50 anos da Grande Revolução Cultural Proletária - A Revolução Cultural chega até as fábricas*

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A intensa atividade revolucionária desenvolvida pelos guardas vermelhos a partir de meados de agosto de 1966 produziu enorme impulso à Grande Revolução Cultural Proletária (GRCP). Sua ação catalizadora foi decisiva para o despertar das massas de todo o vasto interior da China. A chegada da Revolução Cultural às fábricas transfigurou e elevou a GRCP a um alto cume.

Com o ingresso do proletariado fabril na grande tempestade ideológico-política sob a direção do Presidente Mao Tsetung, surgem as primeiras organizações revolucionárias da classe operária. E os operários engajados nas fileiras da GRCP passam a designar-se “rebeldes” ou “rebeldes proletários”.

A luta contra os zu zi pai (os seguidores do caminho capitalista) é uma luta cruenta. Se antes se manifestava sob a forma de sabotagens e tentativas de impedir a atividade dos guardas vermelhos nas províncias e fábricas, passou para ataques raivosos por parte dos promotores da “linha negra”. Os enfrentamentos chegaram ao ponto de agressões corporais de guardas vermelhos como resultado das intrigas e maquinações lançadas pelos zu zi pai, que alardeavam em meio as massas que os jovens chegavam para trazer desordens.

O Presidente Mao compreendeu de forma profunda o papel chave dos guardas vermelhos na GRCP para o despertar da classe operária e para seu assumimento da vanguarda dos combates contra a “linha negra”.

Mas esse processo também foi marcado por duras batalhas e para o triunfo das posições da esquerda do partido e, para isso, foi decisiva a atuação de destacados quadros maoístas como Chen Po-ta, Chiang Ching, Chang Chun-chao e Yao Wen-yuan.

Chan Chun-chao, dirigente do comitê de Xangai e membro do Grupo Executivo da Revolução Cultural, teve papel de destaque na mobilização, politização e organização dos rebeldes revolucionários para o combate aos revisionistas contrarrevolucionários. Ele e Yao Wen-yuan foram responsáveis por erigir poderosas organizações de “rebeldes proletários”. Também foram um dos iniciadores das grandes manifestações proletárias que levaram a fundação da Comuna de Xangai, em 1967.

Inspirada na Comuna de Paris de 1871, a Comuna de Xangai foi um exemplo de órgão para o exercício da ditadura do proletariado, que, sob a guia do Presidente Mao Tsetung, demoliu os velhos órgãos estatais que haviam sido usurpados pelos revisionistas e zu zi pai.

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Ao convidar os operários a imitar os guardas vermelhos e lançar-se à impugnação de seus quadros, as autoridades centrais corriam um risco: o de afetar a produção. As fábricas não podiam parar, tal como ocorreu com as aulas. Inclusive, há que assinalar que as primeiras visitas dos guardas vermelhos nas fábricas trouxeram certa desordem: os guardas vermelhos chegavam a qualquer hora, entravam nas oficinas, lançavam proclamações, folhetos e organizavam comícios improvisados ali mesmo.

Quando os primeiros grupos de operários se organizaram, também se lançaram a exercer a crítica e elaboraram igualmente cartazes manuscritos, celebraram reuniões de discussão que transtornaram um pouco os planos de trabalho. Se viu então aparecer na propaganda do Partido uma consigna que se repetiria muitas vezes desde então: a liberdade de reunião e de associação de massas. Este tema se concretou ainda mais numa consigna específica tomada da Declaração dos 16 pontos, na que já se havia previsto o problema: “Fazer a revolução e estimular a produção”. Esta questão foi abordada posteriormente por Chu En-lai durante a 3ª Assembleia dos guardas vermelhos, em 15 de setembro de 1966 (“Pequim Informa”, nº 39, 26 de setembro de 1966).

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A partir desse momento, as autoridades dirigentes da Revolução Cultural fariam diversas recomendações aos guardas vermelhos e aos nascentes grupos operários para orientar suas atividades e sua organização.

A primeira recomendação foi a de respeitar nas fábricas as medidas que foram adotadas como consequência do movimento dos “quatro saneamentos”, parte do movimento de Educação Socialista. A finalidade essencial destas medidas era a conservação e manutenção do material, a organização das equipes de produção e seu funcionamento, assim como a manutenção das reservas, dos aprovisionamentos e das vendas.

A segunda recomendação foi a de fazer a revolução nos próprios centros de trabalho. Dela sucedia que os guardas vermelhos e os operários deviam estabelecer seus contatos políticos fora das fábricas e fora das horas de trabalho. A terceira recomendação, que resultava da precedente, foi a de não se transladar a outras unidades de produção e organizar-se em função das subdivisões administrativas utilizadas para a repartição do trabalho. Dito de outra forma: os operários de uma oficina criticavam os quadros de sua oficina e não os das oficinas vizinhas, [cujas eles] não conheciam a fundo os problemas. Pelo contrário, quanto à crítica aos quadros de níveis superiores, na escala da direção, o conjunto da equipe conservava o direito de crítica.

Esta estrutura correspondeu à que se impuseram às organizações de massas durante todo o desenvolvimento da Revolução Cultural. Destacamentos à nível das oficinas, regimentos ao nível das fábricas, quartéis generais à nível citadino ou provincial. Esta estrutura se repetiu da mesma forma nos escritórios e universidades: destacamentos nas faculdades ou seções, regimentos nas universidades ou no conjunto de um serviço. Portanto, pode observar-se que o gosto dos chineses pelo vocabulário militar não é exclusivo dos estudantes, senão que parece ser geral.

A medida que os guardas vermelhos faziam escola e que a imprensa central e a rádio nacional multiplicavam os chamados e os artigos editorais destinados a desenvolver a mobilização das massas, se estenderam também a aparição das organizações massivas em todo o território. Estes grupos cresceram, se reuniram, se estruturaram.

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Precisemos: ainda que os membros destes novos grupos também levavam braçadeiras vermelhas nas quais se escreviam o nome de seu “regimento”, não podia designar-lhes com o termo “guarda vermelho”, que se aplica unicamente aos estudantes do ensino médio ou universitários. Os trabalhadores e empregados agrupados nas organizações de massas são designados com o termo de “rebeldes” ou de “rebeldes proletários”. O vocabulário chinês é muito preciso nestes detalhes, e a palavra “guarda vermelho” não podia aplicar-se de maneira indiferente a toda pessoa que participasse na Revolução Cultural.

Todas essas organizações de luta ideológica cresceram e aumentaram em número com rapidez, posto que a liberdade de formar agrupações desse tipo era total e não estava submetida a nenhum trâmite formal. Poucos foram os chineses que não se uniram às organizações de massas criadas em seus escritórios, oficinas ou serviços. Da mesma maneira que entre os guardas vermelhos, os chefes destas organizações eram eleitos de forma direta e podiam ser revogados a qualquer momento. O papel e a tinta para fazer seus cartazes eram proporcionados de forma gratuita em seu centro de trabalho. Tinham, igualmente, o direito de utilizar os veículos a serviço da empresa: motos, carros e caminhões. As faturas da impressão de boletins, instalação de alto-falantes e organização de reuniões eram pagas pela contabilidade da empresa. A possibilidade orgânica e material de proceder a um exame a política realizada pelo Partido se oferecia, desta maneira, a todos os trabalhadores e empregados, que [portanto] empreenderam a crítica dos responsáveis a todos os níveis e analisaram os comportamentos de todos os quadros.

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 Nota

*Texto extraído do livro “História da Revolução Cultural Proletária na China”, de Jean Daubier

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