O desfile da semifeudalidade

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A repercussão das declarações de voto de deputados e deputadas, na votação de abertura do processo de impeachment, homenageando filhos, esposas, amantes, tias, avós, pais e mães, além das homenagens aos respectivos feudos, foi tão repudiada na opinião pública que, na votação do senado pela admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff, em 12 de maio, para evitar a repetição do vexame, o escrutínio aconteceu através do painel eletrônico. Seria cômico se não fosse tão vergonhoso para a Nação.

O espetáculo deprimente das declarações de voto, tanto dos defensores do ‘sim’ quanto dos defensores do ‘não’, se causaram asco, em sua aparência, pelo baixo nível dos argumentos e pela vergonhosa postura ao se agarrarem aos mantras de, por um lado, “deus, pátria e família” e, de outro, de “não vai ter golpe”, em sua essência só revelaram maiores motivos para mais indignação ainda.

Para quem ainda não se dava conta ali ficou escancarado o que chamam de “renovação da política e do congresso”: é o filho ou filha, neto ou neta, esposa, irmão, sobrinho, genro etc., dos mesmos coronéis e oligarcas. Alguns exemplos embasarão nossa afirmação: votaram o filho do Sarney, o filho de Jader Barbalho, o filho do Agripino Maia, o filho do Garibaldi, o filho do Vital do Rêgo, o filho do Newton Cardoso, o filho do Cunha Lima, o filho do Sérgio Cabral, o filho do Requião, o filho do Nelson Marchesan, o filho de Abi-Ackel, a filha do Garotinho, neto, bisneto, tataraneto ou sabe-se lá o que do Bonifácio de Andrada e mais uma leva de filhos e netos da carcomida oligarquia feudal brasileira.

“Tradição, família e propriedade”

Já afirmamos, neste espaço, que a base do apodrecido sistema político brasileiro é a oligarquia municipal e regional. Ela é a base da semifeudalidade sobre a qual repousa a semicolonialidade  em nosso país.

O aparente afeto aos parentes e à família demonstrado pelos abutres em suas declaração de voto, na verdade, revela o reacionarismo fascista/integralista remanescente da AIB (Ação Integralista Brasileira) de Plínio Salgado e da TFP (Tradição, Família e Propriedade) de Plínio Corrêa de Oliveira, que é espargido sobre toda a sociedade sempre que acontece um acirramento da luta de classes e a situação revolucionária sai da fase estacionária passando a desenvolver-se. A reação babona ancorada na igreja, antes mais a católica, hoje mais as evangélicas, requentam seus chavões de que o “comunismo ateu” quer destruir a família e tomar a propriedade de todos.

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A ideologia do latifúndio trabalha a ignorância das massas para obscurecer o fato de que seu deus é o dinheiro; que ele é o maior destruidor da família ao provocar o desemprego, o abandono do campo, a migração para as cidades, o aumento da prostituição, da drogatização, enfim, da espiral ascendente da delinquência. E é, também, o maior inimigo da pequena propriedade ao deter o monopólio da terra negando este direito aos camponeses que nela vivem e trabalham.

O que se viu no bizarro show do dia 17 de abril passado foi o desfile da semifeudalidade mostrada ao vivo e à cores na figura de velhos coronéis ou de seus filhos e netos, envergando a casaca da opressão e da exploração do campo e vomitando sua putrefata ideologia.

Não votar e liquidar o latifúndio!

As eleições municipais deste ano ocorrerão em um clima de elevada contradição entre as siglas e membros do Partido Único para ver quem controla a base do apodrecido sistema político brasileiro. Por outro lado, assistiremos a uma avassaladora onda de protestos contra toda sorte de políticos profissionais e suas siglas. A crescente tendência para a abstenção e para os votos nulos e brancos deverá experimentar um salto de qualidade, deixando de ser um protesto passivo e passando a um protesto ativo das massas contra os políticos e a farsa eleitoral.

A constatação, pois, de que a farsa eleitoral é a forma de manutenção das oligarquias e, portanto, do latifúndio, base de reprodução deste capitalismo burocrático e dominação semicolonial do país, torna imperiosa a necessidade de um amplo movimento de agitação, propaganda e ação pela Revolução Agrária e pelo boicote ativo à farsa eleitoral.

O oportunismo serve à farsa eleitoral

O espetáculo patético de 17 de abril nos revelou, também, em sua essência, o apego que, tal como os demais partidos da direita tradicional, os oportunistas do PT, pecedobê, PPS, PDT, PSB e outros eleitoreiros tidos por “esquerda” ou centro-“esquerda” têm a este parlamento, valhacouto da politicalha bandidesca. Em suas declarações de voto pelo “não”, nenhum deles fez menção ou denunciou este parlamento como parte do carcomido Estado semicolonial e semifeudal, instância de chancela dos ditames do imperialismo, da grande burguesia e do latifúndio. Pelo contrário, ao protestarem contra a presença de Cunha na direção dos trabalhos, arguiam que aquilo depunha contra a instituição parlamentar.

 Com o afastamento de Cunha, os oportunistas do pecedobê logo armaram uma jogada legislativa tola e desesperada, usando o deputado Waldir Maranhão, candidato a Tiririca, para cancelar o procedimento da Câmara dos Deputados no impeachment de Dilma. Tal iniciativa logo foi desbaratada pela maré montante de reacionários de todos os calibres, liderados pela Rede Globo, desfazendo como fumaça as ilusões eleitoreiras do oportunismo.

Esta falsa “esquerda” que os reacionários e o monopólio da imprensa utilizam para enlamear a verdadeira esquerda, a qual serviram tantos heróis e heroínas de nosso proletariado, serve perfeitamente à farsa eleitoral e à reprodução do sistema político purulento em voga no Brasil. Sistema este defendido pelos mais notórios vendilhões da pátria por ser o mais funcional à manutenção do status quo.

Destruir os dogmas da reação

A vanguarda empenhada na agitação e propaganda da Revolução Democrática, da qual faz parte inseparável a Revolução Agrária, tem o dever de deixar patente em seu discurso que o Programa da Revolução Democrática assegura a liberdade de culto; assegura o direito à propriedade aos camponeses sem terra ou com pouca terra mediante a divisão do latifúndio e como consequência assegura ao povo pobre, do campo e da cidade, a possibilidade de criarem sua família com dignidade.

É, pois, condição para o avanço da Revolução a derrubada dos mitos da reação e a ampla divulgação do programa da Revolução de Nova Democracia, Agrária e Anti-imperialista.

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