O Brasil, mais que nunca, precisa do Partido Revolucionário

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O fascismo é a política do imperialismo como fase última e apodrecida do capitalismo. Neste sentido ela é uma política permanente, mas que se apresenta ora mais agressiva, ora menos.

Na semicolônia Brasil as massas sentem no seu dia a dia a mão agressiva do fascismo, através das várias instituições do velho Estado como a polícia, a justiça, o parlamento, enfim, toda a sua burocracia. Há setores, porém, como as média e pequena burguesias, que se iludem com o chamado “Estado democrático de direito”, que é, nada mais nada menos, a face menos agressiva do fascismo. Mas, ainda assim, só aparentemente.

O PT e seus dirigentes, como Luiz Inácio e Dilma, em seu oportunismo, propagandearam e executaram esta face do fascismo em seu gerenciamento do semicolonial Estado brasileiro até tornarem-se, eles mesmos, rechaçados pelas instituições que eles ajudaram a incrementar, tais como a Polícia Federal e o Ministério Público, que, como órgãos de Estado, executam a política de Estado. E, sendo o Brasil um Estado semicolonial, aplicam o fascismo que, como afirmamos acima, é a política permanente do imperialismo, particularmente nos países dominados, como é o nosso.

A crise sistêmica do imperialismo atinge tanto a metrópole como as colônias e semicolônias. Neste momento, para garantir seu lucro máximo, exigem rédeas curtas tanto na economia quanto na política. Daí a investida fascista via judiciário combinado com uma descarga midiática dos monopólios de comunicação, tentando impingir às massas o mito do judiciário ilibado.

Falsa polarização

Os protestos, tanto do dia 13 como do dia 18 de março, foram demonstrativos de uma falsa polarização que é instigada ao extremo pelos meios monopolizados da imprensa, com Rede Globo à frente, para esconder e escamotear a verdadeira contradição de nossa sociedade: entre as massas empobrecidas e o velho Estado de grandes burgueses e latifundiários. Mas, ao mesmo tempo, todo este jogo revela que existe na sociedade um grande espaço para a verdadeira polarização entre as massas populares e as retrógradas classes dominantes exploradoras. Pois que, muitas das pessoas presentes nestas manifestações, estão mais que enojadas com toda a politicalha das disputas de grupos representantes de suas frações pelo controle da direção do Estado. Gente que, em sua maioria, já desistiu de participar da farsa eleitoral e está em busca de outro caminho, que leve o país a uma verdadeira democracia.

A polarização em curso é falsa porque não corresponde às verdadeiras contradições de nosso país, às quais sem sua completa superação nada mudará. Toda agitação da imprensa monopolizada, tendo sempre a Rede Globo à cabeça, minuciosamente articulada com as figuras mais reacionárias do poder judiciário, é eficiente maquinação que arrasta, principalmente, setores das classes médias. Uma parte destas, justamente indignada com o agravamento da crise econômica que ameaça seu padrão de vida, ademais da corrupção, sob a orquestração dos monopólios de imprensa de que a corrupção é que é o grande mal do país, termina tornando-se presa fácil da direita mais reacionária.

Uma outra parte é de gente muito conservadora e reacionária. São civis e militares cuja cabeça vive no USA — precisamente Miami e Orlando — entupida por seu lixo cultural consumista e idiotizante, versão atual da tradição, família e propriedade. É base da velha direita anticomunista até o tutano, a qual se acha revoltada por estar há quase 15 anos desalojada dos aparelhos do velho Estado. Esta recebeu de bandeja do PT a situação que precisava para ressuscitar seus baixos instintos. Está assanhada e em completo frenesi, já fazendo contas de como retornar a casa.

O fato é que os escândalos de corrupção impressionam mesmo muita gente, e de tal forma, que conseguem esconder que a corrupção é inerente a este apodrecido Estado e que nenhuma destas campanhas moralizadoras, com seus “heróis” de fantoche, irá pôr fim a ela e impedir sua continuidade. O mais provável é de que, daqui a mais um punhado de anos, todo este barulho estará de volta, desmascarando, como corruptos da vez, a canalha política que hoje busca colher os louros do descontentamento popular. Isto será assim até que o povo destrua todo este sistema de exploração e opressão representado por este Estado e todo seu sistema político feito de partidos eleitoreiros e da farsa eleitoral.

As verdadeiras contradições

As verdadeiras e mais importantes contradições de nosso país são aquelas entre os camponeses pobres sem terra ou com pouca terra e os latifundiários, entre nossa Nação subjugada e o domínio imperialista e entre os trabalhadores e a burguesia. Nada disto é o que está colocado em questão na polarização instigada pela imprensa monopolizada e pelos partidos eleitoreiros. A polarização entre os que são contra o governo e os que são a favor é uma farsa transformada em quem é contra ou não a corrupção.

Hoje, em meio à comoção geral, os mais notórios corruptos aninhados no congresso nacional posam de gente honesta e decidirão o impeachment de Dilma. Deputados e senadores das mais variadas siglas, juízes, desembargadores e magistrados das diferentes instâncias deste podre e viciado poder judiciário se apresentam como se fossem realmente independentes, imparciais, uns santinhos. Faltam só dizer que são inimigos das empreiteiras desde pequenininhos, quando a imensa maioria tem suas campanhas financiadas por elas (os de mandatos eletivos) e os outros, prepostos seus que são diante do poder público, também são regiamente compensados. Enfim, os familiares de todas estas castas privilegiadas, por decorrência, são religiosamente presenteados por estas mesmas empreiteiras. É um descaramento, uma imundice sem tamanho, porém, a maioria das pessoas não pode se dar conta disto e são manipuladas.

Sem destruir as bases apodrecidas de onde se origina toda corrupção, passada a euforia das campanhas hipócritas de combate a ela, tudo seguirá como antes

Esta polarização não é entre os explorados e oprimidos do país e seus exploradores grandes burgueses e latifundiários e seu Estado genocida. Tampouco é entre a Nação saqueada pelas grandes corporações transnacionais e as potências imperialistas. Tal polarização fermentada o tempo inteiro pela imprensa monopolizada está dentro do próprio campo dos exploradores do povo e dos vendilhões da pátria. Sua cara política é entre uma “esquerda” oportunista e reformista (PT, PCdoB, etc.) e a direita tradicional. Não é fácil para as amplas massas do povo se dar conta disto e só o tempo e o desenvolvimento das contradições poderão ajudá-las a compreender. Inclusive, muitas pessoas progressistas e democráticas se iludem impressionadas com as pantomimas da ética fascista e se sentem na obrigação de se posicionarem ao lado do atual governo, do PT, de Luiz Inácio e Dilma.

A posição do proletariado

Os revolucionários e revolucionárias têm a obrigação de revelar a posição classista e independente do proletariado para essas massas e as pessoas progressistas e democráticas. E não importa o quanto delas possam compreender isto agora, devem atacar os dois lados desta farsa e mostrar que nenhum dos lados desta pugna estão com as massas e a independência da Nação. Mais ainda, devem mostrar que só com a Revolução, a destruição de todo este sistema de exploração do povo e saqueio da Nação e o erguimento de um Estado revolucionário do povo e de Nova Democracia, que seus interesses, bem como a independência da nossa Pátria, serão realizados.

Quando a situação chega a este terreno, somente um partido revolucionário, um partido autenticamente comunista pode polarizar com o imperialismo, a grande burguesia local, os latifundiários e seus gerenciamentos de turno, apontando o programa da Revolução Democrática. Fora da Revolução de Nova Democracia, todo discurso contra a corrupção não passa de mera gritaria moralista condenada a esvaziar-se em pouco tempo. Pois que, sem destruir as bases apodrecidas de onde se origina toda corrupção, passada a euforia das campanhas hipócritas de combate a ela, tudo seguirá como antes. Assim tem sido a história política de nosso país.

Embora não possa ainda estar na cabeça das mobilizações populares em defesa dos direitos de nosso povo e pela libertação da Nação brasileira do jugo das corporações imperialistas, a luta por restabelecer o partido revolucionário do proletariado no Brasil já tem uma situação objetiva e subjetiva bastante amadurecida para fazer eclodir a Grande Revolução que o país necessita. As lutas das massas no campo e na cidade o comprovam e a radicalização do ambiente político cheio de manipulações da falsa polarização terminará por desembocar nela. Esta é a única trincheira possível de enfrentar e derrotar o imperialismo e seus lacaios no país. Para isto os verdadeiros democratas e patriotas devem se orientar pela posição dos revolucionários, abandonar as ilusões das manobras institucionais e preparar-se para a dura e prolongada luta revolucionária.

Toda esta pregação de que as “instituições estão funcionando” e de que “isto é que importa” não passa do cacarejo liberal preocupado em salvar estas que são as reprodutoras e legitimadoras de todo o sistema de exploração e opressão do povo e de subjugação da Nação. Predicam isto à exaustão porque se acham assustados com sua falência e o descrédito da população nelas. Vejam só que funcionamento: o congresso nacional, instituição dita representante do povo, presidida por um notório bandido, assaltante das arcas públicas, julgará e poderá depor os acusados de fazer o mesmo!

O grande perigo é se as massas populares comecem, parte por parte, a se dar conta que são exatamente estas instituições, defendidas como se fossem puras e sagradas, a correia de transmissão da corrupção e não as pessoas ou grupo de pessoas, estes apenas agentes dela. E, por fim, as massas tomarem a consciência política de que o que é preciso fazer é destruir estas velhas e corruptas instituições para criarem outras, novas e à sua própria imagem e semelhança, dos que vivem do suor do próprio trabalho e da total independência da Nação.

Abaixo toda a demagogia dos defensores dessa institucionalidade apodrecida, seja ela da oposição, seja do PT e seus chegados! Viva a Revolução Democrática!

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