O surgimento dos Guardas Vermelhos (Hong Wei Bing)

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Com o desencadear da Grande Revolução Cultural Proletária foi dada a voz de comando para a luta contra os zu zi pai (os seguidores do caminho capitalista) em toda a China Popular. Na Universidade de Pequim, grandes dazibaos marxistas-leninistas-pensamento mao tsetung se multiplicam concitando a luta contra a “linha negra” de Peng Cheng e seus seguidores.

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Multidão de jovens, proletários e guardas vermelhos em 1966

São constituídos os Grupos de Trabalho com o objetivo de dirigir a GRCP, principalmente nas universidades sublevadas. Aproveitando-se de que o Presidente Mao se ausentara de Pequim para levar a Revolução Cultural ao interior do país, Liu Chao-Chi, presidente da república, e Teng Siao-ping, secretário geral do Partido, tomaram a frente dos Grupos de Trabalho para impor um sentido completamente diferente do definido pela alta direção do PCCh sob a orientação do Presidente Mao Tsetung, passando a reprimir e perseguir os elementos revolucionários das massas que denunciavam os maus dirigentes do Partido e do Estado, taxando-os de contrarrevolucionários.

Núcleos de jovens resistem e denunciam a atuação dos Grupos de Trabalho sob a direção de Teng Siao-ping, Liu Chao-Chi e sua esposa Wang Kuang-mei, que já no Movimento de Educação Socialista, desencadeado em 1964, vinham atuando sob uma orientação oposta da traçada pelos “10 pontos” estabelecidos pelo Presidente Mao Tsetung e se opunham a incluir os camponeses das comunas nos debates e investigações.

Do início de junho a meados de julho de 1966, foi o período em que os adversários da GRCP nas altas esferas do PCCh se lançaram para opor resistência, tentar frear o movimento revolucionário desviando-o de sua orientação e atacar todas iniciativas das massas revolucionárias através dos Grupos de Trabalho. Este período fica conhecido como “os 50 dias”. É também período de intensa atividade revolucionária do Partido Comunista da China, empenhado nos preparativos da XI Sessão Plenária do Comitê Central.

Em 16 de julho, a imprensa do partido noticia uma ação desportiva realizada pelo Presidente Mao Tsetung, que em Wuhan, realizou uma façanha nadando 15 quilômetros no rio Yangtsé. É uma grande demonstração de decisão e vitalidade, do vigor e audácia da Grande Revolução Cultural Proletária, um chamado a aprofundar a Revolução e uma vigorosa derrota para os zu zi pai, que maquinando contra o Presidente Mao, diziam estar ele debilitado fisicamente.

No dia seguinte à excepcional façanha, o Presidente Mao retorna a Pequim e se coloca em contato com os núcleos de jovens que resistem à nociva atuação dos Grupos de Trabalho e os anima a prosseguir seu combate com audácia. Havia grandes problemas a enfrentar: o USA bombardeara Hanoi e Haifong, no Vietnã, e a guerra de agressão imperialista chegava às portas da China Popular.

Entre os dias 1º e 12 de agosto de 1966, é realizada a XI Seção Plenária do VIII Comitê Central do Partido Comunista da China (CC resultante do VIII Congresso), preparada e dirigida pelo Presidente Mao Tsetung. Nas edições anteriores, publicamos importantes documentos aprovados nessa reunião: a ‘Decisão do Comitê Central do PCCh sobre a Grande Revolução Cultural Proletária’, ou  ‘Documento de 16 Pontos’, que vai dar todo o ordenamento e roteiro da Grande Revolução Cultural Proletária; e o Comunicado da XI Sessão Plenária do Comitê Central do Partido Comunista da China.

O surgimento da Guarda Vermelha é decorrência direta das ações revolucionárias da esquerda no PCCh sob a direção do Presidente Mao e das históricas decisões do 8 de maio e 12 de outubro de 1966 com a XI Seção Plenária do CC do PCCh.

Os 16 pontos exortavam os revolucionários a pôr a audácia acima de tudo, agitar e mobilizar as massas de operários, camponeses, soldados, assim como os intelectuais e juventude revolucionária para destruir o velho e construir o novo. Os núcleos de estudantes e professores revolucionários passam a desenvolver intensa atividade.

Inicialmente pequenos, os grupos de Guardas Vermelhos surgidos primeiramente em Pequim, desenvolvem grande agitação nas escolas e ruas. Eram distinguidos pelo bracelete vermelho estampado com os caracteres Hong Wei Bing (Guarda Vermelha). Sua idade variava dos 12 aos 30 anos. Portavam grandes bandeiras vermelhas e grandes fotos do presidente Mao Tsetung, agitando palavras de ordem e canções revolucionárias quando se dirigiam às suas reuniões e atividades.

Eles foram os primeiros a se perfilar e responder o chamado para aprofundar a revolução elevando a mobilização e ações revolucionárias desmascarando todos os seguidores do caminho capitalista até apontar para o “Kruschov chinês”, Liu  Shao-chi, quando o Presidente Mao conclamou a “canhonear o quartel general da burguesia”. Sua organização foi recebida com grande entusiasmo e estimulada pessoalmente pelo Presidente Mao Tsetung. Após a sua primeira saudação pública de aprovação dos Guardas Vermelhos, eles se multiplicaram aos borbotões por todo o país predicando que “somos os críticos do velho mundo” e fazendo a revolução reafirmavam que “rebelar-se é justo”.


Guardas Vermelhos destroem o velho e constroem o novo

Artigo publicado em Pequim Informa, órgão da imprensa revolucionária dirigido pelo Partido Comunista da China, em sua edição nº 36, 2 de setembro de 1966.

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Desde 20 de agosto, os jovens guardas vermelhos de Pequim, destacamentos de estudantes, tomaram as ruas. Com o revolucionário espírito rebelde do proletariado, eles lançaram uma ofensiva furiosa para varrer as influências reacionárias decadentes, burguesas e feudais e todas as velhas ideias, cultura, costumes e hábitos.

Esta tempestade revolucionária está varrendo as cidades de toda a nação. “Fazer o pensamento de Mao Tsetung ocupar todas as posições; usá-lo para transformar as ideias de toda a sociedade; varrer todos os fantasmas e monstros; transpor todos os obstáculos no caminho e realizar resolutamente a Grande Revolução Cultural Proletária até o fim!”. Este é o objetivo militante dos jovens combatentes revolucionários. Suas ações revolucionárias em todos os lugares receberam o apoio entusiástico das massas revolucionárias.

Pequim: Nas últimas semanas, os Guardas Vermelhos alcançaram vitória atrás de vitória em seus ataques contra os costumes decadentes e hábitos das classes exploradoras. Rufando tambores e cantando canções revolucionárias, destacamentos de guardas vermelhos estão nas ruas realizando trabalho de propaganda, erguendo grandes retratos do presidente Mao e trechos de suas obras além de grandes faixas com as palavras de ordem: “Nós somos os críticos do velho mundo; nós somos os construtores do novo mundo”. Eles têm promovido reuniões e concentrações nas ruas, fixado cartazes com grandes caracteres e distribuem folhetos contra todas as velhas ideias e hábitos das classes exploradoras.

Como resultado das propostas da Guarda Vermelha e com o apoio das massas revolucionárias, placas de lojas que veiculavam ideias feudais e burguesas foram removidas, e os nomes de muitas ruas, avenidas, parques, edifícios e escolas contaminados com o feudalismo, o capitalismo ou o revisionismo, ou que não tinham significado revolucionário, foram substituídos por nomes revolucionários. Os estabelecimentos comerciais têm posto fora regras e regulamentos obsoletos.

O apoio às ações revolucionárias dos Guardas Vermelhos tem sido expressado em inúmeros cartazes em grandes caracteres que as massas de trabalhadores revolucionários fixaram nas principais ruas recém-renomeadas da capital. Eles também expressaram o seu apoio com manifestações de rua.

Diante de vários prédios recém-renomeados de Departamento Comercial de Pequim, estão fixados banners gigantescos com as palavras: “Firme apoio às ações revolucionárias dos estudantes revolucionários!” E “Saudações aos jovens combatentes revolucionários!”.

Trabalhadores da Fábrica de Aço de Pequim, encorajados pelas ações dos estudantes revolucionários, lançaram ataques vigorosos contra as velhas ideias, estilos de trabalho, métodos e sistemas que dificultam a revolução e a produção em sua fábrica. Eles apresentaram muitas propostas revolucionárias e já iniciaram as reformas. Os trabalhadores da Fábrica Têxtil Pequim nº 2 de Algodão, animados pelo espírito revolucionário rebelde dos Guardas Vermelhos, estão atacando todas as velhas influências. Os trabalhadores sustentam que todo o povo tem o direito de varrer as influências do velho, não só fora, nas ruas, mas também nas fábricas e em todas as outras empresas e em escritórios do governo. Desta forma, agindo juntos, a Grande Revolução Cultural Proletária vai sendo realizada até sua vitória completa.

Comandantes e combatentes do Exército Popular de Libertação na capital manifestaram por unanimidade o apoio às ações revolucionárias dos estudantes revolucionários e à determinação de fazer avançar a Grande Revolução Cultural Proletária até o fim. Eles afirmam que as grandes ações revolucionárias dos estudantes revolucionários em atacar a ideologia, costumes e hábitos da burguesia é outro exemplo do grande poder material gerado pelo pensamento de Mao Tsetung, uma vez que este se funde com as massas revolucionárias.

Em uma reunião da 12ª Unidade de Guarnição de Pequim, comandantes e combatentes disseram que as ações revolucionárias dos jovens lutadores estão destruindo o velho mundo e construindo um novo mundo.

 Xangai: Nesta grande cidade, que tem a maior concentração de capitalistas no país e que, até a libertação, esteve, por muito tempo, sob o domínio dos imperialistas e reacionários locais, os estudantes revolucionários e as grandes massas de trabalhadores empunharam suas “vassouras de ferro” para varrer todos os velhos hábitos e costumes. As vitrines da Companhia Wing On, uma das maiores lojas de departamento da cidade, são cobertas por cartazes com grandes caracteres confeccionados pelos Guardas Vermelhos e pelos trabalhadores da loja, propondo que “Wing On” (Paz Eterna) deve ser alterado para “Yong Hong” (Sempre Vermelho) ou “Yong Dou” (Sempre na Luta). Os cartazes destacam que, na velha sociedade, o chefe da loja escolheu o nome “Wing On” porque ele queria ser deixado em paz para sempre para explorar os trabalhadores. “Agora a loja está nas mãos do povo e nós certamente não vamos tolerar este nome odioso nem um dia a mais”, dizem os cartazes.

Em “O Grande Mundo”, o maior centro de diversões de Shanghai, os operários e funcionários do parque, juntamente com os Guardas Vermelhos, retiraram a placa com nome antigo, que possuía vários metros de comprimento. Quando o último pedaço foi retirado, milhares de pessoas nas ruas e nas janelas de edifícios vizinhos aplaudiram e comemoraram: “Viva a Grande Revolução Cultural Proletária” e “Viva o Presidente Mao!”.

A zona ribeirinha do rio Whangpoo em Xangai foi, até a libertação, o centro de pilhagem imperialista do povo chinês. Os edifícios aqui ainda sofrem muita influência dos imperialistas e aqui a Guarda Vermelha, operários revolucionários e trabalhadores têm desenvolvido grande atividade revolucionária. Eles têm posto abaixo todas as placas imperialistas e removidos os leões de bronze fora de um dos grandes edifícios.

Os trabalhadores revolucionários e funcionários das barbearias de Xangai adotaram medidas revolucionárias em resposta às propostas dos Guardas Vermelhos: eles já não cortam ou penteiam os cabelos nas formas grotescas e espalhafatosas que eram adotadas por uma minoria de pessoas, nem prestam serviços que antes eram especialmente elaborados para a burguesia, como: manicure, tratamentos de beleza e assim por diante. Nestas lojas que vendiam apenas produtos para atender às necessidades de uma pequena minoria de pessoas, os trabalhadores tomaram a decisão revolucionária de fornecer a população bons produtos populares a preços baixos.

Tientsin: Nos últimos dias tem reinado uma nova atmosfera revolucionária nas ruas. Os tambores e gongos soam em torno da Praça Binjiang, centro de negócios. Fogos de artifício estouram durante todo o dia. Muitas lojas têm abandonado seus antigos letreiros que são substituídos por novos letreiros revolucionários. Inspirados pelo espírito revolucionário dos Guardas Vermelhos, os trabalhadores revolucionários e membros da equipe de “Quanyechang”, um dos maiores mercados da cidade, quebraram o painel que esteve incrustado em sua parede durante os últimos 38 anos e estabeleceu um novo: “Mercado do Povo”. A Fábrica Textil Beiyang, que foi criada no tempo dos senhores da guerra do norte há 45 anos, está agora renomeada “Quarta Nova Fábrica Têxtil”, e agora é exemplo de novas ideias, nova cultura, novos costumes e novos hábitos. O “Tripé de Ouro”, velho slogan da fábrica, foi alterado por um novo, “Operários e Camponeses”.

Hangchow: O Teatro Tung-po, a Rodovia Tung-po, e o Dique Su, no Lago Oeste de Hangehow, nomeado depois Su Tung-po, em referência ao senhor feudal de oito séculos atrás, passaram a ter novos nomes com significados revolucionários. A loja de tesouras que utilizou o nome do ex-proprietário – Chang Hsiao-chuan – como nome da loja durante os últimos três séculos, agora se chama: “Loja de tesouras Hangchow”.

Sining: Na capital da província de Xingai, oeste da China, as grandes massas de operários revolucionários e trabalhadores, quadros revolucionários, camponeses pobres e médios estão dando apoio decidido aos jovens combatentes revolucionários por seu espírito revolucionário rebelde de desafiar o céu e a terra. Algumas lojas, cinemas e teatros passaram a ter novos nomes revolucionários. Carregando grandes retratos do presidente Mao e batendo tambores e gongos, os trabalhadores da fábrica de veículos Sining Transportes, uma empresa modelo, desfilaram pelas ruas, declarando o seu apoio aos jovens combatentes. Seguindo o exemplo dos jovens combatentes revolucionários, os camponeses pobres e médios da Comuna Popular Mafang mudaram o nome de seu município para o de “Comuna dos Operários, Camponeses e Soldados”.

Lhasa: As ruas desta cidade transbordam de alegria ao longo dos últimos dias. Carregando grandes retratos do Presidente Mao, exibindo declarações de guerra contra o velho mundo e batendo tambores e gongos, centenas de guardas vermelhos, estudantes revolucionários e professores da Escola Normal tibetana e da Escola Média Lhasa tomaram as ruas em uma ofensiva vigorosa para destruir os “quatro velhos” – velhas ideias, velha cultura, velhos costumes e velhos hábitos. Na sua declaração, os Guardas Vermelhos, estudantes revolucionários e professores da Escola Média Lhasa proclamaram: “Após vários anos, finalmente a Escola Lhasa foi libertada. Foi o grande Partido Comunista da China e do nosso grande líder Presidente Mao que nos guiaram e nos deram suporte para conquistarmos nossa emancipação e, assim, fomos conduzidos para uma vida feliz. As amarras espirituais colocadas sobre nós pelos senhores feudais ainda estavam apertadas em torno de nossos pescoços. Isto já não pode ser tolerado. Já é hora de acertar as contas com eles.”

Guardas Vermelhos, estudantes revolucionários e professores em Lhasa têm propostas para alterar os nomes dos lugares, ruas e casas que são contaminados com a servidão feudal e a superstição. Eles também propõem que os grupos literários e artísticos proíbam a realização de óperas e peças que emanem os ares fétidos do imperialismo e do feudalismo. As grandes massas de operários e camponeses em Lhasa comprometeram-se, por unanimidade, a dar forte e decidido apoio aos jovens combatentes da Guarda Vermelha e avançar ombro a ombro na batalha com eles para transformar a cidade de Lhasa em uma cidade nova, proletarizada e revolucionária.

Carta de Mao Tsetung aos Guardas Vermelhos

A seguinte carta do Presidente Mao Tsetung aos Guardas Vermelhos da Secretaria Adjunta da Universidade Tsinghua, de 1º de agosto de 1966, foi extraída do livro “Ensino e Revolução na China. Mao Tsetung e outros autores”, Editorial Anagrama, Barcelona 1977.

“As ações revolucionárias dos guardas vermelhos são uma demonstração de ódio e condenação a todos os proprietários de terras, a burguesia, os imperialistas, revisionistas e seus lacaios, que exploram e oprimem os operários, camponeses e intelectuais revolucionários. Elas mostram que é justo rebelar-se contra os reacionários. Manifesto a eles meu caloroso apoio.

Os apoiamos e, ao mesmo tempo, pedimos que se esforcem em alcançar a unidade com todas as forças possíveis de se unir.

Quanto àqueles que cometeram erros graves é necessário, uma vez denunciados seus erros, que lhes seja dado um trabalho e que se forneça uma saída aqueles que se corrijam e se tornem homens novos. Marx disse que o proletariado deve emancipar não só a si, mas deve emancipar toda a humanidade. Se não está em condições de emancipar toda a humanidade, o proletariado não pode emancipar-se definitivamente. Peço aos camaradas que prestem atenção também a essa tese”.

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