Igor Mendes é libertado: A resistência e luta dos perseguidos políticos

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Igor Mendes da Silva, ativista do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) e da Frente Independente Popular (FIP-RJ), enfrentou 6 meses e 22 dias de prisão política do velho Estado por participar dos multitudinários protestos populares que convulsionariam o Rio de Janeiro e todo o país a partir de junho/julho de 2013.  Sua prisão foi parte de um processo político contra 23 ativistas na capital fluminense. Elisa Quadros e Karlayne Moraes foram perseguidas e alvos de mandados de prisão por haverem, assim como Igor, participado de um evento cultural realizado em 15 de outubro de 2014, na Cinelândia, descumprindo, no entendimento do juiz Flávio Itabaiana, uma “medida cautelar” que os impedia de participar de protestos. Ambas foram forçadas a viver na clandestinidade.

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25/06: Igor é recebido por ativistas na saída do presídio de Bangu

Uma campanha internacional foi desenvolvida contando com a adesão de inúmeras organizações democráticas e de ativistas em países como Itália, Espanha, França, Colômbia, Equador, Chile e outros. Em todo o Brasil, de São Paulo a Pernambuco, passando por Rondônia, Minas Gerais, etc., cartazes, pichações, debates e manifestações de massas levantaram a palavra de ordem “Liberdade para Igor Mendes e todos os presos políticos da cidade e do campo”.

Após uma verdadeira batalha nos tribunais, o advogado defensor de 12 dos 23 processados, Dr. Marino D’Icarahy, enfrentou e desmontou acusações, “testemunhos” de agentes infiltrados e falhas grosseiras do processo político.

No último dia 22 de junho, foi expedida liminar do STJ, em resposta ao pedido de habeas corpus impetrado pelo destacado criminalista Nilo Batista, determinando a libertação de Igor Mendes e a suspensão dos mandados de prisão contra Elisa e Karlayne.

Tanger ou reprimir

Como denunciaram as páginas do jornal A Nova Democracia, na eclosão das jornadas de protestos de junho/julho de 2013, a gerência Dilma/PT/pecedobê/et caterva e o monopólio da imprensa, nomeadamente a rede Globo, a revista Veja e todos os seus satélites, tentaram tanger os protestos e atribuir-lhes um tom pacífico e festivo enquanto ordenavam e atiçavam mais e mais repressão. Sendo incapazes de empastelar a justa revolta das massas com sua propaganda mentirosa, os gerenciamentos federal e estaduais ordenaram a mais selvagem repressão.

Em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia e tantas outras cidades, e nesse caso, em particular, no Rio de Janeiro, dias e noites de fúria popular aterrorizaram os gerentes de turno do velho Estado. Em 17 de junho de 2013, centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas. Neste dia ocorreu o histórico cerco da Assembleia Legislativa (Alerj), símbolo da velha ordem com seu mobiliário cheirando a semicolônia e seus ocupantes, representantes das mais variadas legendas do Partido Único, autores e executores das mais atrozes medidas antipovo. Eles são responsáveis, juntamente com as gerências Cabral/Pezão, pelas UPPs, pela ação dos bandos paramilitares denominados “milícias”, pelo arrocho salarial e as péssimas condições de trabalho dos professores, etc.

Igor Mendes e o MEPR participaram ativamente dessa jornada de lutas, perfilando-se ombro a ombro com o povo. Eles participaram da FIP-RJ desde a sua fundação: uma das mais combativas organizações surgidas e desenvolvidas nesses protestos que, desde a sua fundação, defendeu os princípios da luta classista, combativa, contra a farra da Fifa e a farsa eleitoral.

A FIP-RJ esteve presente nas principais lutas de massas no Rio de Janeiro desde as jornadas de junho/julho de 2013: apoiou e participou ativamente da luta contra o aumento das passagens e da combativa greve dos trabalhadores da educação das redes estadual e municipal; somou-se na luta pela punição dos torturadores (mandantes e executores) do regime militar fascista; organizou o combativo protesto de 7 de setembro de 2013; participou da histórica greve dos garis de 2014, do apoio à resistência da Aldeia Maracanã e das combativas manifestações contra a Copa da Fifa. Promoveu eventos culturais e desenvolveu uma intensa campanha contra a farsa das eleições reacionárias em 2014, que, no Rio de Janeiro, registraram o maior boicote da história.

O ódio e o temor da reação contra as massas, sobretudo as massas organizadas, foi desatado na forma da mais odiosa campanha do governo, suas forças de repressão e do seu sempre a postos monopólio das comunicações. Publicações apócrifas tentaram, a todo o custo, descaracterizar os ativistas, criminalizá-los e influenciar a opinião pública contra os protestos e os manifestantes mais combativos. Isso já havia sido feito quando da morte do cinegrafista Santiago Andrade em um protesto na Central do Brasil, quando o governo, o monopólio da imprensa e a repressão utilizaram-se fartamente dessa fatalidade para prender os ativistas Caio e Fábio e criminalizar todos os manifestantes.

Em 15 de outubro, ocorria um evento cultural na Cinelândia, no Centro da capital. Era o Dia do Professor e a atividade recordava as prisões e a repressão policial que se abateram contra os educadores e manifestantes nesta mesma data um ano antes.

Vários ativistas processados por terem participado dos protestos contra a farra da Fifa no Rio de Janeiro, em julho de 2014, entre eles Igor, Elisa Quadros e Karlayne Moraes, eram alvos de “medidas  cautelares” que os proibiam de participar de protestos. Foi por participarem dessa atividade cultural que os três tiveram suas prisões decretadas.

O cárcere

Igor foi preso em 3 de dezembro de 2014 e mantido 42 dias em uma cela isolada, sem banho de sol, acesso a livros, papel e caneta.

Desde a sua prisão, AND acompanhou a intensa campanha por sua libertação e as audiências de seu processo, que ele encarou altivo, firme, de punhos cerrados e gritando “Não passarão!”, famosa palavra de ordem antifascista que virou slogan da campanha.

Igor resistiu, não permitiu que lhe raspassem o cabelo como fazem os agentes penitenciários com os presos para tentarem lhes quebrar a moral. Gritou e resistiu, fez com que seu corte de cabelo também se convertesse em um ato de resistência.

Divulgamos, passo a passo, os informes de sua defesa, também enérgica e firme, protagonizada pelo Dr. Marino D’Icarahy, que desmascarou o caráter político daquele processo e desmontou, uma a uma, as acusações, respeitando a condição de preso político reivindicada e defendida por Igor Mendes.

Já em janeiro, Igor passou a receber visitas, cartas, canetas e papéis, com os quais ele escreveu textos que tivemos a oportunidade de divulgar, além de artigos que foram publicados no blog Tribuna da Imprensa. Também escreveu várias mensagens e declarações enviadas a eventos políticos, como a Entrega da 27ª Medalha Chico Mendes de Resistência, na qual ele foi um dos homenageados em 31 de março.

Lutar: fora ou atrás das grades

Em 22 de junho, após mais de 6 meses de intensa campanha e do incansável empenho de organizações de defesa dos direitos do povo, como o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo), a Associação Brasileira dos Advogados do Povo (Abrapo), entre outras, o STJ acatou o pedido de habeas corpus para Igor, Elisa e Karlayne.

No dia 25 de junho, Igor Mendes foi libertado do Complexo Penitenciário de Bangu.

Enfrentando, dia e noite, o frio de Bangu nesse início de inverno, ativistas da FIP-RJ, do MEPR, do Movimento Popular Combativo (MPC), da Unidade Vermelha, da Frente Internacionalista dos Sem-Teto (FIST) e outros apoiadores da luta permaneceram três dias na entrada do complexo de presídios com faixas, bandeiras e um elevado espírito de combate.

Igor saiu do presídio com os punhos cerrados e entoando canções revolucionárias e palavras de ordem com seus companheiros e companheiras: “Venceremos!”.

Na noite do mesmo dia, mais de 200 pessoas receberam os ativistas libertados no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, no Centro do Rio. Diversas organizações populares fizeram suas saudações.

É duro. Eu estou acordando há 7 meses vendo grades, mas eu pensava no nosso povo. Nosso povo que está pegando trem lotado, sendo assassinado nas favelas, ficando desempregado, apanhando quando vai reivindicar qualquer coisa. E, diante disso, companheiros, manter a cabeça erguida, manter a nossa firmeza e a nossa dignidade, na verdade, é tão somente uma obrigação. A luta cobra um preço e eu acho que esse é um grande aprendizado que a nossa geração teve —afirmou Igor em sua fala inicial durante o ato público.

A luta não para!

A libertação de Igor, Elisa e Karlayne foi uma conquista parcial da resistência popular, pois não significou o fim dos processos. Sim, foi uma importante vitória, celebrada pelos movimentos de luta no campo, na cidade e em vários países.

Igor responderá ao processo em liberdade. Ele, Elisa e Karlayne não estão mais sujeitos à proibição de participar de manifestações e atos políticos. O ministro relator manteve somente as medidas cautelares de comparecimento mensal perante a justiça e proibição de se ausentarem da comarca. Prossegue a luta, nos tribunais e nas ruas, para que isso se estenda a todos os ativistas processados.

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