão somente música, teatro, pintura etc. Cultura é tudo que nos forma, é a nossa história.

E na família, na história de Deo, tinha um tio, o João Alexandre, que era festeiro de reis.

— Apareciam por lá grupos de folia de todo lugar. De Santo Antônio da Alegria, interior de São Paulo, onde nasci, e de regiões mais distantes. E junto vinha a catira, a congada, o cateretê.

— Acho que isso ajudou muito a minha brasilidade e a maneira de compor e cantar. Basicamente, somando a influência do tio João com a MPB dos anos 60, surgiu o que sou hoje — afirma.

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