Peru: 35 anos do início da Guerra Popular

A- A A+

Em 17 de maio de 1980, dia de eleições gerais no Peru, guerrilheiros do Partido Comunista do Peru - PCP tomavam de assalto o posto de votação no povoado de Chusqui e incendiavam as urnas. Assim, o PCP declarou guerra ao velho Estado peruano iniciando a Guerra Popular.

http://www.anovademocracia.com.br/150/20.jpg
Combatentes do Exército Guerrilheiro Popular

Esse acontecimento significou, segundo acentuou Abimael Guzmán, o Presidente Gonzalo, chefatura do PCP e da Revolução Peruana, a conclusão do período de lutas desarmadas e a passagem ao uso da “palavra armada”. O início da Guerra Popular no Peru significou um salto de qualidade na luta de classes naquele país e em todo o mundo, na medida em que se constituía na mais contundente resposta à derrota da Grande Revolução Cultural Proletária na China levada a cabo pelo golpe contrarrevolucionário da camarilha de Teng Siao-ping (1976). A Guerra Popular no Peru representava um grandioso marco da luta da vanguarda do proletariado e das massas exploradas e oprimidas pela conquista do poder.

Foi com ela que, pela primeira vez, a ideologia científica do proletariado ganhava definição e comprovação plena do maoísmo como nova, terceira e superior etapa de seu desenvolvimento, devenindo-se marxismo-leninismo-maoísmo. Pois que, com a chefatura do Presidente Gonzalo, que sintetizava profundamente o maoísmo, conduzia a que fosse compreendido, encarnado e aplicado pelo PCP e os heroicos combatentes do Exército Guerrilheiro Popular e das massas populares no campo e cidade, potenciando mais e mais a Guerra Popular. O desenvolvimento desta deu a luz ao histórico I Congresso do PCP (1988), com que a ideologia do PCP deveniu-se marxismo-leninismo-maoísmo, principalmente maoísmo-pensamento Gonzalo. O maoísmo foi desfraldado no topo dos Andes e ecoado pelo canhão dos fuzis guerrilheiros nos campos, selvas e vales do Peru, repercutindo em todo o mundo.

Em diversas ocasiões tivemos a oportunidade de publicar artigos sobre a heroica epopeia da Guerra Popular no Peru nas páginas de AND. Dessa vez, nos deteremos em um aspecto que consideramos crucial: a prisão, em setembro de 1992, de Abimael Guzmán Reynoso, chefatura do partido, e de grande parte da direção central do PCP.

No início dos anos de 1990, o avanço da Guerra Popular no Peru era uma realidade inegável para todo o mundo. O simples pronunciar das palavras ‘Sendero Luminoso’, epíteto cunhado pela própria reação para designar o PCP, fazia tremer a reação e enchia de entusiasmo as massas no campo e cidade.

Em setembro de 1992, quando a Guerra Popular atingira já, segundo análise do Presidente Gonzalo, sua etapa de equilíbrio estratégico, contabilizando dezenas de milhares de ações, ele e grande parte da direção central do PCP são capturados, em Lima, em uma das maiores operações policiais da história do país, diretamente coordenada pela CIA ianque.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Em 24 de setembro, poucos dias após sua prisão, o Presidente Gonzalo fez seu último discurso público, quando, na tentativa de humilhá-lo, o regime fascista de Fujimori apresentou-o numa jaula, perante as câmeras e microfones das hienas do monopólio das comunicações que ladravam raivosas. Em breves e contundentes palavras, ele convocou os militantes do PCP, os combatentes do EGP e as massas peruanas a manterem altas as bandeiras da Guerra Popular e prosseguir com a aplicação dos planos para a conquista do poder em todo o país.

Posteriormente, foram veiculadas imagens de seu translado em um barco, em abril de 1993, da ilha de San Lorenzo para uma cela subterrânea na Base Naval de Callao, região metropolitana de Lima, onde, desde então, é mantido em completo isolamento, condenado a prisão perpétua por um tribunal militar de “juízes sem-rosto”, condenação considerada ilegal e anulada pelo Tribunal Internacional da Costa Rica, posteriormente à caída de Fujimori, porém ratificado pelos “restabelecidos” tribunais peruanos.

Em novembro de 2004, para corresponder à fictícia redemocratização do país com a “anulação da condenação anterior”, foi montado um “novo julgamento”. Sob grande parafernália midiática, apesar do isolamento da sala de audiências por um grosso vidro, o que se pôde ver foi o Presidente Gonzalo adentrar à sala e, de punho erguido, agitar consignas em defesa marxismoleninismo-maoísmo, do PCP e do heroico povo peruano. Entre meados de 2005 até meados de 2006, novamente tentou-se montar uma paródia, anunciando apresentação “oral e pública” do Presidente Gonzalo, mas não lhe foi permitido falar em público. Assim, foi novamente “condenado” com base nas mesmas leis nulas reeditadas com novos “Decretos-Lei Antiterroristas”.  O Presidente Gonzalo segue prisioneiro sem condenação nem mandado legal de prisão que esteja de acordo com a lei penal pré-existente, ou seja, leis vigentes até o autogolpe de Fujimori.

Para buscar legitimar seu confinamento, o velho Estado peruano montou outro “julgamento” no ano passado, buscando condená-lo por “narcoterrorismo”, contando para isso com a cumplicidade de traidores da Guerra Popular postulantes da Linha Oportunista de Direita (LOD), revisionista capitulacionista. Ao Presidente Gonzalo foi, mais uma vez, vetada qualquer oportunidade de se pronunciar.

Em um vídeo divulgado em abril do ano passado por um canal de TV peruano, é mostrada uma inspeção de agentes penitenciários no que seria a cela do Presidente Gonzalo, onde se afirma que a mesma só pode ser aberta por fora e possui duas chaves que ficam na posse de dois oficiais da marinha. As imagens, que são utilizadas para tentar desmoralizá-lo e incriminá-lo, o mostram altivo, firme, combativo, resistindo e desafiando o velho Estado, protestando contra a intromissão ilegal dos agentes em sua cela.

Em setembro do ano passado, por ocasião dos 22 anos do discurso “da jaula” do Presidente Gonzalo, partidos e organizações maoístas da Europa e América Latina denunciaram o plano de “aniquilamento físico e psíquico, que pretende, como primeiro objetivo, aniquilar o que ele é e representa, chefatura do PCP e da revolução peruana, que definiu e aplicou o marxismo-leninismo-maoísmo às condições concretas do Peru, reconstituiu o PCP e iniciou e dirigiu a guerra popular no Peru, que se converteu no farol da revolução mundial”.

Em seu comunicado, esses partidos e organizações maoístas também destacaram que “se é certo que o PCP vive momentos de dificuldades, estas são próprias da dinâmica da luta de classes e da guerra popular. Ninguém na história da humanidade conquistou o Poder de maneira invicta, sem ter reveses, ‘recodos’ [curvas no caminho]. Desde a Comuna de Paris, a Revolução de Outubro, a Revolução de Nova Democracia na China, à Revolução Cultural na China, todas viveram momentos de dificuldades, é verdade. Mas também está provado que, imbuídos da ideologia correta da classe, o marxismo-leninismo-maoísmo, essas dificuldades se tornam parte da fortaleza que empurra a classe e o povo a transitar o caminho da vitória, que é o caminho do Novo Poder, conquistado e defendido com a guerra popular”.

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Tel.: (11) 3104-8537

Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

EXPEDIENTE

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda 
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond 
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja

A imprensa democrática e popular depende do seu apoio

Leia, divulgue e conheça. Deixe seu nome e e-mail para se manter informado
Please wait