Álvaro Carrilho: A música tem caráter

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Anfitrião de rodas de choro frequentadas pelos mais importantes músicos do gênero, o flautista Álvaro Carrilho dedica-se totalmente à música e à educação musical, consciente de que deve levar o melhor da música a muitos brasileiros acostumados às letras e ritmos alienados e que desconhecem a história da música nacional. Mas, de que maneira faz isso?

Membro de uma tradicional família de músicos — começa com seus bisavôs maternos, passa pelo avô materno, a mãe e todos os tios, chega em seu irmão, o flautista Altamiro Carrilho, nele próprio e vai até o violonista Maurício Carrilho, seu filho — o flautista Álvaro Carrilho, um dos mais autênticos representantes do choro carioca, depois de quase três décadas sem se apresentar em palcos e rodas de choro aos 73 anos de idade dedica-se totalmente à carreira de músico.

Inconformado com a situação a que lançaram a música, num Brasil invadido por psicologias espúrias, modismos e futilidades em forma de jingles (importados ou produzidos internamente, a que convencionaram chamar de música), Álvaro transmite, juntamente com familiares e amigos do choro, sua experiência e o imenso conhecimento da história da música nacional para outros brasileiros.

Sua família é de Santo Antônio de Pádua, interior do Rio de Janeiro. Álvaro cresceu ouvindo programas de rádio na casa da vizinha, porque seus pais não podiam comprar um aparelho, muito caro naquela época, década de 40. O pai, Octacílio, era cirurgião dentista e costumava atender pessoas empobrecidas que pagavam a consulta com galinha, arroz, feijão etc. A mãe, Lyra, era dona de casa e tocava piano, mas apenas para a família. Eram ao todo oito irmãos, sendo Álvaro o número seis.

Família de músicos brasileiros

O seu contato com a música instrumental era muito forte. Por exemplo, existia uma banda em Pádua, cidade fundada pelo avô materno, Carlos Manso de Aquino. Na banda tocavam seu avô e todos os tios. "Meu avô era o maestro, mas por ocasião de sua morte tio Messias assumiu a regência por 64 anos — dos 20 aos 84 anos de idade — um recorde no país. Além dos meus tios, o irmão Altamiro, mais velho que eu seis anos, ainda criança tocou tarol nesta banda", conta.

Álvaro lembra que, nesta ocasião, o irmão mais velho, Carlos Augusto, adquiriu uma flauta de bambu para o menino Altamiro, que passou a tocá-la insistentemente, inclusive em programas de rádio, ganhando prêmios. Mais tarde, Altamiro foi trabalhar em uma farmácia com a intenção de juntar dinheiro e comprar uma flauta de ébano. Conseguindo isso, abandonou a de bambu. "Então me apossei dela e comecei a tocar as primeiras notas. Tocava sozinho, somente de brincadeira, mas acabei tomando gosto", diz Álvaro.

Em 1941 a família Carrilho mudou-se para São Gonçalo (RJ) e, em 1943, para o Rio de Janeiro, no bairro de Bonsucesso. Foi nessa época que Álvaro, já experiente na flauta de bambu, formou o seu primeiro conjunto, na verdade, uma dupla com seu vizinho, o violonista Wellington. Com eles tocaram Baden Powell, então iniciante, Manoel da Conceição — conhecido como Mané Mão de Vaca pela maneira de fazer vibrar as cordas do violão com o polegar, porém mantendo fechados os demais dedos daquela mão — e Paulo Nunes. "Tocamos na Rádio Tamoio, no famoso programa da época: Clube do Guri. Nesse, acompanhamos as cantoras Claudete Soares e Helen de Lima, ainda meninas", lembra Álvaro.

E a vida musical de Álvaro andava muito bem, mesmo usando uma simples flauta de bambu: "A minha primeira composição foi em 1948, resultado da parceria com o Wellington. Em 1949 fui prestar serviço militar e, por conta disso, passei seis meses em Barbacena, MG. Lá conheci o Roldão do Banjo, que tinha um conjunto. Logo me convidou para participar de uma roda de choro com flauta de bambu. A partir daí, passei a fazer parte do seu conjunto", fala Álvaro.

Mas as dificuldades financeiras não deixaram Álvaro Carrilho continuar na música. É que em 1956, já de volta ao Rio, ele se casou e logo lhe nasceram dois filhos —Maurício e César. O trabalho de músico, apenas, não permitia sustentar a família. Arranjou emprego num laboratório como representante de remédios, o que tomava todo o seu tempo. Foi obrigado a aposentar a sua flautinha de bambu.

"Quem mais me estimulou na música foi o Maurício, que com o seu primeiro cachê, ganho aos 14 anos de idade, por um trabalho que fez com o Altamiro, comprou uma ‘flauta de verdade’, como disse, e passou a insistir para que eu a tocasse. Mesmo assim eu continuava sem tempo. Tocava somente para a família e em festas de amigos", conta Álvaro.

Mas Maurício insistiu para que o pai se dedicasse inteiramente à música e redobrou seus esforços quando Álvaro se aposentou em 1981. Nem era bem uma insistência, mas incentivo, porque não havia nenhuma dúvida de que Álvaro era um grande músico e que não ia começar nada, mas retomar o espaço que lhe era de direito e para a felicidade dos que precisam da música: todos.

Maurício, juntamente com a cavaquinista e violonista Luciana Rabello, é fundador da Acari. Foi ele também quem preparou o repertório do primeiro CD de Álvaro, lançado em março de 2000, inaugurando a gravadora especializada em choro: "Quando fui selecionar o repertório com as músicas que mais gostava de tocar, o Maurício me disse que já tinha escolhido para mim. Me assustei, mas ao pegar para ver, eram as minhas próprias composições, que eu costumava gravar em um gravadorzinho amador, e que ele havia guardado desde menino. O Altamiro também me estimulou muito, me dando aulas e passando o que sabe para mim", comenta com carinho.

Popularizar o que é do povo

Acontece que o CD de Álvaro Carrilho surpreendeu os amigos, revelando muito mais do que podia esperar, tão belas são as suas composições. Outra: o CD contou com participações especiais de Altamiro Carrilho, Joel Nascimento, Paulo Sérgio Santos, Pedro Amorim e acompanhamento de João Lyra, Luciana Rabello, Maurício Carrilho, Gordinho, Celsinho Silva, Jorginho do Pandeiro. Ali estão obras como: Brincando com os netos (com Wellington Santos); Chorando em Barbacena; Choro torto; Inaugurando; Na sombra da caramboleira; Sentimento carioca; Tangerina.

Mas não ficou nisso. Além dos palcos e rodas de choro pelo Brasil, Álvaro toca todas as quintas-feiras em um barzinho na Penha, que é da filha do Índio do Cavaquinho, um grande amigo. "O Índio não chegou a ver a inauguração do bar, porque faleceu antes. E nós assumimos um compromisso moral, que é de fazer o que ele gostaria de estar fazendo conosco", esclarece emocionado.

O cavaquinista e compositor Índio do Cavaquinho se destacou entre os melhores artistas de choro do país tocando com mestres como Ataulfo Alves, com participações marcantes em programas de rádio nas décadas de 40 e 50, e teve vários discos gravados até 1968. Apesar disso, passou por três décadas, de 70 a 90, sem gravar nenhum disco. "Meu professor foi o rádio", declarava Índio para o encarte do seu CD, pela Acari, em setembro de 2000, marcando a sua volta ao mercado fonográfico. Índio faleceu em maio de 2003.

Segundo Álvaro, o que aconteceu com o Índio também acontece com muitos artistas que fazem música brasileira. Os monopólios da divulgação são os que mandam e só querem saber de música fácil, descartável — o que foge disso está fora; geralmente produtos espúrios que podem até ser confundidos ou vendidos como nacionais.

"O tipo de música que o Caymmi fazia na Bahia, por exemplo, foi deturpada. A música que vem da Bahia, no momento, não tem nada a ver com o Brasil: é ritmo estrangeiro. Não se pode colocar um homem dançando capoeira e achar que dá para passar como brasileiro. Mas a mídia compra e joga em cima da população. São muitas cantoras, grupos, que apresentam um tal ‘samba baiano’, tocados nos trios elétricos, às vezes água com açúcar, outras com letras de baixaria e sem nenhum conteúdo musical", declara Álvaro.

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Música nas bases da educação

Álvaro diz que o curso primário, no final da década de 30 e início da de 40, era totalmente superior ao de hoje. Ele relata que, há pouco tempo, um determinado deputado, também professor, quando lecionava no segundo grau no Colégio Pedro II, aplicou uma prova, que equivalia a um exame de quinta série primária de 1940, para estudantes que buscavam ingressar no curso secundário daquele colégio. Somente 20% deles atingiram os 50 pontos exigidos para passar. O nosso Álvaro deduz que, se isso significa não haver preocupação por parte dos governantes com a qualidade do ensino básico destinado à população — ler, escrever, aprender matemática, física, história, geografia etc. —, muito menos se preocuparão em oferecer uma educação musical para o povo.

Educar musicalmente é permitir que a pessoa conheça as bases da música e dos instrumentos, é levá-la a conhecer a história de um ritmo e como se toca, a demonstração dos instrumentos, a sua composição física e o som que produz, como surgiu um ritmo e o trabalho de quem se destacou, leitura musical e a forma de tocar, de fazer música, de compor, o conhecimento e a valorização de ritmos e artistas nacionais etc. Pois também é isso que Álvaro e mais um grupo de músicos estão realizando na Oficina de Choro, que criaram. "O ideal seria que o governo realizasse isso, mas, como não acontece, nós fazemos por conta própria", declara Álvaro.

Segundo Álvaro, a realidade que encontram ao tentar realizar esse projeto é gigantesca. Mas vale a pena, porque estão contemplando o resultado positivo entre os alunos, que muitas vezes entram sem saber tocar nenhum instrumento, simplesmente com o desejo de aprender e se tornam músicos. Inclusive, já tem gente compondo. A Oficina de Choro funciona no Rio de Janeiro, há três anos, na Escola de Música da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), mas sem o apoio do governo federal. Além dessa atividade, há seis meses mantêm uma oficina no Sesc de Ramos e em breve, com patrocínio de empresa privada, criarão uma outra, no bairro da Glória.

Nas oficinas, cada professor transmite a sua experiência com música. Entre eles estão, além de Álvaro, o Maurício Carrilho, Pedro Aragão, Paulo Aragão, Ruy Alvim, Ana Paes, Marcelo Bernardes, Jaime Vinhole, Luciana Rabello e outros: "São, ao todo, uns 14 professores e uns 90 alunos na UFRJ e mais de 100 no Sesc de Ramos. O choro é a base para todos os instrumentos. Quero deixar claro que os cursos que ministramos são voltados inteiramente para ritmos brasileiros: choro, samba e tudo que faz parte deste universo, música nordestina etc. Oferecemos aulas de violão, cavaquinho, bandolim, pandeiro, flauta, trompete, trombone, clarinete e saxofone. A coordenação é do Maurício Carrilho", explica Álvaro.

"Não ensinamos os ritmos estrangeiros que invadiram o país. Temos aulas práticas e também teóricas onde contamos, por exemplo, como surgiu o samba. Mostramos o samba de Noel Rosa, de Chico Buarque, como foi na época de Sinhô, Ismael Silva, Geraldo Pereira, Ary Barroso, Lamartine Babo. Isso é que é a nossa música", continua.

Joaquim, por exemplo...

Álvaro lembra que o samba surgiu entre os escravos, no Brasil, tendo como inspiração o Semba trazido da África. Sendo assim, o samba é um ritmo brasileiro. Antes dele, porém, já existia o choro que, na verdade, muito o influenciou. "O choro e o samba sempre estiveram ligados. O choro foi a primeira música feita no Brasil. Joaquim Callado, que era filho de escravo, foi alguém que muito se destacou entre os primeiros chorões. Sua música chamou a atenção de Chiquinha Gonzaga, que se interessou e começou a tocar choro. Inclusive, conta-se que eles foram muito amigos e que até namoraram. Infelizmente, Joaquim Callado morreu com pouco mais de 30 anos de idade", conta Álvaro.

O flautista e compositor Joaquim Antônio da Silva Callado viveu de 1848 a 1880. É considerado o Pai dos Chorões — são suas as primeiras partituras de choro existentes — e foi o mais popular músico do Rio de Janeiro imperial. Callado fez a mistura da tradicional música européia com o som dos negros, resultando algo novo e totalmente brasileiro. Compôs diversas polcas e quadrilhas e é citado como "nacionalizador" da música. Seu maior sucesso, Flor amorosa, é tocado por qualquer flautista de choro atual e também do passado.

Callado teve, em sua época, seu trabalho reconhecido e recebeu muitos títulos: foi condecorado com a Ordem da Rosa no grau de comendador e escolhido para a cadeira 22 da Academia Brasileira de Música. Assim como Álvaro e a turma que ensina choro na Oficina, tentou transmitir o seu conhecimento para outros, ministrando aulas de flauta no Conservatório Imperial de Música e no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. "São esses músicos — Joaquim Callado, Anacleto de Medeiros etc. — que apresentamos para os nossos alunos e lhes servem de inspiração para tocar e compor", explica Álvaro.

A censura sofisticada

Para Álvaro, o estudo sobre os importantes músicos de choro e samba do passado é muito importante na formação dos alunos que, como todo o povo, não têm acesso a esse tipo de informação, porque não há espaço para programas educativos nos meios de comunicação. É o que diz com absoluta certeza, porque no início da década de 90 ele sofreu a consequência de uma censura secreta que tirou do ar o programa Hoje é dia de choro, na antiga TV Manchete.

"O Maurício foi convidado para fazer um programa de choro durante um ano, podendo haver prorrogação caso desse resultado. Esse programa seria exibido para o público nas manhãs de sábado e depois seria levado para as escolas públicas do Rio, que o exibiriam em vídeo para as crianças matriculadas. Teria a orientação do professor Darcy Ribeiro, inclusive, porque era dele essa idéia de levar a nossa música para ser tocada nas escolas", relata.

"O programa tinha uma hora de duração. Apesar de não ser ao vivo era exibido sem corte. Quer dizer, ia ao ar do jeito que era gravado, sem edição. Quando alguém errava, pedia desculpa e prosseguia e desta maneira ficava. Cada artista apresentava o seu instrumento, como montar, como tocar. Falava sobre a música que ia apresentar e seguia tocando. Desta maneira, os telespectadores e, posteriormente, os estudantes, iriam tomando conhecimento de música brasileira. Tudo indo muito bem, mas começou a acontecer uma coisa interessante: a Manchete subiu, naquele dia e horário, de 2 pontos de audiência para 16, e isso incomodou alguém desconhecido", continua.

Pior, logo depois, saiu dos 16 e foi para mais de 20 pontos, como prova de que o povo gosta mesmo do que é bom — coisa perigosa para quem só promove o ruim. "No sexto mês apareceu ‘alguém’ na Manchete e pediu para que o programa fosse tirado do ar. Resultado: o programa acabou, misteriosamente, com seis meses de exibição, bem antes de vencer o prazo do contrato", lembra Álvaro, acrescentando ainda que além dos pontos de audiência, Hoje é dia de choro recebia muitas cartas contendo elogios praticamente do Brasil inteiro.

Álvaro diz que se criou a imagem instigante de que é o povo quem escolhe os entretenimentos alienados e que não gosta da música brasileira, cultura verdadeiramente nacional. "O que aconteceu na Manchete comprovou o interesse da população por cultura e tudo que é nacional de fato. O povo não tem escolha. É obrigado a assistir só o que lhe permitem ver. Se uma emissora de televisão tirasse uma novela e apresentasse em seu lugar um programa de música brasileira, teria pontos de audiência. Mas o problema é que não estão interessados em aproximar o povo da cultura, instruir o povo", constata.

"Quanto menos informação tiver o povo, melhor para os que estão por trás dessa suja engrenagem, porque poderão manipulá-lo com mais facilidade. Por isso mesmo, não há espaço para os artistas que fazem verdadeiramente música nacional e para a arte nacional de uma maneira geral. Deixa alguém chegar em um programa como o Faustão, que passa aos domingos à tarde na TV Globo, e dizer que quer levar um grupo de choro para se apresentar: não vai conseguir, não tem espaço", continua.

"É fundamental entender: é o povo quem tem capacidade de discernir o que é bom e o que é ruim. Por isso, não deixam mostrar o que é bom. Por exemplo, uma pessoa chega do trabalho, liga a televisão, analisa o que está passando. Muda de emissora, mas tudo a mesma coisa: é a Casa dos Artistas contra o Big Brother. Enfim, são várias emissoras de TV, rádio, são revistas, jornais etc., mas, na verdade, é uma mídia única", acrescenta Álvaro.

Ministro de que cultura?

Os governantes pensam que música não é arte e nem profissão de muitos, raciocina Álvaro: "O Lula colocou à frente do Ministério da Cultura um músico, mas ele parece se interessar somente pelos trios elétricos de Salvador. Além disso, teve coragem de dizer que com somente 8.500 reais de salário por mês, não poderia se dedicar ao trabalho no ministério e teria que continuar fazendo os seus shows. Isso, além de humilhar o povo — basta ver o valor do salário mínimo no país e quantos brasileiros vivem com ele— mostra que o governo não está preocupado com a cultura. Ele deveria dizer, no mínimo, para o tal ministro: ‘Já que você não pode trabalhar por esse salário, muito obrigado, mas vou procurar outro que possa’. Seria a resposta", diz indignado.

"Mudou o ministério e olha o que aparece: um sujeito que se diz ministro da cultura, mas não está nem um pouco interessado na cultura nacional. E isso, é claro, não é só no campo da música. Os professores de balé, pintura... Enfim, a arte de uma forma geral está na mesma situação: prejudicada. Parece que eles não consideram nada da arte como tal. Na verdade, arte para eles deve ser o futebol, os trios elétricos etc., coisas que dêem muito dinheiro. Acho um absurdo um músico brasileiro, como meu filho Maurício Carrilho, ter que ir para o Japão tocar choro para poder ganhar um dinheiro e conseguir sobreviver da música no nosso país. Quer dizer, não tem espaço para ele dentro do seu próprio país", acrescenta.

Álvaro tem orgulho em dizer que Maurício vai tocar música brasileira no Japão e não muda seu estilo para agradar ninguém. E, muito pelo contrário, eles apreciam bastante o choro por ser música de qualidade. Aliás, Maurício foi um exemplo de coragem e amor à música: abandonou, no quarto ano, a faculdade de medicina para se dedicar inteiramente ao choro.

"O Altamiro lhe deu um violãozinho quando tinha apenas cinco anos de idade, porque Maurício costumava dizer que queria ser ‘tocador de violão’ quando crescesse. Aos nove anos começou a aprender música e tudo dizia que seria um músico dedicado. Mas isso pareceu que não aconteceria mais quando ingressou em uma faculdade de medicina. No entanto, deu razão para sua vocação e acabou largando tudo e se dedicando ao trabalho de músico."

É esse amor pelo choro que influencia Álvaro e os outros professores a continuar com a Oficina. "Queremos passar o nosso conhecimento de músico para eles e estamos obtendo resultados fantásticos. Na oficina que funciona na UFRJ, por exemplo, temos um grupo de meninos, com idades de 13 a 20 anos, oriundos da cidade de Cordeiro, no interior do Rio, que são extraordinários. Cordeiro é uma cidade que respira música, é maravilhoso. Inclusive, nós — eu, Maurício e Altamiro — fomos lá fazer uma apresentação e ficamos impressionados como essa cidade gosta de música", diz Álvaro, acrescentando que em dezembro recebeu, junto com o filho, o título de Cidadão Cordeirense.

Apesar de tantas dificuldades e situações lamentáveis, Álvaro está firme nos seus ideais nacionalistas e na sua carreira, até porque, quem esperou tanto tempo para conseguir se dedicar a ela agora não quer nem pensar em parar. Tem tocado pelo interior do Rio e também pelo Brasil. Ele não aprecia muito compromissos fixos, mas não consegue fugir deles e, além da apresentação no bar do Índio e das aulas, está sempre às voltas com um projeto de valorização da música nacional. "É pouco o que podemos fazer pela nossa música, mas fazemos a nossa parte", finaliza.

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