Editorial - Mais show do cretinismo parlamentar

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O parlamento de qualquer semicolônia é sempre uma casa carimbadora das decisões emanadas da metrópole. Algumas procuram manter as aparências e a compostura em seu ato de genuflexão. Outros, como é o caso brasileiro, o transformam em um verdadeiro chiqueiro onde oligarcas e seus descendentes, office boys de banqueiros e lobystas de empreiteiras e transnacionais chafurdam na lama da impunidade, defendendo seus patronos e, logicamente, fazendo jus a seu gordo “jabá”.

Neste ambiente infecto também pululam, sem nenhum pejo, figuras oportunistas trajadas de vestais e alguns outros seguidores do mito da “democracia como valor universal”.

O bom convívio entre as várias siglas do partido único, como se conformou o sistema político brasileiro, foi quebrado pelos reflexos da crise do imperialismo que chegou ao Brasil anunciada como marolinha e, de repente, mostrou-se um tsunami, desestabilizando a harmonia entre suas “excelências”. Enquanto Temer prepara e anuncia as medidas mais draconianas contra os direitos do povo e a soberania da Nação, os caciques e chefões das siglas partidárias, juntamente aos senhores do establishment, maquinam deter a crise no Congresso Nacional para que este possa legitimar as ações deletérias do governo.

Como na fábula do “bode mal cheiroso” introduzido no meio de um conflito apareceu na sala de suas excelências o bode Eduardo Cunha. Provocou distúrbios de tal monta, como o impeachment da gerente de turno, que acenderam os holofotes para o seu gigantesco rabo de palha. Depois de muitos senões, não restou alternativa ao colegiado do chiqueiro que não fosse retirar o bode da sala. E assim foi feito.

Mas como o final da fábula, a retirada do bode apenas volta tudo à situação de antes. A crise da Câmara está no centro da crise geral de todo o sistema político do velho Estado em decomposição. Além do que o bode Cunha e sua sujeira têm neles presos o rabo de muita gente importante. Outro dia mesmo, indagado por jornalistas se faria delação premiada, Cunha respondeu olímpico que não, pois que não tinha cometido crime algum. Já fora da presidência da Câmara, cassado no seu plenário no próximo agosto como tudo indica e processado, não lhe faltará as credenciais para delatar.

Como a ascensão do oportunismo ao gerenciamento do velho Estado havia relegado a segundo plano algumas siglas que já estavam mofando em seus sarcófagos, como era o caso da sigla autodenominada de DEMOCRATAS, isto é ARENA, PDS, PFL, enfim!!! A busca por aplacar a crise na Câmara dos Deputados resultou, por sua vez, na retirada do DEM do seu sarcófago, ao qual a história lhe havia reservado merecido descanso, para assumir a presidência da casa na figura de Rodrigo Maia. Como manda a regra da casa, Maia é o herdeiro político de seu pai, que foi de esquerda na juventude e fascista na carreira política. Rodrigo, um dos principais articuladores do impeachment, contou agora com o apoio dos seguidores de Dilma Rousseff para chegar ao posto de sua presidência.

Confirmando o que dissemos acima sobre o bode e, também, confirmando a sua mais elevada estima ao cretinismo parlamentar, o ‘Portal Vermelho’ do pecedobê escreveu a seguinte “pérola” da prática oportunista: “Será uma vitória importante se a atual minoria puder lutar usando todas as garantias do regimento da casa, possibilidade fechada durante o mandato de Cunha. Mais importante do que isso, implodido o Centrão e cassado o seu líder, sem um bloco fechado de 200 deputados alinhados automaticamente e dispostos a tudo, a esquerda lutará em melhores condições contra a pauta nefasta do governo usurpador de Temer.”

Para os oportunistas, o único problema com Cunha era o impeachment, do jeito que estava antes do bode, estava tudo muito bom. Como coadjuvantes da farsa eleitoral, se acham bem merecedores de “lugarzinhos rendosos” no chiqueiro ou em qualquer outra sinecura.

Tamanha difamação à Esquerda só poderá ser lavada pela decidida ação dos revolucionários nas duras batalhas pela Revolução de Nova Democracia. O despertar das massas em seus protestos cada vez mais frequentes indica que elas já se iniciaram.

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