Rio: A “Santa Aliança”

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“O que é importante é que o sucesso das UPPs, no Rio de Janeiro, pode ser nacionalizado. Vai custar caro? Vai, mas eu estou convencido de que é mais barato do que deixar traficantes envolvendo crianças, adolescentes — e matando crianças e matando adolescentes — e tirando a tranquilidade das pessoas” (Declaração de Lula rasgando elogios e prometendo “nacionalizar” as UPPs, 03 de dezembro de 2010).

A disputa travada em Brasília entre um setor do PMDB e o PT encontra no Rio de Janeiro um dos seus capítulos decisivos, reveladores também. Aqui, essa aliança, que promoveu as remoções das comunidades e bairros pobres para realizar os megaeventos, militarizou as favelas instaurando o Estado de Sítio extraoficial que são as UPPs (elogiadas por Lula no discurso reproduzido acima), privilegiou a especulação imobiliária e a construção de elefantes brancos em detrimento dos serviços públicos básicos — a reforma bilionária do Maracanã, ou o caríssimo e de péssimo gosto “Museu do Amanhã”, por exemplo —levou-nos à beira do abismo.

O que prova que em Brasília, realmente, não contrastam projetos de País. Pois que pugnas a parte, estão todos pelo receituário ditado por Wall Street. Brigam, ali, as diversas siglas do Partido Único, pelo privilégio de gerenciar o aparato estatal a fim de favorecer os grupos de poder correspondentes às frações das classes dominantes de grandes burgueses e latifundiários, serviçais do imperialismo, nada mais.

A recente decretação do estado de emergência na saúde pública estadual, que em tempos normais já enfrenta situação calamitosa, é apenas novo capítulo nesse teatro de horrores. Realmente, quem queira conhecer a face mais monstruosa desse Estado devorador de gente, inimigo dos pobres, que vá às filas dos hospitais, ou a dos presídios em dias de visita. A década petista em nada, em nada mesmo alterou essa situação, ou precisamente falando só agravou-a, e é por isso que Dilma amarga a condição de governo tão impopular, com cara de ressaca após a farra de “crescimento” encenada por Lula, devido, sobretudo, à alta do preço das commodities e liberação de crédito, resultando no endividamento massivo da população e lucros recordes do setor financeiro e das Casas Bahia da vida.

Voltemos à “Santa Aliança”. O PT, na figura de um de seus quadros mais antigos no Rio de Janeiro, Jorge Bittar, comandou a Secretaria Municipal de Habitação (SMH) desta cidade no período mais terrorista das remoções, como a que riscou do mapa as comunidades da Vila Autódromo e Metrô Mangueira, para citar apenas dois exemplos emblemáticos. Naquela época a sigla SMH pichada nas portas das casas equivalia ao “Ponha-se na Rua”, de D. João VI. A construção de condomínios do “Minha Casa, Minha Vida” nos rincões da Zona Oeste, para onde as famílias removidas eram transferidas, caindo logo sob o controle de grupos paramilitares, é outra face desse processo de gentrificação da “Cidade Maravilhosa”, no qual os governos federal, estadual e municipal são sócios. As obras superfaturadas em terrenos desvalorizados, ademais, turbinaram os caixas das empreiteiras e, consequentemente, das campanhas eleitorais, “como nunca antes na história deste País”.

A intelectualidade amestrada, incluindo aí muitos dos figurões que se orgulham de ter lutado contra o regime militar, não disse palavra sobre isso, tampouco sobre o genocídio do povo pobre e negro, do qual o exército participou diretamente ocupando o Alemão e depois a Maré, ou sobre a brutal repressão desatada contra as manifestações populares. São cúmplices desses desgovernos, no final das contas, rasgando parte de sua própria biografia pelo silêncio covarde que vêm alimentando.

Sérgio Cabral, que disse das favelas serem “fábricas de marginais”; o clã dos Piccianni, que há pouco estava no campo da “oposição”, puxando, no Rio de Janeiro, o movimento “Aezão”; Pezão, que levou nossas escolas, universidades, hospitais e tudo o mais ao fundo do poço; Eduardo Paes e seu secretário agressor de mulheres, Pedro Paulo, que transformaram o Rio na capital da especulação imobiliária e das remoções: essa a “tropa de choque” de Dilma, os “companheiros” mais engajados na defesa do seu mandato. E há quem nos critique por, opondo-nos a esse governo, “estar com a direita”!

A esses respondemos com o imperecível, porque verdadeiro, dito popular: diga-me com quem andas, e te direi quem és...

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