Repertório mundial e música brasileira

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Formado por mulheres, o grupo paulistano Mawaca pesquisa e reconstrói músicas de várias partes do mundo, entrelaçando-as com a musicalidade brasileira. Com 21 anos de estrada, acompanhadas por instrumentistas ou a cappella, as cantoras do Mawaca interpretam canções em suas línguas originais, além das composições próprias feitas dentro do contexto pesquisado.

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— Somos cantoras que se apresentavam em grupos interessados em fazer pesquisas com músicas de línguas diversas: árabe, africanas, búlgara, enfim, diversas tradições musicais. Assim, começamos a pesquisar a sonoridade de vozes femininas de várias partes do mundo — conta Magda Pucci, cantora e diretora musical do Mawaca.

— Fui regente de coral durante muito tempo, e algumas cantoras participavam dos meus corais, e de outras das minhas atividades ou de amigos. Tínhamos afinidade com a questão das vozes, então as convidei para formar um grupo de estudos, e desse grupo surgiu o Mawaca — diz.

— Claro que passamos por diversas transformações, entrou gente, saiu gente, mas, essa formação atual já está comigo há mais ou menos dezesseis anos. Nos reunimos em torno dessa coisa vocal, multicultural, que tínhamos vontade de explorar melhor, conhecer melhor as possibilidades — continua.

O nome do grupo é de origem africana: mawaca significa cantores na língua Hausa, que é uma língua do norte da Nigéria.

— No início do grupo trabalhávamos muito com músicas africanas e isso influenciou na escolha do nome. Depois descobrimos que essa palavra também tem conexão com o mundo japonês. Lá significa a porta para o canto coletivo, performance dos poemas cantados — fala.

— E com o tempo acabamos descobrindo que existem muitos outros significados para essa palavra mawaca, semelhantes ou não, em diferentes línguas e diferentes culturas. Lugares distantes, aparentemente sem nenhuma ligação — continua.

O Mawaca sempre encontra o Brasil em sua pesquisa de música pelo mundo, ao mesmo tempo que encontra um pouco da música do mundo no Brasil, como conta Magda.

— A música brasileira tem muitas referências de músicas e ritmos de outros lugares do mundo, o próprio forró, que consideramos bem brasileiro, tem sua origem no mundo ibérico, africano. Várias coisas que ouvimos conectamos com países da Europa e da África, ou mesmo de outros lugares mais remotos — expõe.

— Somente praticando, tocando, cantando é que se percebe que dá para fazer algumas conexões. Por exemplo, fizemos uma fusão de uma música do Curdistão com uma música do Mestre Verdelinho, um importante mestre do Ceará, um músico, poeta de lá — continua.

— Fizemos virar meio que um baião a música do Curdistão, porque de repente o ritmo dessa música fica muito bem com baião. E de uma hora para a outra estamos chegando no Brasil com essa referência, ritmo que evidentemente é o que une as duas músicas. Os ritmos são muito parecidos — acrescenta.

Fusões e criações próprias

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— Faço com bastante frequência esse tipo de procedimento, inclusive fazer essas fusões ou citações é uma característica do Mawaca. As vezes fazemos uma música indígena, brasileira, lá do Amazonas, e de repente entra uma música japonesa, porque a língua é parecida, tem uma sonoridade que remete um pouco a coisa indígena — fala Magda.

— Assim trazemos uma música japonesa que dialoga com a música indígena. Outra vezes tem um ritmo espanhol, lá do sul da Espanha, e de repente conseguimos conectá-lo com uma música do Nordeste brasileiro — continua.

— Vamos juntando, recolhendo essas ideias e elas se transformam em arranjos. Em vários momentos nós fazemos essas brincadeiras, digamos, de juntar histórias de um lado e de outro — acrescenta.

Essas músicas pesquisadas, segundo Magda, são canções tradicionais cantadas por diferentes pessoas e grupos.

— São músicas que existem há muito tempo, algumas milenares, outras centenárias. Não conseguimos ter informações de data e local de nascimento de todas, e boa parte delas não têm autoria conhecida, estão inseridas dentro da tradição local — diz.

— Raramente mexemos na letra das músicas que encontramos. O que fazemos são citações de outras músicas e mudanças nos arranjos, nas harmonias, nas instrumentações. Inclusive não traduzimos as músicas, aprendemos a cantar na língua e fazemos novos arranjos — explica.

O Mawaca tem também suas próprias composições, normalmente dentro de um estilo pesquisado. 

— Compomos músicas inspiradas em alguma tradição. Tenho uma música indiana, por exemplo, que compus em cima de um poema indiano. Então a música é minha, mas, composta dentro do estilo indiano — expõe.

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— Temos muitos vídeos de shows pelo mundo disponíveis na internet, um repertório bastante diversificado, músicas dos Balcãs, do leste europeu, música do Haiti, do México. Tem um outro repertório que é só de músicas indígenas brasileiras, etc. O nosso figurino varia de acordo com o repertório apresentado — diz.

— No momento estamos com um novo projeto, que é um repertório específico de canto feminino sem participação dos instrumentos. A ideia é uma retomada do início do grupo quando era só de cantoras. Uma apresentação vocal, a cappella, com somente algumas percussões tocadas pelas próprias cantoras — anuncia.

O grupo também tem um espetáculo especial voltado para as crianças, chamado Pelo Mundo Com Mawaca.

— Está em cartaz há dois anos e com muito sucesso, já viajamos bastante pelo Brasil com ele e iremos gravar um DVD. Esse encontro com as crianças é especial e estamos gastando muito de fazer — declara.

— Fora isso, o grupo deve viajar para a Europa no segundo semestre. Irá fazer umas apresentações do repertório de músicas indígenas, o canto dos povos da floresta, do disco Rupestres Sonoro — fala.

— E estamos com um projeto chamado Estúdio Mawaca, que é de oferecer para professores de escolas públicas daqui de São Paulo. Vamos passar um pouco da nossa experiência em pesquisa e fazer apresentações de repertório multicultural — conclui Magda Pucci.

O site www.mawaca.com.br é o contato do grupo.

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