Pirâmides da atualidade: o legado das Olimpíadas

A- A A+

Pirâmides do Egito, como foram construídas e, principalmente, qual era sua finalidade?

Para botar de pé os monumentos, que nada mais eram que tumbas luxuosas para os faraós, estima-se que 30 mil egípcios trabalharam durante 20 anos. “Esses trabalhadores eram trocados a cada três meses. A maioria trabalhava no corte e transporte dos blocos”, diz Antônio Brancaglion Jr., egiptólogo do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

http://www.anovademocracia.com.br/171/14a.jpg
Museu do Amanhã: obra faraônica para “inglês ver” na “cidade olímpica”

Construções majestosas erguidas sob as ordens dos faraós, soberanos que detinham a grandiosidade política, bélica e espiritual dessa civilização. Esses monumentos visavam exibir o poder faraônico diante da posteridade e também ser a última morada do rei egípcio (Pedro de Campos e Yehoshua Ben Nun).

Qual utilidade a população da época tinha com essas pirâmides, além de servir aos propósitos particulares dos faraós? Gerava renda? Alimentação? Prosperidade ao povo? Saúde? E as pirâmides de hoje, o que trazem?

O Museu do Amanhã, entre outras obras faraônicas da atualidade, vem nos mostrar que, a cada mandato municipal, estadual e federal, a real falência que vive o país, seus estados e municípios. Não é de agora com a crise nacional, no mandato de A ou B, ela é histórica.

http://www.anovademocracia.com.br/171/14b.jpg
Obra milionária, a ciclovia do Joá desabou após ser atingido por ondas

No caso da cidade do Rio de Janeiro, que vai receber as Olimpíadas neste ano, isso se torna latente. Chegamos ao ápice da farsa capitalista e do oportunismo. Com promessas de deixar legados e avanços para a cidade, a máfia imobiliária lança seu golpe fatal através de seus representantes. Na capital fluminense, primeiro foi com os faraós Sérgio Cabral/Pezão na Copa da Fifa e agora com o faraó Eduardo Paes nas Olimpíadas.

Com o discurso de deixar “grandes legados” para a cidade como o Museu do Amanhã, reforma do estádio Engenhão (legado da Copa), limpeza da Baía de Guanabara (que não aconteceu), entre outros, montam a farsa para o enriquecimento de políticos e empreiteiras.

O Rio de Janeiro vive uma falência total. Sua população — quando falo população me refiro à classe pobre trabalhadora que tenta sobreviver no mar de lama da falta de recursos básicos e de direitos — está sem hospitais, transporte, educação e moradia. É essa a realidade do trabalhador que leva em média três horas tentando atravessar a pequena cidade para trabalhar (os que têm emprego) todos os dias.

A quem serve a revitalização da Praça Mauá? A quem serve o VLT? A quem serve a nova reforma do Engenhão? Essas obras irão ajudar nos problemas básicos da população? Aliás, cabe registrar que o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em seu primeiro dia útil de funcionamento (06/06/2016), já apresentou problemas, deixando os passageiros insatisfeitos.

http://www.anovademocracia.com.br/171/14c.jpg
No primeiro dia de funcionamento, o VLT teve problemas técnicos

Desabrigados e desapropriados se multiplicam ao avançar das obras faraônicas de Eduardo Paes: Vila Autódromo, Madureira, entre outras. Isso sem falar no campo de golfe na reserva da Barra da Tijuca e na ciclovia de milhões, que há pouco vitimou duas pessoas.

Essa política de fazer obras desnecessárias para superfaturar e em conluio com empreiteiras — para meter a mão no dinheiro de escravos cidadãos que doam seu suor em impostos para alimentar esse cão faminto que é a ganância do capital — não vem de hoje e é fruto da gestão dos representantes de empreiteiras e empresas de transporte que residem fixamente em cargos do governo.

Apoiados pelos pasquins de quinta corporativistas que lucram e se sustentam sem pagar nada, com concessões gratuitas desde o regime militar em 1964, estão aí somente para desinformar as massas. O não investimento nas necessidades básicas da população para sua sobrevivência não é só uma garfada na receita da cidade, é promessa de mais dificuldades para o pobre, aumento de desemprego, de miséria e violência.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Essas pirâmides da atualidade que vêm sendo construídas com o sacrifício escravo da população — que tem suas necessidades básicas extinguidas pelos mandos e desmandos de seus pseudo representantes — seguem a proposta política já conhecida de obras da história. Enormes prédios caríssimos com suas alturas que geram o fascínio, geram a diminuição do homem perante sua grandiosidade e admiração, trazendo o esquecimento do real propósito da sua construção, o enriquecimento dos homens gananciosos e sem escrúpulos que buscam atingir seu objetivo: enriquecer. Esse elefantes brancos que, com suas inutilidades, marcam a cidade e destroem vidas, histórias. Suas justificativas financeiras de “progresso” são, na verdade, o legado, a lembrança histórica de oportunistas antipovo que nunca tiveram um objetivo diferente desse.

Desgraça anunciada

Em 2013 e 2014, manifestantes protestaram contra a gerência Cabral/Pezão e a Copa da Fifa, que anunciava um mar de corrupção, e foram perseguidos e criminalizados. Eles estavam certos! O jornal A Nova Democracia, que anunciou o mergulho na crise, teve sua análise comprovada. Agora já não basta estarmos chafurdados numa lama de carências de necessidades básicas (saúde, educação, moradia, salários), iremos nos deparar com a herança das Olimpíadas, da gerência Eduardo Paes.

Enquanto isso, membros do Partido Único das classes dominantes seguem se digladiando em afirmar quem é o mais corrupto, quem é o mais ladrão, quem está certo, ou quem está errado.

Endereços


Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20.921-060
Tel.: (21) 2256-6303

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Tel.: (11) 3104-8537

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

EXPEDIENTE

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda 
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond 
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja

A imprensa democrática e popular depende do seu apoio

Leia, divulgue e conheça. Deixe seu nome e e-mail para se manter informado
Please wait