“As sufragistas” e o potencial revolucionário da mulher trabalhadora

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Nessa quinzena, em que todos os revolucionários celebramos o Dia Internacional da Mulher Proletária, gostaria de chamar atenção para o filme “As Sufragistas” (“Suffragette”), a respeito da luta pelo direito ao voto das mulheres inglesas no princípio do século passado. Escrito e dirigido por mulheres, o longa aborda um momento específico em que a União Social e Política das Mulheres (WSPU) — cujas lideranças mantinham-se no marco do reformismo burguês —passa a organizar uma série de ações armadas em defesa da causa sufragista, sob a consigna de “queremos ações, não palavras!”.

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A protagonista, a jovem operária Maud Watts, que trabalha desde os sete anos numa fábrica têxtil, vê-se rapidamente envolvida na luta, tendo despertada sua consciência para a série de abusos que permeiam seu cotidiano e que lhe pareciam até então invisíveis. Esse é o aspecto mais feliz da trama: a luta sufragista é apenas um pretexto para abordar diferentes facetas da opressão feminina, como a questão da maternidade, o aviltamento da força de trabalho da mulher, os abusos sexuais, a dupla jornada, etc.

O filme também aborda a contradição da ação estatal: por um lado, nega às mulheres os direitos mais elementares, sob o abrigo da podre teoria do “sexo frágil”, por outro não recua ante nenhum método — das tentativas de cooptação ao encarceramento — para tentar deter sua luta, que de fato teme. A combatividade com que as ativistas enfrentam a prisão (numa das cenas Maud recebe uma medalha pelo seu “primeiro encarceramento”) é sem dúvida um dos pontos altos do filme, que retrata o sacrifício das personagens — nesta e em outras situações — sem melodrama, mas como consequência inevitável da luta, assumida conscientemente.

Limitações do movimento

As limitações são menos do filme que da própria história do movimento sufragista. Sua principal liderança, Emmeline Pankhurst, era na verdade membro da alta sociedade britânica, e revelou toda inconsequência ao adotar, na Primeira Guerra Mundial, uma atitude chauvinista, paralisando a mobilização feminina por direitos num momento em que o próprio contexto do conflito ampliava a participação das mulheres na produção e, ao mesmo tempo, as submetia a enormes privações. Daí que as ações armadas retratadas no filme estejam desvinculadas de qualquer objetivo revolucionário, sendo vistas tão-somente como instrumento para pressionar as instâncias de poder burguesas e “Sua Majestade”.

Talvez o principal erro da obra seja a omissão daquela que foi provavelmente a principal responsável pela radicalização do movimento sufragista: Sylvia Pankhurst, filha de Emmeline, que mantinha trabalho junto às operárias — fundou uma série de associações na zona fabril de Londres — e aproximou-se do socialismo. Quando estala a guerra, Sylvia adotará uma posição anti-chauvinista, o que a levará a romper com a WSPU, participando, mais tarde, da fundação do movimento comunista em seu país (foi entusiasta defensora da Revolução de Outubro). Todavia, adotando posições “esquerdistas”, criticadas por Lenin, romperá com o partido e trilhará outro rumo, mantendo-se no campo antifascista.

A manipulação do direito ao voto

Na verdade, de que serve o direito ao voto, entendido como um fim em si, se o próprio sufrágio não passa de instrumento de legitimação de uma sociedade que tem na opressão feminina um de seus pilares de sustentação? Em 1928, na Inglaterra, tal direito foi reconhecido, mas as mulheres seguiram recebendo salários menores, sendo agredidas e violentadas, carregando nos ombros o peso da dupla ou tripla jornada. Esse é o caso hoje em todos os países do mundo, inclusive naqueles ditos “avançados”, nos quais o corpo feminino é tratado como mero objeto, a prostituição se alastra, intensifica-se a exploração econômica.

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No Brasil, onde já em 1932 foi instituído o voto feminino (nos anos de 1920, sob direção do PCB, havia sido criado o Comitê das Mulheres Trabalhadoras, que incluía o direito ao voto nas suas reivindicações), e onde os oportunistas gabam-se de ter eleito a “primeira presidenta”, vemos como são as mulheres as primeiras a ser golpeadas pelo desemprego e rebaixamento de salários, o principal alvo da cruzada teocrática que mantém a proibição do aborto, as vítimas dos inaceitáveis índices de espancamentos, estupros e assassinatos registrados no País.

A conclusão é inequívoca: a emancipação da mulher só poderá ser obra da revolução proletária. Mãos à obra!

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