Para onde vão os migrantes ‘resgatados’ no Mediterrâneo

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Guarda costeira italiana aborda migrantes em barco inflável

No fim de semana dos dias 2 e 3 de maio, as “autoridades” marítimas de países europeus interceptaram nas águas do mar Mediterrâneo embarcações que transportavam ao todo quase seis mil pessoas que tentavam emigrar da África para a Europa navegando sobre os corpos de milhares de irmãos que acabaram encontrando naquelas águas-fronteira sua sepultura; pessoas empurradas à fuga desesperada da miséria e da guerra por mais de um século de partilha da África pelas potências europeias, e empurradas às agruras, riscos e loucuras da clandestinidade pelas políticas migratórias cada vez mais racistas do moribundo capitalismo europeu.

Naquele fim de semana, dez imigrantes foram achados mortos e uma criança nasceu durante a travessia em uma das embarcações.

A maioria daqueles 5.800 migrantes foi encaminhada para aguardar a deportação em um dos 13 centros de detenção de imigrantes que existem na Itália, ou “centros de triagem e acomodação”, como as “autoridades” italianas preferem dizer, em um dos muitos eufemismos que as “autoridades” europeias em geral criam para fazer fumaça às suas políticas migratórias de cunho racista, xenófobo, que deliberadamente passam ao largo das questões históricas, ou melhor, dos crimes historicamente cometidos pela Europa contra a África. Crimes estes que estão no cerne da atual “crise migratória”; um dos muitos eufemismos criados pela Europa do capital monopolista para “gerenciar” esta crise tentando não manchar as mãos.

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Ilha de Lanpeduza,Itália: família atravessa cerca de centro de migrantes

Os centros de detenção de imigrantes, oficalmente denominados Centros de Internação de Estrangeiros (CIEs), são verdadeiros depósitos de africanos, em sua maioria, confinados em regime de privação de liberdade sob a pecha coletiva de “ilegais”, ainda que migração não seja crime e não obstante a previsão da lei europeia de que os CIEs obrigatoriamente devem ter “caráter não penitenciário”. Mas a prática dos CIEs vai além da prisão ilegal de imigrantes: a superlotação, a insalubridade e os maus-tratos estão ali todos os dias, o dia todo, para lembrar aos “acolhidos” a, digamos, imprudência da tentativa de ingresso clandestino na Europa.

Eventualmente uma denúncia mais contundente e midiática sobre o que de fato acontece nos CIEs resulta em processos não menos incensados, como se os “abusos” levados a tribunal fossem exceções que confirmassem ser o respeito aos direitos e à dignidade dos imigrantes a regra que rege o funcionamento desses centros, como agora mesmo acontece o julgamento de cinco policiais espanhóis acusados de estuprar mulheres africanas “acolhidas” em um centro de detenção espanhol já desativado que funcionava sugestivamente em um antigo quartel militar.

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