Dada a largada da farsa eleitoral

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Durante a segunda quinzena de julho, as várias siglas do Partido Único entraram em frenético movimento visando mais uma encenação da farsa eleitoral.

 A largada se dá  com a  realização de simulacros de convenção, uma vez que o dono da sigla é quem escolhe o candidato a prefeito e a chapa de candidatos a vereador, pura hipocrisia.

Em seguida são feitas as coligações adredemente acertadas na base do “toma lá, dá cá”, onde a moeda de troca, geralmente, são secretarias, presidências de empresas públicas e demais cargos em vários escalões.

Ficou muito evidente a maneira como Geraldo Alckmin, em São Paulo, e Eduardo Paes,  no Rio de Janeiro, impuseram os candidatos de sua preferência. O primeiro provocou um racha no PSDB com a indicação de João Dória. O segundo escolhendo o seu secretário Pedro Paulo, mesmo com a ficha de agressor de mulher.

Em busca do butim

 A repulsa já manifestada pelo eleitorado nas últimas eleições, quando em vários estados,  o somatório dos votos brancos e nulos (mais as abstenções) foi maior do que a votação para governador, tende a ser maior ainda. Mesmo assim, as várias siglas do Partido Único se engalfinham em todo tipo de armação para conquistar o butim das verbas municipais. Vale, para tanto, até mesmo eliminar os concorrentes. Somente no Rio de Janeiro foram cometidos, no último ano, onze assassinatos de cunho político/eleitoral.

 A expectativa geral é saber com que cara os políticos vão se apresentar a partir do dia 16 de agosto, data oficial para o início da propaganda, arrochando na velha mentira de que ‘se eleito’ darão prioridade à saúde, à educação e à segurança. Em São Paulo, por exemplo, PRB, PSOL, PT, PMDB e PSDB lançaram os nomes que pretendem levar ao comando da maior cidade brasileira: Celso Russomanno, Luiza Erundina, Fernando Haddad, Marta Suplicy e João Dória, respectivamente.

 No Rio de Janeiro, reacionários, vivaldinos e oportunistas juramentados embolam-se dentro do Partido Único em acusações mútuas de corrupção como forma de eliminar concorrentes. Alguns já desistiram como Romário (PSB), primeiro entre os pré-candidatos a desistir de sua candidatura, e Clarissa Garotinho (PR); outros ainda mercadejam apoio como Índio da Costa (PSD), Marcelo Crivella (PRB), Carlos Osório (PSDB), Jandira Feghali (pecedobê), Flávio Bolsonaro (PSC), Marcelo Freixo (PSOL), Delegada Marta Rocha (PDT) e Pedro Paulo (PMDB), todos reincidentes em enganar as massas com suas falsas promessas.

Organizando a farsa

 Com vista a dar ares de seriedade a algo que o eleitorado está cansado de constatar, seu apodrecimento, o velho Estado desencadeia uma massiva campanha midiática direcionada ora para a juventude, ora para as mulheres, ora para os eleitores em geral, além de tomar medidas cosméticas para garantir a “legitimidade” do pleito. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou os valores máximos que poderão ser gastos pelas campanhas. Os tetos variam de R$ 45,4 milhões, no caso da capital paulista, a R$ 108 mil, para os quase 4.000 municípios com menos de 10 mil eleitores. Antes, em 2015, o veto a doações de empresas privadas foi imposto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e, para não aumentar a ira do eleitorado, o TSE impôs a diminuição do período de campanha (de 90 para 45 dias) e a redução do horário eleitoral na TV (de 45 para 35 dias), entre outras medidas para “inglês ver” que até o presidente do TSE duvida.

Não adianta dourar a pílula

 Segundo o jornal Estadão: “O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, declarou nesta segunda-feira, 25, que a proibição do financiamento privado para as campanhas sem mudança no sistema eleitoral foi um ‘salto no escuro’. Para Mendes, a eleição municipal deste ano é um ‘experimento institucional’ e em novembro deverá haver uma discussão sobre uma reforma no sistema eleitoral.

Ele disse que há a preocupação no TSE de que ‘organizações criminosas atuem de maneira mais enfática’ no processo, em outubro. Um dos principais desafios, de acordo com o ministro, é fiscalizar quem são os doadores (pessoa física) para saber se têm condições de repassar a quantia declarada aos candidatos”.

 Ora, desde os cartórios eleitorais até o STF, suas “excelências” estão carecas de saber como se processam as eleições no Brasil, e o povo mais ainda.

 A farsa eleitoral municipal é a base da pirâmide do apodrecido sistema político brasileiro que, em primeiro lugar, serve às oligarquias latifundiárias no campo e, nas cidades, aos especuladores imobiliários, empreiteiras, rede hoteleira, proprietários de transportes urbanos e prestadores de serviços como limpeza e iluminação públicas. A partir daí, arma-se todo um arcabouço onde o latifúndio (agronegócio), a grande burguesia e o imperialismo exercem sua influência como comitê gestor do caquético Estado semicolonial.

 Falar, pois, em “reforma política” é pura lorota, uma vez que este estado de coisas se reproduz por si mesmo. É salgar carne podre. Somente a Revolução Democrática conduzida pela Frente Única das classes exploradas poderá estabelecer uma nova ordem popular, varrendo por completo este sistema de exploração e opressão do povo e da nação e, junto dele, o monturo da corrupção.

Abstenção ativa

 As manifestações de junho de 2013 e as que as sucederam, ainda que sob formas pulverizadas, mas combativas, por todo o Brasil deram a tônica e grau de rejeição das massas a toda esta politicalha que insiste em insultar nossa gente com um modelo de sistema político arcaico, viciado e metido até os cabelos na corrupção endêmica. Nestas eleições de 2016 os protestos e xingamentos individuais tenderão a passar para ações organizadas de rechaço aos candidatos e suas siglas, tanto no campo como nas cidades. Mais uma vez aparecerá nos muros a consigna de Eleição Não! Revolução Sim!.

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