PT: instrumento da direita para enlamear a esquerda

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Com o aprofundamento da crise econômica, política e moral que vive o país com profunda repercussão no conjunto de suas instituições, Luiz Inácio tem realizado articulações a torto e a direito no sentido não só de salvar o mandato de sua pupila, como dar uma sobrevida ao quase finado projeto petista.

Aproveitando-se da memória que grande parcela do nosso povo guarda do regime militar fascista, alardeiam sobre a possibilidade de um golpe de direita e do retorno do regime militar, numa chantagista cantilena que busca incutir o medo nas massas e atrair os setores da “esquerda” reformista/eleitoreira e da democracia pequeno-burguesa para respaldarem o seu projeto.

Em seus treze anos de existência, o AND tem marcado e remarcado sua intransigente postura de denunciar a fraude do projeto petista, não apenas nos seus doze anos de gerenciamento do velho Estado brasileiro, mas indo mais além, mostrando as suas origens, as suas fontes, as suas alianças com a reação nacional e internacional. É extremamente necessário que a juventude que hoje ocupa as ruas em manifestações contra o descaso dos governantes com os serviços públicos de transportes, saúde, educação, enfim lutas contra a exploração e a corrupção descarada, é preciso que a esta juventude seja desmascarado por completo o projeto petista e repetido de tempos em tempos aos mais novos para que o engodo petista seja definitivamente banido.

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Como tudo começou

Em meados dos anos de 1970, o regime militar, pressionado pela nova política do imperialismo ianque de “direitos humanos” e eleições, ensaia um movimento de abertura política “lenta, gradual e segura”. O general Ernesto Geisel era o gerente de turno e o general Golbery do Couto e Silva, considerado o bruxo do regime, era o encarregado de implementar a estratégia dos generais.

Para levar a bom termo seu projeto, o regime militar tinha que encontrar um meio de remover ou no mínimo neutralizar dois grandes obstáculos: os comunistas e a figura de Leonel Brizola. Como a feroz repressão do Doi-Codi já havia aniquilado praticamente toda a esquerda armada, tendo como último episódio a liquidação da Guerrilha do Araguaia, restava-lhe a missão de eliminar seletivamente os quadros mais preparados do Partido Comunista do Brasil e do revisionista Partido Comunista Brasileiro. E foi o que ocorreu, principalmente com o massacre da Lapa, em São Paulo, dezembro de 1976, onde foram assassinados Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Batista Drummond, do PCdoB, e em situações escolhidas pelo regime cerca de dez dirigentes do PCB revisionista, dentre os quais David Capistrano, Orlando Bomfim e João Massena. Outros foram eliminados após serem barbaramente torturados e seus corpos desaparecidos.

Acreditavam os militares que, tendo sido duramente golpeadas, as organizações de esquerda levariam certo tempo para se recuperarem, tempo este o suficiente para que o regime pudesse, de forma artificial, facilitar o surgimento de lideranças no seio dos trabalhadores que pudessem fazer frente aos comunistas e ao brizolismo, produzindo, inclusive, a divisão da frente única que se gestava.

É neste contexto que entra a figura de Luiz Inácio, cevado no peleguismo de seu padrinho Paulo Vidal, sendo indicado pelo mesmo para substituí-lo na direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo após passar por cursos de formação ministrados pelo IADESIL, instituto pertencente à AFL-CIO (central sindical ianque e um dos principais instrumentos da CIA no seio do proletariado internacional) no período da “guerra fria”. A posse de Lula contou com a mais fina flor do empresariado paulista e de representantes do regime militar na figura do senhor Paulo Egídio (governador de São Paulo) e das multinacionais. Em trajes black tie e muito a vontade, o novo pelego confraternizou com os inimigos do proletariado.

A Igreja Católica — que desde os tempos dos Galinhas Verdes e com os CTC’s (Círculos de Trabalhadores Cristãos) disputava com os comunistas a direção do movimento operário — produzia as escolas dos “padres operários” e teorias tal como a da “teologia da libertação”, alocando seus militantes em fábricas, bem como nos bairros populares da periferia das grandes cidades, e buscava, também, forjar uma liderança com o mesmo perfil anticomunista.

O “milagre brasileiro”, armação de Delfim Netto em combinação com o FMI para transferir renda ao sistema financeiro, às transnacionais e aos mais ricos, ao esgotar-se, seguiu o ciclo das crises endêmicas, característica dos países semicoloniais viventes sob o capitalismo burocrático. Como sempre, os trabalhadores foram chamados a pagar a conta com arrocho salarial e mais perda de direitos.

A revolta da classe operária não tardou a explodir em mobilizações e greves nos principais centros industriais do país, principalmente nas grandes indústrias, tais como as automobilísticas do ABC. Para elas convergiram todas as tendências políticas de esquerda levando o movimento operário, que vinha a duras penas construindo sua unidade, a uma polarização entre a imensa maioria dos sindicatos — composto por direções atrasadas, porém onde a direita organizada era fraca —, mas era um campo liderado pelos partidos e organizações que se definiam como comunistas (principalmente  PCdoB, MR8 e PCB, ), o grupo do autodenominado “novo sindicalismo”, com suas “oposições sindicais”, os trotskistas embalados pela vitória do reacionário Lech Valessa na Polônia, a Igreja Católica, os guerrilheiros arrependidos renegados da luta armada e residualmente de alguma outra organização de definição comunista. Luiz Inácio era o maior representante deste imbróglio ou mixórdia, patrocinado politicamente pelo revisionismo cubano e o suporte material da socialdemocracia e democracia-cristã europeias.

As mobilizações operárias apontavam naquele momento a necessidade do movimento operário dar um salto organizativo, o que significava a criação de uma organização nacional que representasse o conjunto dos trabalhadores do país, uma central unitária dos trabalhadores. Para tanto foram realizados os ENCLATs (Encontros Nacionais das Classes Trabalhadoras) regionais como preparação do CONCLAT (Congresso Nacional das Classes Trabalhadoras). Ainda sob plena vigência das leis de exceção do regime militar, o momento exigia o máximo de unidade com base numa linha de classe, num esforço por arrastar os sindicalistas tradicionais, dentre eles alguns pelegos, que, diga-se de passagem, não passavam de gente inofensiva diante da máfia que hoje comanda as centrais sindicais e os principais sindicatos no país. E isto foi utilizado como desculpa pelo agrupamento liderado por Luiz Inácio para, de forma sorrateira, rachar a CONCLAT, convocando outro congresso de fundação de uma central manipulada por ele e pelo seu PT, a CUT. Este ato divisionista seguia a orientação revisionista de que cada facção ideológica devesse criar sua central sindical.

Este processo de fragmentação do movimento sindical teve prosseguimento com a criação da CGT (Central Geral dos Trabalhadores) pelas organizações contrárias ao congresso divisionista. Processo que seguiu se aprofundando numa tendência de total apodrecimento ideológico-político, pulverizando-se ainda mais com o surgimento de quase uma dezena de centrais pelegas e colaboradoras de classes. Cooptadas todas por Luiz Inácio, ao eleger-se presidente, ou melhor, gerente de turno, no objetivo de amolecer o jogo do imperialismo de pisotear os direitos dos trabalhadores.

Foi necessário algum tempo para que viesse à luz as articulações de Luiz Inácio com o então governador de São Paulo, Paulo Egídio Martins; com o delegado da Polícia Federal, Romeu Tuma; com o Ministro do Trabalho, Murilo Macedo, e com empresários como Mario Garnero, seu patrão da Villares, e outros, no sentido de fazer refluir o explosivo movimento grevista que despontou em 1979/80, acabando com a histórica greve de 1980 no ABC. Hoje existe em profusão, não só depoimentos, mas também vídeos que mostram a manipulação de Luiz Inácio em articulação com o empresariado e com o regime militar, o que lhe possibilitou o reconhecimento do monopólio de imprensa, que o distinguiu com sua primeira capa da Veja. Um contraste marcante com outras lideranças sindicais que, além de perseguidas pelo regime, eram caluniadas na imprensa reacionária.

Daí, o radicalismo liberal pequeno-burguês agitado pela fraseologia pseudorrevolucionária do trotskismo, com o concurso teórico dos “papas” do CEBRAP, entidade financiada pela Fundação Ford e da homilia de evangelização das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica. Tudo isto montado pelos sindicalistas treinados pelos ianques com Luiz Inácio à cabeça pariu o Partido dos Trabalhadores. Nada, nadinha do que aí está hoje tem contradição com essa origem e trajetória. É seu resultado direto e inevitável, filme já visto em outros países, porém que, mesmo em sua mediocridade, como repetição histórica, como afirmou o maior cientista de todos os tempos: é uma farsa.

Por isto mesmo, o resultado da prática de uma ideologia eclética e putrefata, tão funcional ao imperialismo e às classes dominantes locais de grandes burgueses e latifundiários para atravessar as crises de credibilidade do sistema de exploração e opressão, é também muito funcional à reação para enlamear o nome da esquerda e dos comunistas, tanto em função de seu radicalismo liberal de antanho quanto pelo seu cinismo de seguir chamando-se a si mesmo de esquerda.

Foi o PT, em seu espírito pequeno-burguês arraigado, quem introduziu na luta política no país a vaia como método de impedir os adversários de se fazer ouvir. Foi o PT, muito bem alcunhado por Brizola de “UDN de macacão”, que levantou demagogicamente a bandeira da “ética na política”, autopromovendo-se a vestal da moral e da ética. Mesmo não se podendo provar que partidos e que políticos são os mais corruptos da nossa história — porque, de fato, não há como fazê-lo —, ficarão nela certamente marcados, o PT e seus principais corifeus, como os mais corruptos. Tais são os fatos dos últimos 35 anos na história da apodrecida política oficial do país e da trajetória medíocre e melancólica do denominado PT.

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