Toda sabujice de Dilma-PT

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Cumprindo os deveres do ofício de lacaia, Dilma Rousseff, em sua recente viagem ao USA, desnudou por completo sua condição de gerente semicolonial. Tal como antes fez seu tutor, Luiz Inácio, que rastejou diante do facínora Bush Filho, mesmo tentando encobrir com seu peculiar estilo de gaiatices, reverenciando a nefanda figura como “companheiro Bush”. Ademais de alguns aportes ao FEBEAPA (Festival de Besteiras Que Assola o País), a passagem de Dilma pela sede do império constituiu-se em repugnante bajulação e puxassaquismo para com o patronato ianque.

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Ofertou na bandeja o que ainda os ianques não haviam açambarcado de nosso país e ao preço da bacia das almas, numa busca desesperada de salvação que assegure a conclusão de seu medíocre e desastroso gerenciamento, uma vez que, internamente, sobre o terreno movediço do agravamento da crise do capitalismo burocrático do país, as denúncias de irregularidades administrativas e de corrupção jogaram no chão seus “índices de popularidade”.

Não bastasse os pacotes das mais brutais medidas antioperárias, antipovo e antinação, pisoteando direitos arduamente conquistados pelos trabalhadores ao longo de décadas, facultar e financiar o capital a redução de salários, medidas estas ditadas pelo receituário de seus amos imperialistas, ainda se ofereceu a lamber suas botas. De forma tal que as espécies de urubus já se assanharam na possibilidade de tomar o seu lugar no gerenciamento do podre Estado brasileiro, pelo expediente que melhor convir à institucionalidade vigente.

Sob os holofotes dos monopólios

A viagem de Dilma vinha sendo cobrada pelo monopólio de comunicação − que considerava o fato da espionagem denunciada pelo ex-agente da NSA, Edward Snowden, um episódio sem importância − assim que viu nisto a oportunidade de fazer o beija-mão na corte. Fazendo coro com o descaso com a soberania nacional, Dilma Rousseff deu o caso por superado ao dar crédito às afirmações de Obama de que “os países irmãos não seriam espionados”.

Após encontro com Obama, Dilma, em entrevista, afirmou que: “Obama falou para mim que, quando ele quiser saber qualquer coisa, ele liga para mim. Eu não só atendo como fico muito feliz”. É, vale tudo diante da necessidade de manter e aumentar a exploração do Brasil pelo imperialismo ianque. Assim, os vários analistas da imprensa ianque (como os nacionais de mente colonizada) saudaram a missão da gerente brasileira como necessária e economicamente positiva. Tanto que os monopólios de imprensa de lá e de cá fizeram questão de destacar as declarações de Obama de que a visita da gerente brasileira significava um novo capítulo nas relações bilaterais, que o Brasil era um parceiro natural e que tinha um importante papel ao nível internacional. Tudo ao velho estilo da diplomacia do diktat.

Ânsias de vômito

Entre as várias seções bajulatórias proporcionadas por Dilma, duas se destacam pelo significado de miséria ideológica frente a duas das figuras mais abjetas representantes da alma imperialista ianque. No segundo dia de visita ao USA, a gerente brasileira encontrou-se com Henry Kissinger, criminoso de guerra, ex-secretário de Estado dos governos Nixon e Gerald Ford, conselheiro para política externa de vários outros presidentes ianques e atualmente alma penada e fantasma qualquer. Além de ordenar bombardeios criminosos contra Vietnã , Camboja e Laos, ele envolveu-se na repressão dos regimes militares na América Latina, principalmente na famigerada “Operação Condor”. Dilma o considerou “uma pessoa fantástica, com grande visão global”. Ora, veja! Ao ver Dilma apertar a mão de Kissinger, o escritor Fernando Morais, seu eleitor, declarou ter “provocado ânsias de vomito”.

Outro aperto a mãos de sangue aconteceu no encontro com Madeleine Albrigth, também ex-secretária de Estado no governo de Bill Clinton quando autorizou o bombardeio contra a Iugoslávia, em 1999, provocando milhares de mortos e feridos. Na conversa, entre outras coisas, foi abordada a importância das mulheres na ocupação de elevados cargos. Que cousa! E não se pode eludir aqui o fato de que o aperto de mãos dado a Obama também traz a marca do sangue do povo palestino, iraquiano, afegão, sírio e outros povos agredidos pelo genocida.

O Brasil na bacia das almas

Tal como os magazines e supermercados que compram páginas de jornais para oferecer suas promoções e queimas de mercadoria, Dilma Rousseff comprou quatro páginas no The Wall Street Journal para anunciar o plano de privatizações em portos, aeroportos, ferrovias e rodovias brasileiras. O The Wall Street Journal é um dos mais influentes veículos do monopólio de imprensa internacional no mundo das especulações, negociatas e jogatinas de altos círculos. A compra do anúncio deu direito a ser recebida pelo magnata Rupert Murdock, seu proprietário, com o qual reforçou as ofertas do anúncio.

O périplo por Washington, Nova York e Palo Alto foi marcado por afirmações de Dilma de trabalhar por ter uma “economia mais aberta e competitiva”. Aproveitando a deixa, o Ministro do desenvolvimento já colocou em pauta a possibilidade de um “acordo de livre comércio” entre o Brasil e o USA, segundo declaração ao jornal O Estado de São Paulo de que: “O acordo é uma aspiração, é o que se coloca no horizonte”.

Em seus encontros com banqueiros, especuladores e empresários de alto coturno foram colocados na bandeja as elevadas taxas de juros, o ajuste fiscal, as privatizações e a flexibilização dos direitos trabalhistas, tudo no mais perfeito figurino da subjugação nacional.

Acordos lesivos

Os acordos em temas tais como meio ambiente, comércio, concessão de vistos, defesa, previdência social e educação, realizados sob pomposos termos, como parceria e cooperação, são, na verdade, grilhões que prendem o Brasil aos pacotes tecnológicos desenvolvidos pelo USA e a obrigação de transferência de renda sob as mais variadas rubricas como juros, lucros, assistência técnica, royalties e outros logros. 

O desespero petista de tentar sair da crise que ele mesmo criou com sua subserviência ao latifúndio, à grande burguesia e ao imperialismo, principalmente, é como mergulhar na areia movediça e tentar sair puxando para cima seus próprios cabelos.

Aqui, nas páginas do AND, já denunciamos por várias vezes essa política de subjugação nacional praticada sistemática e invariavelmente pelos sucessivos gerentes de turno e, agora, aprofundada por Luiz Inácio e Dilma Rousseff. Para que o leitor recorde e possa entender o que Dilma foi fazer no USA, transcreveremos alguns trechos do artigo do Prof. Adriano Benayon, publicado na edição de nº 71 do AND, de novembro de 2010, sob o titulo de “Economia desnacionalizada”, ver itens de 4 a 11:

“4. O Brasil exporta grandes quantidades, mal pagas, de seus excelentes recursos naturais e, além disso, muito valor de trabalho agregado por sua mão de obra nos produtos industrializados. Entretanto, não mais consegue grandes superávits na balança comercial, agora em queda, devido à depressão em mercados importadores.

5. Mesmo com essa retração na demanda, o Brasil ainda exporta demais. Porém, tem que pagar por importações cujo valor unitário é muitíssimo mais alto que o das suas exportações. Em consequência, o saldo comercial é, de longe, insuficiente para equilibrar a conta corrente com o exterior, devido ao crescente e enorme dispêndio com as remessas de ganhos do capital estrangeiro.

6. O que os economistas do sistema apontam como remédio para compensar o déficit nas transações correntes com o exterior é a entrada de mais capital estrangeiro, “equilibrando” assim o balanço de pagamentos. Ou seja: pretendem — ou fingem pretender — afastar a doença, fazendo o paciente ingerir quantidades cada vez maiores das toxinas que o fizeram ficar doente.

7. Ora, o investimento direto estrangeiro instalou-se no País exatamente para transferir riqueza deste para fora, através das “rendas de capital e ‘serviços’”. E não só por essas contas, mas também manipulando os preços no comércio de mercadorias. A balança comercial teria saldos positivos muito mais altos do que tem, se os preços de exportações e de importações não fossem usados para transferir renda para o estrangeiro.

8. Na realidade, os investimentos diretos estrangeiros são a plataforma e os vetores de lançamento, para o exterior, da riqueza e do produto do trabalho dos brasileiros. O capital estrangeiro acumula-se, cada vez mais, através da capitalização de lucros obtidos no mercado interno e, além disso, seu estoque cresce no País com ingressos em moeda estrangeira, principalmente dólares, facilmente fabricada nos países de origem.

9. Os investimentos diretos estrangeiros são aplicados nas subsidiárias “brasileiras” das transnacionais (também chamadas multinacionais), para: a) aportes de capital nessas subsidiárias; b) fusões com empresas de capital nacional ou com subsidiárias de outras transnacionais; c) aquisição dessas empresas; d) privatizações.

10. Nos casos a), b) e c), as transnacionais prevalecem-se de seu acesso a capital barato (lucros no exterior, lucros no Brasil aqui reinvestidos, empréstimos tomados no exterior a juros hoje em torno de zero e até juros a taxas especiais no Brasil. No caso d), o das privatizações, o qual supera todos em matéria de escândalo, o ingresso de dinheiro externo é só “para inglês ver”. De fato, as transnacionais passam a controlar empresas estatais donas de altíssimos patrimônios e elevada rentabilidade, e, em vez de pagar por elas, recebem incríveis subsídios da União federal brasileira (!!!).

11. As modalidades a), b) e c) permitem às transnacionais desalojar do mercado as empresas de capital nacional, pois, ademais das vantagens de obter capital barato, e o das empresas nacionais tem alto custo, a política econômica governamental (!!!) favorece as transnacionais em detrimento destas. A primeira modalidade abre o caminho para as duas outras: a empresa nacional, em dificuldades, vê-se acuada a aceitar a fusão com a transnacional ou, desde logo, ser adquirida por esta.”

Abutres só aprofundarão a crise

Na volta ao Brasil, Dilma foi recepcionada pelo noticiário do monopólio de imprensa em torno de sua substituição, tida como inevitável pelos urubus. É bom que fique claro aos caçadores de ilusões que, por serem filiados a uma das siglas do Partido Único , o partido da subjugação nacional, nenhum deles poderá promover a superação da crise em que o imperialismo e o PT afundaram o Brasil. Nem Aécio, nem Temer, nem Luiz Inácio, nem qualquer outro postulante de ocasião trará a superação da crise atual. Somente a mobilização, a politização e organização popular em escala revolucionária com um programa de Nova Democracia poderá trazer as soluções que o povo brasileiro espera e merece e a Nação necessita. Não será rápido e nem fácil.

Abandonemos, pois, as ilusões e preparemo-nos para a luta dura e prolongada!

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