Tarcísio Leitão, um comunista pai d’égua*

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Tarcísio Leitão, uma vida de coragem e dedicação à luta

Tarcísio Leitão de Carvalho faleceu no dia 1º de agosto passado. Ele tinha oitenta anos, quase todos vividos no torrão cearense e cerca de sessenta e cinco de militância no PCB. Considerado um dos maiores agitadores que o Ceará já teve, aos 15 anos ele já trabalhava na imprensa do partido. Tarcísio nunca saiu do PCB, nem mesmo quando seu camarada e amigo Luiz Carlos Prestes o convidou para abandonar as fileiras do partido. Seguiu travando luta e, embora mantivesse sua fidelidade à linha eleitoral da direção partidária, não escondia sua admiração por Stalin e sempre apoiou as organizações que tinham divergência com o PCB e aderiram à luta armada, tanto assim que foi indiciado pelo regime militar fascista nos inquéritos da ALN, do PCBR, do PCdoB, da AP-ML, além do próprio PCB. Preso dezenas de vezes, foi em 1972 que sofreu o maior suplício ao ser torturado durante 45 dias nas dependências do exército. Ao contrário de muitos que renegaram a causa revolucionária, Tarcísio continuou lutando pelo socialismo e pelo comunismo.

Na verdade, desde a década de 50 do século passado até o dia de sua morte, Tarcísio tornou-se uma lenda para os revolucionários e um espantalho para os reacionários que tremiam diante do simples pronunciar de seu nome.

Desde a campanha ‘O Petróleo é Nosso’, esteve presente na linha de frente de todas as greves e lutas, agitando as massas cearenses com sua possante voz a denunciar as injustiças do presente e a enaltecer o comunismo como sociedade a ser conquistada na luta.

Apoiador do AND desde a primeira edição, recebia periodicamente minha visita e mantínhamos animadas conversas sobre o movimento comunista nacional e internacional. Quase sempre elogiava o AND: “É o melhor jornal de esquerda que já conheci…”. Algumas vezes apresentava elegantemente as divergências e em outras nem tanto: “O jornal está sectariozinho…”. Cerca de quinze dias antes de seu falecimento aconteceu o nosso último encontro. Tarcísio disse que tinha uma autocrítica a fazer: “Quando você me trouxe a primeira edição desse jornal e me expôs a linha editorial, eu falei que a intenção era muito boa, mas que não chegaria à 5ª edição. Me enganei profundamente!”.

Comunista Tarcísio Leitão! Presente na Luta!

*Expressão que tem origem no linguajar dos camponeses cearenses que utilizavam éguas para o transporte de cargas e escolhiam as que suportavam as mais pesadas cargas sem titubear. Para isso, selecionavam os reprodutores que gerariam as melhores éguas para esse trabalho. Daí a expressão ‘pai d`égua’. É sinônimo de pessoa forte, companheira, alegre e acolhedora.

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