O PT, a crise político-moral das classes dominantes e a falência da marquetagem

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Inventado pelos ianques para vender candidatos como se vende sabão em pó, o marketing chegou ao Brasil e só ganhou mais espaço nas campanhas eleitorais após o regime militar, até ser totalmente desmoralizado na última campanha do PT para reeleição de Dilma Rousseff. O crescimento de sua influência acompanhou o crescimento da influência das pesquisas de opinião, tanto quantitativas como qualitativas, acompanhadas amiudamente pelos marqueteiros para ajustarem o tom das campanhas com mais promessas ou, como diria o poeta Jessier Quirino falando sobre as eleições, “arrochando na mentira”.

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Ter mais tempo para dizer nada

Com a distribuição dos tempos de televisão na propaganda oficial dos candidatos, as coligações sem princípio tinham cada vez mais o intuito de arregimentar mais tempo de televisão para a candidatura, escancarando a olhos vistos a farsa eleitoral. Assim, o que menos importava era o programa do candidato e quanto mais tempo a candidatura tinha na TV mais se escondia o candidato e seu projeto, e mais apareciam as louvações compradas e os cenários paradisíacos mostrados sob o fundo musical de canções hipócritas.

Tendo como livro de cabeceira a obra ‘A mistificação das massas pela propaganda política’, do escritor russo Sergei Tchakhotine, estudioso da propaganda nazista que primava pela repetição de slogans, hinos e símbolos, marqueteiros como Duda Mendonça, Chico Santa Rita, Lavareda, Nizan Guanaes, Marcos Valério, Biondi, João Santana e outros ganharam destaque com as campanhas de Collor, Maluf, Quércia, FHC, Serra e Luiz Inácio. Depois ganhando espaço mundo a fora realizando campanhas presidenciais na Argentina, Venezuela, Peru, Bolívia, Angola, etc. A influência destes senhores chegou a tal ponto que o comitê político dos candidatos, geralmente compostos de políticos experientes e jornalistas renomados, foi perdendo espaço no aconselhamento dos mesmos e o marqueteiro foi tomando espaço na campanha de tal maneira que, desde a roupa, o penteado, os gestos, as frases de efeito, tudo era previamente testado em pesquisas qualitativas particulares e passavam a guiar o cotidiano das campanhas. Ou seja, a aparência sobrepujava cada vez mais a essência.

O vale tudo da farsa eleitoral

Tal como a propaganda comercial que procura superlativizar ou inventar as qualidades do produto, muitas vezes inexistentes, os marqueteiros colavam ao seu freguês um exoesqueleto de qualidades que mais exprimiam as necessidades das pesquisas do que as reais qualidades do dito cujo, construindo mitos como o “caçador de marajás” (Collor de Melo), “Toninho ternura” (Antônio Carlos Magalhães) ou “Lulinha paz e amor” (Luiz Inácio). Por outro lado fazer a demolição do candidato adversário atingindo seus pontos fracos, produzindo informações ou depoimentos comprados, como foi o caso da campanha de 1989 em que o marqueteiro de Collor comprou o depoimento da mãe de uma filha de Luiz Inácio (fora do casamento), afirmando que ele havia dado dinheiro para ela abortar. Daí para frente, a farsa eleitoral, cada vez mais, assumiu um clima de vale tudo, um clima de guerra onde o que menos importava era a verdade. Cada debate se transformava em uma enfadonha batalha onde o mais importante para cada candidato era colocar uma casca de banana para o adversário escorregar, como fez Garotinho, também com Luiz Inácio, quando lhe perguntou o que faria com a CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), uma taxa cobrada sobre os combustíveis que Lula não conhecia. Ou a indagação feita ao mesmo pelo candidato Enéas do que faria com a bauxita refratária.

Marqueteiro hoje, publicitário governamental amanhã

O grande sonho de cada marqueteiro era, e continua sendo, eleger o seu candidato para, em seguida, abocanhar as contas de publicidade do governo. O marqueteiro passou a ter tanta intimidade com o candidato que, depois de eleito, esta intimidade se estendia à burocracia governamental até se transformar em verdadeira relação promíscua. Tal como foi, entre outras, o caso do “mensalão”, onde o publicitário Marcos Valério funcionou como pião para lavagem de dinheiro obtido pelo superfaturamento de publicidades para subornar deputados que emprestassem os seus apoios parlamentares ao gerenciamento petista. Este mesmo Marcos Valério já vinha de experiências semelhantes com o PSDB mineiro e, quando o PT chegou ao gerenciamento do Estado, ficou-lhe bastante agradecido por ensinar o “caminho das pedras”.

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A degeneração da marquetagem com Luiz Inácio

No auge da crise do mensalão, Luiz Inácio chama ao Planalto o marqueteiro João Santana para ajudá-lo a sair daquela enrascada. E foi com base numa carga massiva de publicidade, enaltecendo os “feitos” de Luiz Inácio na área social, que Santana conseguiu neutralizar os danos causados pelo “mensalão” e fazer com que o mesmo se reelegesse, muito embora tenha contado com a importante ajuda da situação econômica com o aumento do preço das commodities. Animado, Luiz Inácio achou que elegeria até um poste. Foi aí que Santana construiu o exoesqueleto para vesti-lo. A figura de Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil do governo, passou a desfrutar de tremenda visibilidade sob doses massivas de publicidade e exposição pública através de viagens aos estados e inaugurações, criando-se, a partir daí, o mito de “gerentona” e, principalmente, com o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento, entregue à sua coordenação, a “Mãe do PAC”, cuja obra mais à vista era o programa “Minha Casa Minha Vida”. Não deu pra ninguém, era Dilma Rousseff a candidata do PT ao gerenciamento do Estado.

A estas alturas, a crise mundial, taxada por Luiz Inácio de “marolinha”, já batia nos batentes do Palácio do Planalto sendo vista à distância até por leigos na questão econômica. Mas o marqueteiro é que dava a última palavra: baixa o preço da energia elétrica, não sobe o da gasolina, mantém os subsídios dos automóveis e da linha branca, abre o crédito para a compra de móveis, promove uma farra de crédito escancarando as portas do consumismo e, ao mesmo tempo, coloca em prática velhas máximas dos tempos de PSD X UDN: “se o adversário não tem defeitos, a gente põe” ou “numa campanha eleitoral só é feio perder”. E deu no que deu. Logo após o resultado das urnas, com Dilma eleita, a realidade cobrou sua conta e tudo que foi dito passou a ser desdito. Com o país indo ladeira a baixo, Eduardo Cunha mantendo o parlamentarismo abutre e o PT se desmilinguindo, não há mágica, milagre ou marquetagem que dê jeito.

É João , tá vendo o que você fez ? Mas , não se preocupe , você foi apenas o “cavalo ”, quem te guiou foi o espírito do oportunismo , bajulador do imperialismo , da burguesia e do latifúndio . Isto vai ter fim , pois o povo assiste tudo e pouco a pouco , luta a luta, prepara a sua Revolução.

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