SC: cacique guarani ameaçada de morte

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Cacique Kerexu Yxapyry e comunidade indígena sofrem perseguições

A cacique Kerexu Yxapyry (Eunice) e a comunidade indígena do Morro dos Cavalos, situada próxima a Florianópolis, ameaçadas há vários meses por desconhecidos, vêm recebendo nos últimos dias “avisos” de breves ataques, inclusive de morte.

As intimidações começaram a aumentar a partir de fevereiro, após uma sentença da Justiça Federal ter reconhecido que a aldeia é área tradicionalmente ocupada por índios guaranis, ao contrário do que afirmava o empresário/comerciante Alexandre Paupitz, em processo judicial que pretendia cancelar a demarcação daquele território.

Os comentários que correm é que, comunicada pela FUNAI, a Polícia Federal já iniciou, sigilosamente, uma investigação sobre os possíveis autores das ameaças.

O Conselho Indigenista Missionário - Regional Sul enviou uma Nota ao AND, a qual reproduzimos a seguir.

CIMI denuncia ameaças

A cacica Kerexu Yxapyry (Eunice Antunes), da Terra Indígena (TI) Morro dos Cavalos, município de Palhoça/SC, vem sofrendo graves ameaças contra sua integridade física, sua família e comunidade devido ao seu posicionamento firme na luta pela regularização da TI. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) - Regional Sul quer tornar públicas essas ameaças e solicitar providências por parte das autoridades competentes.

Desde o início de 2015, as ameaças de morte e perseguição à cacica retornaram com grande intensidade. Kerexu relatou que nos últimos dias indivíduos não identificados vêm constantemente invadindo a Terra Indígena e monitorando a movimentação em sua casa. As ações acontecem por pessoas em motocicleta, que chegam de madrugada e fazem ronda. Em uma dessas vezes, o disjuntor de energia que abastece sua casa caiu e o medidor de energia explodiu, deixando os moradores às escuras. Em outra ação, os estranhos seguiram Eunice. Ontem, 31 de maio, o tio da cacica foi abordado por sete jovens que novamente mandaram recado com ameaças para a cacica.

Como das outras vezes que ocorreram as ameaças, elas foram precedidas de ataques difamatórios por parte da imprensa catarinense com o claro intuito de colocar a população contra os indígenas. Em 2014, o jornal Diário Catarinense, filiado ao grupo RBS, ligado à Rede Globo, publicou uma reportagem em cinco partes que destilava preconceitos contra a comunidade indígena e questionava a regularização da TI. O referido jornal, constantemente veicula matérias em que os Guarani aparecem como entrave ao desenvolvimento do Estado, principalmente no que se refere à construção de pistas adicionais na BR-101, que corta a TI Morro dos Cavalos.

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Nos últimos dias, foi publicada uma entrevista com um deputado federal e diversas matérias associando a TI Morro dos Cavalos com decisão judicial de outra Terra Indígena, todas contrárias aos Guarani. Não é de hoje que a comunidade indígena vem denunciando a violência contra os membros da comunidade e, principalmente, contra a cacica Eunice.

Em 2013, o Cimi Sul protocolou documento junto à Secretaria Nacional de Direitos Humanos, denunciando as violências contra os Guarani em Santa Catarina e, especificamente, as ameaças de morte e agressões contra a comunidade indígena Morro dos Cavalos. Na época, a cacica havia recebido telefonemas anônimos com ameaça de morte e de queima da casa dela e de outros professores indígenas.

Nos anos de 2013 e 2014, a comunidade indígena sofreu quatro ataques ao seu patrimônio por meio do corte criminoso das tubulações de água que abastecem as famílias, deixando-as sem água.

Diante da falta de providências das autoridades competentes, a cacica decidiu tornar públicas as denúncias, manifestando que “em meio ao turbilhão de ataques e ameaças que estamos vivendo agora, não seria justo ficarmos calados sabendo que temos toda uma memória para mostrar. Temos que nos fazer valer de todas as ferramentas que os não indígenas criaram em nossa própria defesa, pois é assim que eles tentam nos destruir: tirando tudo o que foi nosso um dia e nos intimidando para nos calar”, denunciou Eunice.

O Cimi Sul acredita que, para pôr fim a essa violência, é necessário e urgente a homologação da Terra Indígena por parte da presidente Dilma Rousseff, para que possa se concluir a indenização justa aos ocupantes não indígenas e a comunidade possa usufruir livremente da terra de seus antepassados.

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