Turquia: atentado criminoso assassina 128

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No último dia 10 de outubro, um novo atentado criminoso golpeou uma concentração das massas populares que, de forma heroica, enfrentam, na Turquia, a camarilha criminosa do regime fascista de Recep Tayyip Erdogan. Os números atualizados até o fechamento desta edição de AND davam conta de 128 vítimas mortais deste atentado fascista à bomba, além de mais de 200 progressistas e democratas feridos. Este fato constitui-se em um dos mais sangrentos, brutais e covardes ataques do tipo já registrados em toda a história do país.

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11/10: protesto multitudinário em Istambul contra atentado criminoso

Na hora da explosão, milhares de manifestantes se concentravam nas imediações da estação principal de trens da capital turca, Ancara, para uma “marcha pela paz e pela democracia”. O ato, convocado pela Confederação de Sindicatos do Setor Público (KESK), Confederação de Sindicatos Progressistas da Tuquia (DISK), Associação Médica da Turquia (TTB) e pela União de Câmaras de Engenheiros e Arquitetos da Turquia (TMMOB), contava com o apoio de partidos e organizações de esquerda como o Partizan e o HDP.

Este atentado criminoso tem o mesmo selo de provocação dos atentados de Suruk e Diyabakir/Amed; o mesmo selo dos serviços secretos fascistas do governo do AKP e da camarilha militarista kermalista. Fala-se que o ataque foi realizado por “terroristas suicidas”, o mesmo que foi dito acerca do atentado em Suruk no último mês de julho, quando 35 jovens revolucionários foram brutalmente assassinados no momento em que se organizavam sob a consigna de reconstruir Kobane. Sob o pretexto desse massacre em Suruk, o Estado fascista turco desencadeou uma feroz onda de repressão, justificada como “luta contra o terrorismo”, prendendo e assassinando ativistas revolucionários e democráticos.

Entretanto, o cenário não deixa dúvidas de que as classes dominantes turcas e seu representante atual do AKP encastelados no Estado fascista são os responsáveis por esses crimes de morte contra o povo, e as massas turcas não acreditam na farsa de se tentar colocar mais esta barbárie na conta do Estado Islâmico.

Os criminosos do gerenciamento de Erdogan veem com grande preocupação a situação caracterizada pelo fracasso de sua brutal repressão à população, tanto turca quanto curda, e, no plano externo, pelo atoleiro em que se meteram na política do Oriente Médio, vendo desvanecer seus anseios expansionistas e de gendarme do imperialismo, devido ao apoio do eixo Moscou-Teerã-Pequim ao governo reacionário de Bashar Al-Assad, na Síria, no contexto da luta deste governo sujugado ao imperialismo russo contra os bandos de mercenários armados e treinados pelos ianques e pela própria Turquia.

As organizações convocadoras da manifestação pacífica brutalmente atacada em Ancara estão empenhadas em advertir o povo que não se deve cair na provocação fascista.

Em nota divulgada no dia 12 de outubro, o Comitê Central do TKP/ML foi enfático:

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“Após o novo atentado criminoso em Ancara, o mesmo velho Estado condena esse ataque e declara ‘luto nacional’. Isso é fraude! Nosso povo tem rejeitado esse tipo de fraude e a resposta das massas após o massacre foi tomar as ruas em protesto”.

A organização popular-revolucionária Partizan divulgou declaração após o atentado fascista em Ancara conclamando as massas turcas à Greve Geral:

“Em primeiro lugar, chamamos toda a classe operária para sair às ruas, para paralisar a produção e cuidar de seus mártires; para protestar contra o massacre que ocorreu em Ancara. Os fascistas devem saber que não vamos abandonar os slogans dos nossos mortos, sua luta não acabou! Pelo contrário, nossa voz será a nossa luta mais forte e mais intensa. O fascismo irá se afogar no sangue que ele mesmo derramou! O povo vai triunfar!”.

Na cidade de Istambul, milhares de pessoas tomaram as ruas em protesto contra o ataque fascista em Ancara, igualmente acusando o governo pelo atentado criminoso. Também na Alemanha, Suíça, França e Reino Unido, imigrantes turcos e ativistas de organizações democráticas e de defesa dos direitos dos povos realizaram concentrações e protestos denunciando o ataque sanguinário.

No dia 13 de outubro, uma grande Greve Geral de 48 horas foi deflagrada, com as massas atendendo à convocação das mesmas confederações de trabalhadores que organizaram o ato alvo do ataque três dias antes. A Greve Geral ganhou corpo sob as consignas contra o Estado fascista e o regime de  Recep Tayyit Erdogan. As universidades e escolas aderiram à greve, assim como os principais centros industriais e trabalhadores dos transportes públicos. Os hospitais só atenderam casos de urgência.

Nesta data e no dia seguinte, o país tremeu sob retumbantes marchas do povo e sob tão gigantescos quanto politizados funerais das vítimas de Ancara, não sem grande esforço do Estado terrorista para aprofundar ainda mais a repressão e a intimidação dirigidas às massas. Na província de Adana, no sul do país, um menino de cinco anos de idade foi morto pela polícia durante uma manifestação que transcorria sob a palavra de ordem ‘Erdogan assassino!’.

O governador da província de Istambul, Vasip Sahin, proibiu uma grande manifestação de solidariedade aos mortos do dia 10 que reuniria marchas que partiriam de vários pontos da cidade rumo a um potencialmente explosivo encontro na praça Beyazit. Sahin mobilizou um gigantesco aparato repressivo para impedir a confluência das multidões, chegando mesmo a mandar sua polícia cercar uma concentração de 1500 pessoas nos jardins da Universidade de Medicina de Cerrahpasa, a fim de não os deixar seguir em frente, e a impedir o embarque de manifestantes nos ferries que fazem a travessia no Estreito de Bósforo, ligando o lado asiático de Istambul à sua parte europeia. Várias escaramuças entre os populares e as forças de repressão aconteceram em várias cidades da Turquia.

A repercussão da grande magnigtude alcançada pela Greve Geral dos dias 13 e 14 de outubro foi fortemente boicotada, seja por “opção editorial”, por assim dizer, do monopólio da imprensa capitalista, seja pelas extremas dificuldades que o regime do AKP impõe ao trabalho da imprensa popular, ou mesmo da “grande imprensa” mais crítica de Erdogan, já tendo virado rotina na Turquia a prisão de jornalistas, como foi com Bülent Kenes, editor-chefe do maior jornal turco de língua inglesa, o Today’s Zaman. Acusado de “ofender o presidente”, Kenes foi preso no último 9 de outubro, um dia antes da explosão que destroçou mais de 100 turcos progressistas na capital.

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