O povo luta contra o aumento das passagens

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São Paulo

2016 foi aberto com a Juventude Combatente e os trabalhadores nas ruas contra o criminoso aumento das passagens de ônibus, metrô e trem, que subiram para absurdos R$ 3,80. Das escolas ocupadas às ruas, as batalhas da juventude não tiveram interrupções com o fim das ocupações. O debate da luta contra o aumento das passagens, que já fermentava entre os estudantes, ganhou as ruas em novas lutas e, até o fechamento desta edição de AND, manifestações já haviam ocorrido nos dias 8, 12 e 14 de janeiro.

No dia 8 houve confronto. Após a concentração em frente ao Theatro Municipal com cerca de 15 mil pessoas, os manifestantes seguiram em direção ao Largo do Paiçandu, onde deram uma volta no terminal rumo a Avenida 23 de Maio. Após passar o Vale do Anhangabaú, a tropa de choque da PM atacou. Muitos tentavam inutilmente se refugiar da chuva de bombas nos bares. A Juventude Combatente não recuou, se postou na linha de frente da manifestação, enfrentou a polícia, montou barricadas e sustentou o protesto.

— O ano já começou com luta! A população não aguenta mais tanta roubalheira, a saúde caindo aos pedaços, o Alckmin fechando escolas e agora vem este aumento de passagem. Eles estão brincando com a cara do povo. Se querem provocar a população, então terão que nos enfrentar. Não deixaremos esse aumento passar em branco — protestou o comerciante Fábio Souza, que foi às ruas em 8/1.

Em 12 de janeiro, novo protesto. Mais uma vez os manifestantes foram covardemente atacados pela tropa de choque da PM de Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT). O ato partiria da Av. Paulista até o Largo da Batata, mas, cercado pelos quatro cantos pela PM, foi impossibilitado de sair e os manifestantes foram brutalmente agredidos. Muitas pessoas, inclusive que não participavam do protesto, ficaram feridas pelos cassetetes, bombas de efeito moral e tiros de bala de borracha. Foram inúmeros relatos de feridos, incluindo uma gestante que ficou com a costela fraturada após receber um chute de um policial e um jovem que corre o risco de perder um dedo devido aos estilhaços de uma bomba. As cenas da selvageria da PM correram o mundo e ganharam destaque, inclusive, nos noticiários internacionais.

— A PM diz que cumpriu a lei, mas todo mundo viu o total desrespeito ao livre direito de manifestação. Geraldo Alckmin e Fernando Haddad demonstraram que farão de tudo para garantir o lucro da máfia dos transportes, que financia suas campanhas eleitorais. E esse ano é ano de eleição. Mesmo com tamanha repressão, nossa luta não vai parar. A Globo está nos chamando de vândalos, mas o povo não vai cair nessa mentira de novo, porque ele sabe que vândalo é quem aumenta a passagem, vândalo são estes governos. E a juventude tem o direito de se defender da forma que for! — afirmou a estudante secundarista Larissa Rocha em depoimento concedido em 13/1.

No dia 14, dois grandes protestos foram realizados: um no Centro, com concentração no Teatro Municipal, e outra em Pinheiros, no Largo da Batata. Ambos contaram com a participação de milhares de pessoas, que levaram faixas, cartazes e palavras de ordem denunciando o aumento da tarifa.

Nas concentrações, mais uma prova do fascismo escancarado das gerências estadual e municipal de PSDB e PT: todos que passavam por estas regiões da cidade foram revistados pelos agentes policiais. E à noite, quando os manifestantes voltavam para casa, a PM atacou próximo à estação Consolação do metrô. Jovens foram presos e alguns ficaram feridos. Outras manifestações menores foram realizadas nas primeiras semanas de janeiro com bloqueios de rua em outras regiões de São Paulo e novos protestos estão marcados para acontecer.

Rio de Janeiro

Na capital fluminense, centro da contrapropaganda dos jogos olímpicos, onde a roubalheira do que é público ultrapassou todos os limites do “debaixo dos panos” e saltou aos olhos de todos com o caos da saúde pública, as passagens dos ônibus sofreram aumento de R$ 3,40 para R$ 3,80.

Na tarde de 8 de janeiro, milhares de pessoas tomaram as ruas do Centro em um grande protesto. Milhares de manifestantes se concentraram na Cinelândia e, passando pela Assembleia Legislativa, seguiram até a Central do Brasil, a tradicional estação de trem mais movimentada da cidade.

 No encerramento do ato, teve início um confronto com a Guarda Municipal. Professores, estudantes e trabalhadores da região da Central do Brasil não arredaram pé das ruas e sustentaram o combativo protesto, enfrentando sem temor a tropa de choque da Polícia Militar, que interveio. Num determinado momento, manifestantes foram covardemente atacados pela cavalaria montada da PM, o que não foi suficiente para conter a fúria das massas. Policiais montados em cavalos e motocicletas foram cercados pelas massas e forçados a recuar. Muitos camelôs se somaram à resistência e colocaram em dia toda a raiva sentida diariamente com a repressão e os roubos de seus produtos pela Guarda Municipal, que aumentou vertiginosamente nos últimos meses na região central do Rio.

As câmeras de AND registraram os acontecimentos.

— Realmente, a revolta é grande. Esses jovens têm razão em protestar. Eu mesma, na semana passada, fui levar minha mãe, que sofre de pressão alta, ao médico, e não encontrei um hospital para atendê-la. Na UPA, alegaram que ela não era caso de morte, e mandaram eu procurar o [Hospital Municipal] Souza Aguiar. Não temos saúde, o custo de vida tá caro demais, e agora aumentam a passagem. Esses garotos estão certos mesmo! — afirmou a comerciante Fátima Carvalho, moradora da Zona Norte do Rio de Janeiro, que passava pela Avenida Presidente Vargas durante o ato.

— A juventude está com disposição de luta e em 2016 isso vai ser confirmado. Iremos às ruas protestar pelos direitos do povo. No início desta manifestação, os oportunistas eleitoreiros fizeram de tudo para o ato não ir até a Central, eles têm medo da revolta popular. Mas não conseguiram. Fomos até a Central e mostramos para a população, os trabalhadores e trabalhadoras, que, se os governos Eduardo Paes e Pezão [PMDB], aliados do PT, quiseram aumentar a passagem, eles vão ter que enfrentar a fúria popular — disse uma estudante secundarista.

No dia 15 de janeiro, mesmo debaixo de um temporal, cerca de mil pessoas voltaram a tomar as ruas da cidade. Novamente da Cinelândia à Central do Brasil, eles agitaram com combatividade a palavra de ordem ‘Não vai ter aumento!’.

Uma grande faixa da Frente Independente Popular (FIP-RJ) exclamava ‘Contra o aumento e a repressão! Não vote, lute pela revolução!’ e o bloco combativo presente no ato — que contou com a participação de ativistas do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), da Unidade Vermelha, do Movimento Feminino Popular (MFP), da Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC), do Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate), entre outras organizações —, do início ao fim, entoou canções de luta a plenos pulmões. 

Ao fim do protesto, PMs iniciaram agressões para tentar dispersar os manifestantes ferindo vários deles. Uma mulher foi ferida na canela por um estilhaço de bomba de efeito moral e teve que ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros. Representantes de coletivos de imprensa popular foram atacados por policiais e um deles, que transmitia ao vivo, teve seu celular furtado por um PM. Uma professora foi presa acusada de desacato por ter qualificado como racista a conduta de um policial ao revistar a bolsa de um morador de rua.

Os vídeos das manifestações na capital fluminense podem ser vistos no canal de AND no YouTube. Além de novos atos, ativistas preparam o Bloco Pula Roleta para o dia 9 de fevereiro.

Belo Horizonte

Na capital mineira, a tarifa subiu de R$ 3,40 para R$ 3,70. O Comitê de Apoio de BH esteve presente na manifestação de 8 de janeiro e, em relato enviado a nossa redação, afirmou que “Como é característico, a prefeitura de Belo Horizonte decretou o aumento das passagens na última semana do ano de 2015, momento em que a cidade está mais vazia devido ao período de férias. Esse foi o segundo aumento consecutivo da tarifa em 2015, considerado ilegal por ser acima da inflação e por um dito ‘acordo’ feito entre as empresas de ônibus e a prefeitura em 2013 que, inicialmente, faria com que as passagens não tivessem um aumento tão alto. Esse acordo, que dava direito a uma série de isenções de impostos às empresas, proporcionou um lucro de mais de R$ 80 milhões aos donos, já que esse dinheiro deveria ser pago em tributos à prefeitura. O ato, que começou às 18h, contou com a participação de cerca de 2.000 pessoas”. No mesmo dia, um protesto foi realizado no Centro do município de Três Corações. Também em Nova Lima (MG) ocorreram protestos. Em 15 de janeiro, uma nova manifestação tomou as ruas de Belo Horizonte e os manifestantes queimaram uma catraca simbólica.

A luta continua

O povo se levanta desde os primeiros dias de 2016 não só contra o aumento das passagens, mas contra o aumento de todos os impostos, o caos na saúde pública, a destruição da educação, a roubalheira criminosa das riquezas nacionais, o circo parlamentar e contra toda a podridão do velho Estado. Assim começa o ano da farsa eleitoral em nível municipal, o ano dos jogos olímpicos dos monopólios. Um ano de grandes batalhas para o nosso povo.

Enquanto esta edição de nosso jornal é concluída, inúmeros outros atos estavam convocados em São Paulo, Rio e outras capitais. Em inúmeras cidades, há ameaças de novos aumentos. Continuaremos acompanhando as manifestações e divulgando as informações em tempo real em nossa fan page no Facebook (/jornalanovademocracia).

 

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